Liga das Nações

De Bruyne pede mais pés no chão à Bélgica: “Itália e França possuem 22 jogadores top, nós não temos isso”

Ataque de sinceridade veio depois mais uma decepção da seleção dos Diabos Vermelhos

Após a derrota para a Itália, na disputa de terceiro lugar da Liga das Nações, o meia Kevin De Bruyne não utilizou palavras muito doces para comentar sobre mais uma decepção da seleção belga. O camisa 7 pontuou a diferença para os elencos das seleções de topo e foi enfático ao pedir que seu país tenha “os pés no chão” a respeito das expectativas em torno do time.

Em entrevista à emissora RTL, da Bélgica, De Bruyne cometeu o que costumamos chamar de “sincericídio”. O mais curioso é que ele estava certo no que disse: “Com todo o respeito, nós somos apenas a Bélgica. Estamos vindo com uma nova geração, viemos desfalcados para hoje, sem jogadores top como Eden Hazard e Romelu Lukaku. Precisamos ser realistas com o time que temos. Itália e França têm 22 jogadores de alto nível. É hora de colocar os pés no chão, não temos isso”, comentou logo após a saída do jogo.

Superestimada geração belga? Chega desse papo

Desde 2016, a Bélgica vem chamando a atenção por ter conseguido reunir times com muito talento e jogadores que estão entre os melhores do mundo. No entanto, na hora de consolidar seu momento, a seleção acaba morrendo na praia e perdendo antes mesmo de chegar a uma decisão, coisa que a Croácia, por exemplo, conseguiu fazer na Copa do Mundo de 2018.

É bem verdade que parece atraente ver novas forças surgindo no cenário mundial, rompendo com a ordem que conhecemos em que Itália, França, Alemanha, Brasil e Argentina pareciam ser as únicas capazes de vencer competições ou disputar títulos. Parte da admiração pela Bélgica vem justamente por ela ser uma força emergente. E embora seja justo esperar feitos grandiosos de De Bruyne, Hazard, Lukaku e seus colegas, muitas vezes a expectativa não corresponde à força do grupo como um todo. Mesmo porque, tirando o trio já citado, poucos jogadores têm estofo para suportar grandes ambições, como tem ficado claro na ausência das estrelas.

Qualquer seleção sofreria se perdesse seus três principais jogadores, mas De Bruyne tem alguma razão quando fala que a Bélgica não tem tantos jogadores de topo, ao menos não por agora, ainda que com um tom bastante deselegante. A responsabilidade por melhores resultados recai nos mais talentosos antes do resto, mas para que a transição seja menos complicada, é preciso que haja mais gente com poder de decisão. Foi o que De Bruyne analisou à UEFA: “É importante que mais jogadores consigam participar de jogos deste nível. É muito bom jogar contra a Estônia, com todo o respeito, mas isso [Final Four da Nations] é o topo do topo. É necessário que cresçamos de forma individual e coletiva nessas ocasiões”, finalizou.

O fato de Charles De Ketelaere ter sido o destaque da Bélgica no segundo tempo deste domingo corrobora com esse ponto de vista. Embora os mais novos tenham sido elogiados por De Bruyne pela determinação no fim, ainda é muito pouco. Outras figuras relevantes como Yannick Carrasco e Michy Batshuayi pouco fizeram para provocar uma reação belga diante da Itália.

O problema da Bélgica, no fim das contas, não é só o de falhar na hora H. De fato, talvez seja o momento de realinhar expectativas. Será que este elenco, como configurado em 2021, tem mesmo força para ser campeão de algum torneio?

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Felipe Portes

Felipe Portes é editor-chefe da Revista Relvado, zagueiro ocasional, ex-jornalista, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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