Mercado: As transferências que não saíram do papel na Europa
Fim do prazo expôs mercado onde interesse não basta para transformar conversa em contrato
A janela de inverno europeia de 2025/26 chegou ao seu final carregando uma marca já conhecida: nem toda negociação que ganha manchetes vira contrato assinado. Nesta segunda-feira (2), data em que a maioria das grandes ligas do continente encerrou oficialmente o período de transferências, clubes correram contra o tempo enquanto tentavam destravar conversas, mas muitas sem sucesso.
Entre interesses concretos, sondagens avançadas e conversas que chegaram a parecer bem encaminhadas, nomes de peso acabaram simbolizando os limites — financeiros, esportivos ou políticos — do mercado de inverno.
Casos como João Gomes, Andy Robertson, Éderson, além da investida frustrada do Tottenham por Antoine Semenyo, ajudam a desenhar um cenário onde a urgência existe, mas a cautela ainda pesa. Negócios que não avançaram, apostas que não se confirmaram e decisões que dizem tanto sobre o momento dos clubes quanto sobre os reforços que não chegaram.
Confira as datas de fechamento das principais janelas de transferência do futebol europeu:
- Inglaterra (Premier League): 2 de fevereiro
- Espanha (LaLiga): 2 de fevereiro
- Alemanha (Bundesliga): 2 de fevereiro
- França (Ligue 1): 2 de fevereiro
- Itália (Serie A): 2 de fevereiro
- Holanda (Eredivisie): 2 de fevereiro
- Portugal (Primeira Liga): 3 de fevereiro
- Turquia (Süper Lig): 6 de fevereiro
- Bélgica (Jupiler Pro League): 2 de fevereiro
- Suíça (Super League): 16 de fevereiro
- Rússia (Premier Liga): 19 de fevereiro
Os negócios que não deram certo na janela de inverno europeia
João Gomes no Manchester United

O nome de João Gomes foi um dos que mais circularam nos bastidores do mercado inglês nos últimos meses. Em novembro do ano passado, o volante brasileiro de 24 anos demonstrava inclinação para trocar o Wolverhampton pelo Manchester United, em uma negociação que poderia chegar à casa dos 50 milhões de euros.
O interesse dos Red Devils foi revelado inicialmente pelo jornal português “Record” e, conforme apurado pela Trivela, as conversas entre os clubes avançaram naquele período, com expectativa real de que o negócio fosse concluído justamente nesta janela de inverno.
O cenário, no entanto, mudou à medida que janeiro avançou. Segundo o jornal britânico “Mirror”, o técnico Rob Edwards pediu à diretoria do Wolves que não negociasse seus principais jogadores até o fim da temporada, o que incluiu João Gomes.
Do lado do United, fatores internos também ajudaram a esfriar a negociação. A troca de comando técnico, com a demissão de Rúben Amorim e a chegada de Michael Carrick como interino, redesenhou o cenário do meio-campo. Kobbie Mainoo, que havia perdido espaço sob Amorim, voltou a ganhar minutos — e elogios — com Carrick, reduzindo a urgência por uma contratação imediata para o setor.
Ainda assim, veículos da imprensa inglesa destacam que João Gomes segue bem avaliado pela cúpula do clube, mantendo-se no radar para janelas futuras.
Andrew Robertson no Tottenham

A possibilidade de Andrew Robertson reforçar o Tottenham chegou a ser tratada como uma oportunidade de mercado nos últimos dias de janeiro, mas acabou descartada pelo Liverpool. De acordo com o jornal britânico “The Times”, os Reds informaram aos rivais da Premier League que não autorizariam a saída do lateral-esquerdo nas condições atuais, mesmo após conversas iniciais entre os clubes.
O interesse partiu diretamente do técnico Thomas Frank, que via no capitão da seleção escocesa um nome capaz de acrescentar liderança, experiência e competitividade imediata ao elenco londrino.
O Tottenham estava disposto a investir cerca de 5 milhões de libras na contratação do jogador de 31 anos, cujo contrato com o Liverpool se encerra ao fim da temporada. Internamente, a diretoria dos Reds chegou a analisar a proposta com atenção, considerando o longo ciclo de Robertson em Anfield desde 2017 e o retorno financeiro possível em um cenário de futuro indefinido após junho.
A equação, no entanto, não se sustentou apenas no aspecto econômico. Pesou, sobretudo, o contexto esportivo. Com a defesa afetada por uma sequência de lesões e poucas opções à disposição de Arne Slot, o Liverpool optou por manter o escocês no elenco. Robertson não pressionou por uma saída e aceitou a decisão do clube.
Semenyo no Tottenham

