Juntos pela primeira vez

Grécia e Turquia chegam juntas, pela primeira vez na história, à uma fase final de um campeonato internacional de seleções de primeira linha (Copa do Mundo ou Eurocopa). Por coincidência, ambas chegam se classificam pela terceira vez à fase final do Europeu. Mas as semelhanças param por aí.
Os gregos, que participaram das edições de 1980 e 2004, chegam confiantes à Austria, país em que disputarão a primeira fase da competição. Ao lado dos helênicos, conta o conhecimento do caminho das pedras e a impressão de que formam um time equilibrado, com bastante capacidade de marcação e velocidade no contra-ataque.
O Navio Pirata não terá um grupo fácil (o que é um clichê num campeonato tão equilibrado). Enfrentam Suécia, Espanha e Rússia no grupo D.
Pesa contra, ainda, os resultados decepcionantes nos amistosos de preparação para a competição. Uma derrota para a Hungria (3 a 2) e um empate com a Armênia (0 a 0) não são nada encorajadores para uma seleção que defende o título europeu.
Uma repetição da zebra de quatro anos atrás é o grande sonho, mas até o mais fanático torcedor grego tem consciência de que não será fácil. Inclusive, também não dá para cravar, inclusive, a passagem da primeira fase, já que Suécia, Espanha e Rússia formam um grupo equilibrado. Só que o grupo A de quatro anos atrás também era (Portugal, Espanha e Rússia) e ninguém dava nada pelos helênicos. Assim, os gregos -mais do que qualquer outro time- sabem que é difícil, mas também sabem que é possível.
Para defender o título, Otto Rehagel apostou numa formação mais experiente. Por isso, jovens revelações como Sotirios Ninis e Sokratis Papastathopoulos foram preteridas no final da preparação para defender o Navio Pirata na nova batalha que se avizinha. Também há o fator de que estes jogadores seriam mais importantes como jogadores-chave na seleção grega sub-19 no campeonato europeu deste ano do que para compor um grupo e, muito provavelmente, nem entrar em campo.
Já os turcos, que se classificaram à Euro também em 1996 e 2000, chegam à Suíça com a confiança em baixa. Os turcos enfrentam Portugal, Suíça e República Tcheca na primeira fase, pelo grupo A, e não são poucos os que imaginam que estes serão os três únicos jogos da Milli Takim na Euro.
Muito desta falta de confiança decorre de uma geração desacostumada às grandes competições, e que ficaram no quase nas desclassificações para a Euro 2004 e a Copa do Mundo de 2006. Sem contar que as apresentações no returno da classificação para a Euro também deixou muitos torcedores apreensivos com mais um fracasso. Empates contra seleções como Malta e Moldávia, além de uma vitória em casa arrancada por um erro da arbitragem contra a Hungria deixaram os torcedores encafifados com a amada Milli Takim.
Como se não bastasse, a situação fica ainda mais desconfortável no momento em que Yildiray Basturk diz que não trabalhará mais com Fatih Terim, descontente por seu corte. Certamente não é dos ambientes mais tranquilos e uniformes, como se espera de uma seleção para um torneio de tiro curto.
Terim pode dizer, em sua defesa, que apostou naqueles que ele poderia considerar em melhor forma para a esta disputa. Por isso, abriu mão de Basturk. Afinal, Hamit Altintop, outro talento do grupo, também não está 100% -acaba de se recuperar de uma fratura no pé. É uma escolha totalmente justificável, já que a Euro é um torneio em que a exigência é extrema, e é preciso começar a toda para não ser engolido pelos rivais.
Será um grande desafio para os turcos. E, para esta geração que se acostumou a negar fogo nos momentos em que mais se esperava dela, uma chance de provar que merecem um voto de confiança de seus torcedores.
Ex-decadente, novo rico tem novos problemas
O Panathinaikos, nos últimos anos, se acostumou à posição paralela à de um rico decadente. Que, depois de muitos anos de glórias e vida mansa, podendo escolher diariamente com qual carro iria trabalhar (se é que ia trabalhar), perdeu quase tudo e caiu no ostracismo. Foi isso o que aconteceu com os verdes.
Agora, depois de um bom tempo de vacas magras, o PAO parece viver a alegria de ter recebido uma herança de alguma tia viúva podre de rica. Mas, desacostumados com tanto dinheiro em mãos, cometem alguns excessos, e atraem a atenção dos que já os julgavam acabados.
Agora, os trifilis são as grandes estrelas da inter temporada. E agora atraem o interesse da mídia. Voltando ao paralelo do novo rico, agora os verdes tem atrás de si jornalistas e paparazzi, apenas interessados em suas roupas novas, seus carros novos, etc, loucos para encher os seus cadernos com informações que nem sempre podem condizer com a realidade.
O Panathinaikos, afinal, recebeu um importante aporte de novos acionistas. Tem um montante respeitável nas mãos. E, obviamente, o que não vai faltar neste momento são especulações sobre seu futuro.
A primeira grande fonte de rumores é a escolha de seu técnico. Afinal, chegou-se a dar como certa a contratação de Michael Laudrup -ex-Getafe (ESP)-, mas estranhamente nada foi confirmado pela equipe.
Agora, depois disto, nomes como Victor Fernandez (ex-Real Zaragoza-ESP) e Hank Ten Cate (ex-auxiliar do Chelsea-ING) teriam voltado a constar nos planos dos Trifilis. O holandês, inclusive, estaria em território grego nesta quinta (5/06) para acertar o contrato com a equipe.
Da mesma forma, nomes de jogadores são cotados para desembarcar em Atenas… Kostas Katsouranis (hoje no Benfica), por exemplo, seria um dos cotados para comandar o meio de campo dos verdes.
Nada foi confirmado, mas é uma amostra de como será o longo e animado o verão dos verdes em Atenas.



