Europa

Kompany sai em defesa de liga conjunta entre Bélgica e Países Baixos: “É uma questão de sobrevivência”

Ideia de longa data, a junção entre as ligas belga e neerlandesa vinha ganhando tração no fim de 2019 e no início de 2020, mas os planos esfriaram desde o surgimento da pandemia de Covid-19. Embora não existam, no momento, avanços concretos, uma figura importante do futebol belga saiu em defesa da chamada BeNeLiga para o futuro. Vincent Kompany vê a união dos dois campeonatos nacionais como uma “questão de sobrevivência” diante da possibilidade da criação de superligas europeias entre os principais clubes do continente.

Em entrevista à emissora belga RTBF, Kompany alertou para o desejo crescente dos gigantes do futebol europeu de se fecharem em seu seleto grupo. Para o treinador do Anderlecht, a expansão das fronteiras é uma maneira de Bélgica e Países Baixos responderem aos desenvolvimentos do esporte no continente.

“Sou totalmente favorável (à BeNeLiga), é uma questão de sobrevivência. Quanto mais rápido passarmos a isso, melhor. Em breve, os grandes clubes irão se isolar, criar campeonatos à parte, e seu mercado vai duplicar, triplicar, pelo menos, e nós permaneceremos em um pequeno mercado, com poucos recursos para progredir”, afirmou.

“Se duplicarmos o mercado ou expandirmos as fronteiras, poderemos reencontrar uma competitividade maior”, projetou Kompany.

De fato, um estudo da Deloitte divulgado em janeiro de 2020 apontou que uma potencial BeNeLiga teria potencial de gerar entre € 250 milhões e € 400 milhões com a venda dos direitos de TV – um aumento significativo em relação à avaliação atual, de € 80 milhões de cada uma das ligas nacionais separadas. Esses valores, é claro, são pré-pandemia e possivelmente teriam que passar por reavaliação em uma nova projeção.

Kompany apontou o grande talento dos jogadores de ambos os países como argumento para o sucesso da futura liga. “Em termos de infraestrutura, ainda há muito a fazer, mas em termos de jogadores, eles têm um enorme talento. Acho que poderíamos mantê-los por mais tempo se tivéssemos a capacidade de oferecer mais a nossos jogadores.”

“É possível ter fórmulas de solidariedade para o futebol belga. É verdade que os campeonatos inferiores não vivem o melhor momento, mas há uma maneira de pensar em solidariedade. Falo de vermos equipes mais competitivas na Bélgica, com nossos próprios talentos. O problema é que, independentemente do que façamos, os outros campeonatos se tornarão mais fortes”, concluiu.

No início de 2020, pela primeira vez em toda a discussão sobre a criação de uma liga conjunta, os principais clubes de Bélgica e Países Baixos se reuniram para começar a elaborar uma proposta concreta de uma BeNeLiga. Segundo afirmou o jornal francês L’Équipe à época, 11 clubes encabeçaram as discussões: Anderlecht, Brugge, Standard Liège, Gent e Genk, da Bélgica, e Ajax, PSV, Feyenoord, Vitesse, Utrecht e AZ Alkmaar, dos Países Baixos.

Desde então, não houve mais desenvolvimento significativo nos planos, mas espera-se que o projeto volte a ganhar tração uma vez superada a crise sanitária – e, claro financeira – do coronavírus.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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