Antoine Semenyo também figurou entre os alvos prioritários do Tottenham na reta final da janela, mas acabou escapando do radar dos Spurs. O interesse no atacante do Bournemouth foi confirmado publicamente por Thomas Frank, que admitiu que o clube londrino tentou levá-lo ao norte de Londres antes do fechamento do negócio com o Manchester City.
— É evidente que o clube queria contratar o Semenyo. Eles fizeram de tudo. Acho que isso demonstra claramente o comprometimento da família Lewis. É uma contratação importante, considerando o investimento financeiro e tudo mais. É o tipo de jogador que buscamos para reforçar o elenco — disse Frank na ocasião.
Nos bastidores, a avaliação era de que Semenyo se encaixava perfeitamente no perfil buscado: intensidade, força física e capacidade de decidir no último terço. Apesar do esforço, o Tottenham não conseguiu competir com a ofensiva do City, que acelerou as tratativas e fechou a contratação por cerca de 65 milhões de libras.
O valor, aliado ao peso esportivo do projeto apresentado pelos atuais campeões ingleses, acabou sendo determinante para o desfecho da negociação, mesmo com o envolvimento direto da cúpula dos Spurs na tentativa de viabilizar o acordo.
A frustração do clube londrino contrasta com o impacto imediato do ganês em Manchester. Semenyo precisou de poucos jogos para justificar o investimento: são quatro gols e uma assistência em cinco partidas, início que reforça a leitura de que o Tottenham perdeu um alvo estratégico na janela.
Éderson no Atlético de Madrid

O nome de Éderson entrou no radar do Atlético de Madrid ao longo da janela de inverno, a ponto de as conversas avançarem além do estágio inicial. Conforme apurado pela Trivela, o clube espanhol abriu diálogo direto com o estafe do volante brasileiro e enxergava margem para construir um acordo. O entrave, porém, nunca esteve do lado do jogador, mas na resistência da Atalanta em liberar uma de suas principais peças no meio da temporada.
O tema ganhou contornos públicos às vésperas do confronto contra o Athletic Bilbao, pela Champions League, quando Éderson foi questionado sobre o interesse do Atlético em entrevista coletiva. Ao lado do técnico Raffaele Palladino, o volante adotou tom cauteloso, sem descartar uma transferência, mas deixando claro que o foco imediato seguia no compromisso europeu.
Internamente, a leitura é de que a saída de Éderson é mais uma questão de tempo do que de possibilidade. A Atalanta já sinalizou abertura para negociá-lo, desde que consiga mantê-lo ao menos até o fim da temporada 2025/26. Para uma liberação imediata, a pedida girou em torno de 50 milhões de euros, valor considerado alto para o Atlético.
Com contrato até meados de 2027 e risco de perda gratuita a partir do fim de 2026, a tendência é que o negócio seja retomado no meio do ano, quando o preço deve cair para a faixa de 30 a 40 milhões de euros. Manchester United e Juventus também monitoram o brasileiro.
Mateta no Milan

Jean-Philippe Mateta esteve muito perto de se tornar reforço do Milan, mas o negócio acabou abortado nas últimas horas da janela. O clube italiano e o Crystal Palace haviam alinhado os termos da transferência no fim de semana, em uma operação avaliada entre 30 e 35 milhões de euros, e o desfecho parecia encaminhado.
A negociação, contudo, travou na etapa final. O atacante francês não foi aprovado nos exames médicos realizados pelo Rossonero por conta de um problema no joelho, levando o clube a recuar nas tratativas. Mateta passou por uma nova bateria de avaliações médicas nesta segunda-feira (2), justamente no dia do fechamento da janela.
Campeão da Copa da Inglaterra 2024/25 e da Supercopa da Inglaterra 2025, o camisa 14 é um dos principais destaques do Palace e xodós da torcida. Desde que chegou ao time londrino, ele marcou 56 gols e concedeu 12 assistências.
Marcos Leonardo no Atlético de Madrid

A possível ida de Marcos Leonardo por empréstimo ao Atlético de Madrid foi mais um negócio que ficou a poucos passos de ser concretizado nesta janela. Segundo a “ESPN”, as tratativas entre os clubes estavam praticamente alinhadas, a ponto de o atacante já ser aguardado em Madri para realizar exames médicos e formalizar o vínculo com os Colchoneros.
O cenário, entretanto, mudou de forma abrupta nos momentos finais. O Al-Hilal, após ter acertado os termos iniciais com o Atlético, recuou na negociação. No desenho previsto, a cessão incluiria uma opção de compra fixada em 40 milhões de euros ao fim do empréstimo.
Com a reviravolta, Marcos Leonardo permanece no clube saudita, que o contratou junto ao Benfica na temporada 2024/25. O episódio reforça uma sequência recente de negociações frustradas envolvendo o atacante: em setembro do ano passado, ele também esteve muito perto de acertar com o São Paulo, mas viu o acordo ruir na reta final.



