Liga Europa

O segredo do Sevilla para virar o ‘Real Madrid’ da Liga Europa segundo Renato

Em entrevista para a Trivela, ex-meio-campista fala sobre a construção da figura do time da Andaluzia na Europa

O Sevilla é, de longe, o maior campeão da Liga Europa, a antiga Copa da Uefa, com sete títulos, mais que o dobro do que o quinteto abaixo dele. Por esse domínio, a equipe ganhou o apelido de “Real Madrid” da competição, visto os Merengues terem conquistado a Champions League 15 vezes.

O time sevillista começou essa história com uma conquista há quase 20 anos, mas ter criado essa aura e identificação veio em certo acaso. Essa não era a prioridade deles, como relembrou Renato, ex-meio-campista que atuou pelos espanhóis entre 2004 e 2011, à Trivela após jogo festivo no evento “Jogando Juntos pelo Unicef” no último domingo (12).

— Eu cheguei em 2004 em um time que brigava no meio da tabela junto com o Betis, o maior rival. O pensamento sempre foi de estar entre os quatro primeiros, jogar a Liga dos Campeões, é o objetivo dos maiores clubes — iniciou.

— [Mas] quando a gente caía para a Liga Europa, acho que nos identificamos bastante, foi uma competição que o Sevilla soube jogar. Houve essa identificação. É claro que não era uma prioridade jogar a competição, mas se criou ali uma identidade forte — completou.

Com Renato como uma peça importante no elenco, marcado por ter uma legião de brasileiros, o Sevilla venceu a competição em 2006 em cima do Middlesbrough. No ano seguinte, a equipe só chegou na final (e venceu) contra o Espanyol porque o meio-campista marcou o gol da classificação sobre o Osasuna na semifinal.

— Em 2005/06 a gente conseguiu o primeiro título da antiga Copa da Uefa. Dali para frente, o Sevilla virou o ‘Real Madrid da Europa League’. Estava lá junto com Luis Fabiano, Adriano, Daniel Alves, Julio Baptista. Conseguimos essa reconstrução com o Sevilla. É bacana, fico orgulhoso e tenho o maior carinho do mundo, uma honra ter participado do Sevilla e ter entrado para a história do clube também. Até hoje torço por eles, que consigam dar mais alegria para o torcedor servilista.

Renato, Luis Fabiano e Adriano com a taça da então Copa da Uefa, hoje Liga Europa, da temporada 2006/07
Renato, Luis Fabiano e Adriano com a taça da então Copa da Uefa, hoje Liga Europa, da temporada 2006/07 (Foto: Imago)

Além da segunda competição europeia, Renato conquistou duas Copas do Rei, uma Supercopa da Espanha e outra da Europa (com mais um gol decisivo) em sua passagem na Andaluzia. Ele se despediu como o estrangeiro com mais jogos na história do clube, 286, mas foi superado por Frédéric Kanouté (290) e depois Rakitic (323).

Renato torce por retomada do Sevilla e elogia clássico com Betis

Apesar do time espanhol voltar a vencer o título europeu mais cinco vezes após a saída de Renato (2014, 2015, 2016, 2020 e 2023), a situação atual deles é bem diferente. Com projetos cada vez mais confusos, o Sevilla lutou contra o rebaixamento nas últimas três edições de LaLiga.

Na temporada atual, os Rojiblancos começaram bem, mas, após irregularidade, estão na nona colocação em nove rodadas.

— Está numa reconstrução, varia muito a equipe, então até pegar entrosamento, demora um pouquinho. Fico na torcida para que o Sevilla volte a brigar no topo da tabela. A gente sabe que ficar lá embaixo é perigoso, é difícil, é uma pressão muito grande. [Torcer] para que eles possam voltar e tem o melhor entrosamento possível e sempre brigar ali na frente, estar entre os quatro primeiros, se não tiver ali, [pelo menos] em posição de Liga Europa — analisou Renato.

O que não mudou para o Sevilla é a temperatura do Dérbi da Andaluzia com o rival Betis, uma das maiores rivalidades que o ex-meio-campista viveu na carreira — Renato também passou por Guarani, Santos e Botafogo antes de se aposentar em 2018.

— [Quando tem clássico] É a semana inteira, movimenta a cidade. Não sei se é o maior da minha carreira porque eu joguei Guarani e Ponte Preta, que para a cidade de Campinas, Santos e Corinthians também, clássico maior nosso. Mas Betis e Sevilla é um dérbi que a cidade vive bastante — .

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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