Liga das Nações

De barriga cheia, Itália vence Bélgica e fica com o terceiro lugar na Nations

Partida pareceu aberta apenas no fim, quando os belgas reagiram e quase empataram

Todo jogo de disputa de terceiro lugar tem a mesma história: duas seleções que se frustraram por perder o lugar na final e que não têm muito a perder, entram apenas para se divertir no jogo final, que não costuma valer muita coisa. E justamente por não valer muita coisa é que geralmente a tensão fica de fora. A Itália, em partida dominante, venceu a Bélgica por 2 a 1 e ficou com o terceiro posto nesta edição de 2021 da Liga das Nações.

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Muito cedo na partida, disputada no Allianz Stadium, em Turim, ficou claro que a Itália era o time a ser batido. Não só por ser a atual campeã da Eurocopa, mas por ter conseguido ascender de maneira inimaginável o seu nível técnico e desempenho nas partidas. Isso ajuda a explicar a arrancada recente ao título continental e o retorno ao grupo das seleções consideradas favoritas.

De barriga cheia pela conquista em agosto, pode até ser que alguns italianos não tenham lamentado tanto a derrota na semifinal do Final Four para a Espanha. Mas isso não alterou a postura da Squadra Azzurra de Roberto Mancini em campo. Sempre procurando o gol e trabalhando bem a bola, a equipe fez bem mais do que a Bélgica para vencer. De olho no coeficiente da FIFA para o chaveamento da Copa do Mundo, a Itália esteve mais encaixada e mentalmente à altura do confronto.

Por outro lado, a Bélgica chegou desfalcada de Romelu Lukaku e de Eden e Thorgan Hazard, além de poupar Kevin De Bruyne. Sem a mesma força e desiludida por perder mais uma grande chance de mudar de patamar com uma conquista, a seleção dos Diabos Vermelhos teve em Michy Batshuayi sua grande esperança de gols, o que por si só é um grandíssimo sinal de que as coisas não estavam bem.

Enredo bastante dominado pelos anfitriões

Ao longo dos 90 minutos ficou evidente que a Itália ditaria as regras e o tom da partida. Concentrando as ações no seu meio-campo, o time de Mancini criou boas chances e forçou a retaguarda adversária a se desdobrar. O trabalho mais difícil ficou para Thibaut Courtois, que precisou fazer pelo menos três boas defesas para evitar o pior. Mesmo tendo para si uma superioridade na posse de bola, a Bélgica parecia não ter tanta capacidade de vencer Gianluigi Donnarumma.

O primeiro tempo contou com uma bola na trave dos belgas, mas a imposição de ritmo era toda da Itália. Era improvável que a Bélgica roubasse a cena em Turim sem seus principais nomes e o mais importante: sem a urgência de vencer. Na volta do intervalo, Mancini colocou seus comandados um pouco mais à frente, e com agressividade, conseguiu abrir o placar. Após escanteio, a bola pipocou perto da área belga e Nicolò Barella caprichou num chute acrobático para vencer Courtois. Um belo gol para a torcida local celebrar.

Daí em diante foi praticamente um monólogo da Itália, que pareceu bem mais perto de fazer mais um ou dois gols e ainda esbanjou categoria com canetas, chapéus e um arsenal de dribles que fizeram a tarde turinense mais agradável. Toda vez que a Bélgica chegava com Batshuayi, a dupla Alessandro Bastoni e Francesco Acerbi deixava a natureza cuidar do atacante, que ciscava, ciscava, mas não conseguia ajeitar para bater. Essa foi a tônica de um ataque pouco efetivo dos belgas até a entrada de De Bruyne e do jovem Charles De Ketelaere.

Para piorar as coisas do lado belga, Timothy Castagne fez um pênalti bastante tolo em Federico Chiesa e entregou de bandeja a vitória aos mandantes. Domenico Berardi cobrou e quase perdeu: a bola bateu no pulso de Courtois, subiu e entrou. Alívio no Allianz Stadium.

Um menino sem medo de ser feliz

Nessa mera formalidade que foi o segundo tempo após o gol de Berardi, a Bélgica resolveu importunar. A dupla De Bruyne e De Ketelaere deu alguma graça e emoção ao confronto. Em um contragolpe relâmpago, Courtois acionou De Bruyne com as mãos e viu o craque fazer mais uma de suas mágicas: com espaço e visão, Kevin lançou uma bola rasteira para De Ketelaere, que chegou na cara de Donnarumma e não se intimidou, finalizando por entre as pernas do goleirão italiano. Péssimo par de dias para o arqueiro italiano, que depois de ser vaiado em Milão, sofreu uma pequena humilhação neste domingo.

Ao todo, a Bélgica chutou três vezes a bola na trave da Itália, e aí somos obrigados a lembrar daquela história de que quem trabalha bem as finalizações costuma ter mais sorte, coisa e tal. Os Diabos Vermelhos até ameaçaram um grande abafa no fim para buscar o empate, mas ficou só nisso. A entrada de Leandro Trossard na vaga do apagado Yannick Carrasco não alterou o destino da partida. Os italianos souberam cozinhar o jogo no fim para administrar a vantagem.

A Itália termina essa edição se mantendo no mesmo nível técnico e de capacidade para resolver partidas, o que sem dúvida reforça suas chances na Copa de 2022. Para a Bélgica, que sempre tem algum desfalque em cima da hora ou momentos de puro azar, a Nations passa como mais um atestado de que não basta só ter grandes jogadores, e que um pouco mais de preparo psicológico não fará mal a este elenco nas horas cruciais. No contexto geral, os belgas vivem um grande momento, talvez o de maior protagonismo em sua história. Mas quem conhece essa safra de Hazard, De Bruyne, Lukaku e Carrasco, sabe que eles podem chegar um pouco mais longe do que uma semifinal.

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Felipe Portes

Felipe Portes é editor-chefe da Revista Relvado, zagueiro ocasional, ex-jornalista, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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