Liga das Nações

A derrapada da Bélgica não deveria ignorar a senhora atuação de Lukaku contra a França

Lukaku fez um baita primeiro tempo e ainda carregou as esperanças da Bélgica até a virada francesa

Nenhuma das outras seleções semifinalistas da Liga das Nações deveria almejar mais a conquista que a Bélgica. Os Diabos Vermelhos são os únicos sem um troféu dessa expressão, limitados ao pouco lembrado ouro olímpico de 1920. E não dá para negar que os belgas tinham totais condições de superar a França nesta quinta. A equipe de Roberto Martínez abriu dois gols de vantagem, mas permitiu que os Bleus crescessem e arrancassem a incrível virada por 3 a 2. Uma derrapada que gera críticas compreensíveis e contundentes contra a Bélgica, mas que não deveria ignorar a senhora atuação de Romelu Lukaku, que carregou o time em muitos momentos.

O bom centroavante é aquele que não cansa de surpreender os marcadores por sua vastidão de recursos. É isso que Lukaku consegue tantas vezes. Todo mundo está cansado de conhecer sua qualidade ímpar na proteção e sua explosão, mas ainda assim poucos conseguem parar o centroavante. Os defensores da França sofreram com esses predicados, principalmente no primeiro tempo. O primeiro gol não saiu por um milagre de Hugo Lloris, mas o lance de Kevin de Bruyne tinha sido possibilitado pela arrancada de Lukaku rente à lateral. E depois que Yannick Ferreira Carrasco abriu o placar, o artilheiro deixou sua marca de forma brilhante.

A Bélgica cresceu no fim do primeiro tempo também por causa de De Bruyne. O maestro mostrou que, quando está bem fisicamente, pode auxiliar demais na organização. Foi ele quem deu a assistência para o primeiro gol e também habilitou Lukaku no segundo. Depois disso, coube ao centroavante fazer a festa. Botou Lucas Hernández no bolso, com um giro perfeito e muito bem executado para limpar a jogada. Já diante da meta, com pouco ângulo, a precisão do goleador na finalização também preponderou. Sua pancada saiu rente à trave, sem que Lloris conseguisse reagir. O tiro perfeito.

O segundo tempo viu uma Bélgica apequenada. Recuou, sentiu a intensidade do jogo e também viu o desequilíbrio entre os diferentes setores pesar. A França cresceu e não se deu por satisfeita enquanto não arrancou a virada. Porém, se de um lado os Diabos Vermelhos tomaram pancadas até a derrota iminente, do outro ainda lutavam graças a Lukaku. O centroavante seguiu carregando as esperanças do time. Eram dele as principais jogadas, seja na preparação ou na conclusão. Deu o passe para De Bruyne exigir mais uma ótima defesa de Lloris. Depois também fez um gol, anulado pelo VAR. Se o centroavante não foi o herói do jogaço em Turim, faltaram (ou sobraram) poucos centímetros justo no momento decisivo.

Lukaku já foi muito cobrado por seu rendimento na seleção belga, mas seu desempenho nos últimos anos é espantoso. Os Diabos Vermelhos chegaram à semifinal da Copa do Mundo muito graças à partidaça do atacante contra o Brasil. Enquanto isso, ele abre margem como maior artilheiro da história da equipe nacional, atingindo os 67 gols nesta quinta, o dobro mais um que Eden Hazard na segunda colocação da lista. O que falta é um título, mesmo de uma competição menor, para gravar um pouco mais a grandeza de Lukaku e de sua geração. A Liga das Nações escapou pelos dedos, mas não por culpa do craque.

Lukaku tem 28 anos e, até por seu poderio físico, deve protagonizar a Bélgica por pelo menos mais duas Copas do Mundo, talvez por mais duas Eurocopas. É mais jovem e também mais vigoroso que os outros destaques da geração, De Bruyne e Hazard. O problema é a maneira como certos setores da equipe envelhecem e minam o potencial há tempos apontado sobre os belgas. Esta Liga das Nações era uma das melhores chances possíveis. Lukaku entendeu isso e buscou bastante, mas viu seu time ceder contra um adversário com mais recursos individuais.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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