Lewandowski: ‘Achava que, por ser magro, podia comer o que quisesse’
Atacante polonês do Barcelona relevou trajetória profissional que o permitiu jogar em alto nível mesmo aos 37 anos
Em sua 16ª temporada na elite do futebol, e com uma trajetória de mais de 400 gols anotados, além da coleção de títulos nas principais divisões da Europa, Robert Lewandowski compartilhou os seus desafios no início da carreira e as mudanças no estilo de vida que lhe permitem atuar em alta performance ainda aos 37 anos, em um dos maiores clubes do mundo: o Barcelona.
— Eu pensava que, por ser magro ainda podia comer chocolate. Achava que podia comer o que quisesse, porque não tinha gordura. Mas quando treinava, não tinha força nenhuma e não conseguia entender. Dormia bem, mas não conseguia treinar com a mesma intensidade que os meus colegas de equipe. Então comecei a mudar. E mesmo depois de algumas semanas, fez uma enorme diferença — explicou em entrevista ao “The Athletic”.
Ainda por volta dos 20 anos, o atacante disse ter entendido que precisaria manter os cuidados para além do campo se quisesse ter uma carreira longeva. Com uma dieta restrita, o jogador cortou doces e diferentes tipos de alimentos ao perceber que a mudança resultaria no aumento da sua vantagem física.
— Eu sempre lutei para mostrar a todos, para provar que eu era o cara certo, para mudar o jogo. Sempre acreditei em mim mesmo, para mostrar a todos que quem pensava diferente estava errado — afirmou.

Foi então que o jogador optou por cortar o glúten e a lactose da sua dieta, depois de perceber que ficava lento e incapaz de treinar como queria após consumir o seu café da manhã composto flocos de milho com leite.
— Comecei, aos 21, 22 anos, a pensar no meu futuro, em toda a minha carreira, e já naquela época eu sabia que se conseguisse me cuidar com a nutrição, com um estilo de vida saudável, talvez pudesse jogar mais dois, três, quatro anos no mais alto nível — afirmou o histórico atacante polonês.
Esposa de Lewandowski potencializou seu sucesso
Alinhado à sua dedicação, Lewa também revelou a importância da parceria com a sua esposa Anna, ex-atleta de karatê profissional e medalhista mundial, e atualmente nutricionista renomada. O atacante do Barcelona detalhou que a profissional foi fundamental na sua adaptação e desenvolvimento ao sugerir ajustes em sua dieta.
— Ela me ajudou muito, principalmente no início da minha carreira. Eu achava que sabia muito sobre nutrição e estilo de vida saudável. Talvez sem a ajuda dela eu não tivesse chegado ao nível em que estou — contou.
A disciplina do jogador não foca apenas na dieta, mas também nos cuidados com a saúde mental. O capitão da seleção polonesa reforçou a importância poder contar com alguém de confiança para enfrentar diferentes momentos no dia a dia. No seu caso, a parceria com Anna.

— Ela é minha primeira psicóloga: depois de um bom jogo ou de um jogo ruim, ela é a primeira pessoa com quem converso, não só sobre futebol, mas também sobre a minha mente. O que estou pensando, o que estou sentindo. É importante poder conversar com alguém assim — relatou.
Ela me conhece muito bem e pode me dizer o que posso fazer, não só em campo, mas também com meus companheiros de equipe ou treinadores. Mesmo que ela não jogue futebol, ela ainda faz parte de mim
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Lewandowski tem futuro incerto no Barcelona
Na reta final do seu contrato com o Barcelona, que se encerra no dia 30 de junho deste ano, o futuro do polonês segue em aberto. Entre os rumores de possíveis clubes interessados está, por exemplo, o Chicago Fire, dos Estados Unidos. Contudo, a equipe da MLS não é a única cotada para ser o próximo destino de Lewandowski.
Questionado sobre o seu momento na Catalunha, Lewandowski afirmou não ter “nem 50% de certeza” sobre o que quer fazer.
— Não sei [se quero ficar no Barça]. Porque tenho que sentir isso. Não me pressiono — provavelmente quando tinha 25 ou 30 anos teria sido diferente. Com a minha experiência e a minha idade, não tenho que decidir agora. Não tenho a sensação de qual caminho devo seguir. Talvez daqui a três meses seja quando terei de decidir, então será mais fácil para mim — afirmou.
Apesar da indefinição sobre o seu futuro, há, entre outras grandes razões para sua longevidade, um fator importante que pode ser o motivo da sua aparente tranquilidade: a sua adaptabilidade.

Lewandowski jogou sob o comando técnicos de diversos treinadores como Jürgen Klopp, Pep Guardiola, Carlo Ancelotti, Jupp Heynckes, Niko Kovac, Hansi Flick, Julian Nagelsmann, Xavi e agora novamente Flick.
Mesmo diante de uma gama de treinadores diferentes, com personalidades muito distintas, exigências muito diferentes e sistemas de jogo muito diferentes, o jogador conseguiu se destacar.
— Consigo me adaptar a muitas táticas diferentes. Se estivermos jogando no contra-ataque, sem problema. Consigo aprender muito e me adaptar a jogar em qualquer sistema. Sempre estive aberto a tudo e consigo aprender muito rápido. Não sou um jogador cuja habilidade mais importante era a velocidade, mas sou um jogador que tenta encontrar espaço, pensar, ser mais inteligente, e por isso, talvez a velocidade ainda não seja a coisa mais importante — confirmou.
Muitos dos meus treinadores me disseram que meu corpo é tão flexível que consigo me adaptar a tudo muito rapidamente. Se eu vejo algo, analiso um pouco, mas depois consigo fazer automaticamente. Talvez eu analise a linguagem corporal ou o movimento. Acho que isso me ajudou bastante — avaliou o polonês.



