Liga Europa

Atalanta deu aula de como se joga uma final

Time italiano interrompeu sequência de 51 jogos invictos do Leverkusen exalando futebol e espírito decisivo

Uma das máximas do futebol prega que finais não se jogam, finais se ganham. A conquista da Liga Europa pela Atalanta de Bergamo aprimora essa frase. O time italiano obteve seu primeiro título internacional jogando e ganhando de forma indiscutível. Foi uma aula de espírito decisivo. Houve imposição tática, supremacia física e prevalência da fome de vencer.

O feito dos bergamascos não é pouca coisa. O Bayer Leverkusen é a sensação da temporada europeia e sustentava uma incrível invencibilidade de 51 jogos, sendo 42 vitórias. Vinha da conquista invicta do Campeonato Alemão e tentará vencer a Copa da Alemanha, no sábado. O estilo dos comandados do espanhol Xabi Alonso é sedutor. Futebol ofensivo, muita gente em torno da bola, vitórias épicas no último giro do ponteiro.

Nenhum atributo do time alemão foi páreo para o espetacular caráter de final dos jogadores da Atalanta. Os três gols do inspirado nigeriano nascido londrino Ademola Lookman evidenciam essa faceta. O time da Atalanta chegou sempre primeiro, fosse atacando ou marcando. No primeiro gol, enquanto Exequiel Palacios espera a bola chegar e olha para a direita, Lookman, feito um raio, aparece para fazer 1 a 0. Um dos detalhes de concentração e estado mental que fazem a diferença. Como naquela canção, Lookman fez a hora, não esperou acontecer. Antes de balançar a rede, todas as bolas disputadas na jogada, desde a cobrança de escanteio, foram conquistadas pelo lado italiano.

No segundo gol, nova desatenção do lado alemão, após bola disputada pelo alto, Lookman fica com o rebote, avança pela esquerda, traz para o meio com uma caneta sensacional em Xhaka, e emenda um golaço.

Mesmo antes de fechar o placar com mais um belo gol de Lookman, a Atalanta seguiu jogando como se estivesse zero a zero. Estabeleceu domínio territorial, tirou o Leverkusen de seu jogo de conforto, brigou, encurtou marcação e jogou bola quando teve a posse. A velha história do “se você quer brincar, tem que ser pelas minhas regras”. Assim foi feito pelo time da Lombardia. A sede com que os comandados de Gian Piero Gasperini (há incríveis oito anos no cargo) buscaram o primeiro título internacional do clube foi inspiradora. Até o jogo de 22 de maio de 2024, em Dublin, Irlanda, a sala de troféus da Atalanta ostentava um único título relevante, a Copa da Itália de 1963.

Dois brasileiros estiveram em ação na decisão da Liga Europa. Éderson, volante chamado para a seleção brasileira por Dorival Júnior, titular e referência tática no meio-campo, é um dos pilares do time. Rafael Tolói entrou no minuto final. O zagueiro chegou em 2015 ao time de Bergamo e está perto de somar 300 partidas pela equipe, da qual é um líder indiscutível. Na final da Irlanda, ele participou da quinta partida na campanha do título. Uma justa homenagem ao jogador de 33 anos que simboliza o projeto de grandeza da Atalanta.

Foto de Mauricio Noriega

Mauricio Noriega

Colunista da Trivela
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