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Grupo C: PSG, Anderlecht, Benfica, Olympiacos

O Paris Saint-Germain é um dos times mais ricos do mundo, mas na Europa ainda não pode sentar na janelinha. O clube voltou à Liga dos Campeões na temporada passada e fez um bom papel, mas não é cabeça de chave. O risco era cair em um grupo difícil e ter que lutar para se classificar. Na temporada passada, deu sorte de cair no grupo do Porto, um dos mais fracos cabeças de chave. Desta vez, no do Benfica. Melhor, impossível. Os encarnados tentam sair da má fase e terão a concorrência do campeão belga, Anderlecht, e do campeão grego, Olympiacos.

Paris Saint-Germain

Por Fernando Moreira

Como chegou à Liga dos Campeões: Campeão francês
Melhor campanha: Semifinais (1994/95)

O cara

Mesmo com a chegada de um concorrente de peso como Edinson Cavani, Zlatan Ibrahimovic continua como o principal protagonista do elenco repleto de estrelas do PSG. O atacante sueco foi o artilheiro da última Ligue 1 com 30 gols e o maior “garçom” da última Champions com sete assistências. A fama negativa de não brilhar em jogos do principal torneio interclubes da Europa, definitivamente, ficou para trás.

Papo de bar

O PSG se tornou um dos novos-ricos do futebol europeu e só está lá por conta do dinheiro. É um time sem alma, movido apenas pelos milhões de euros de seus donos catarianos que estão acendendo charutos com notas de cem. E todo mundo sabe que a estrela do time é o Lucas, e não esse nervosinho do Ibrahimovic, que só sabe lutar kung fu.

A realidade

O PSG tem chances reais de chegar à decisão da Champions. Com um elenco ainda mais forte do que o da última temporada, o time não economizou para reforçar seu ataque com Cavani, que já demonstrou rápido entrosamento com Ibra. A edição passada da LC serviu como aprendizado para a equipe, cujo meio-campo ainda precisa de ajustes. Após um início de temporada ruim, Lucas começa a se acertar – enfim saiu seu primeiro gol pelos parisienses. Contudo, a instabilidade do argentino Javier Pastore pode ser determinante para complicar a vida do forte setor ofensivo.

Lições do passado

Em 2012/13, o PSG foi eliminado pelo Barcelona nas quartas de final. Os dois duelos foram marcados por um grande equilíbrio e os parisienses só caíram por conta dos gols marcados fora de casa (empate por 2 a 2 no Parc des Princes e 1 a 1 no Camp Nou). Jogar de igual para igual diante de um dos rivais mais poderosos do mundo serviu como a maior lição para elevar o moral do PSG, agora ciente de sua capacidade de enfrentar os gigantes sem aquele complexo de inferioridade que tanto o afetou em participações anteriores.

Ponto forte

Ter uma dupla de ataque formada por Ibrahimovic e Cavani é privilégio para poucos times no mundo. O Paris Saint-Germain aposta demais na dupla para aterrorizar seus adversários.

Ponto fraco

Na verdade, a torcida se preocupa com dois pontos cruciais. O primeiro está na lateral direita. Tanto Jallet quanto Van der Wiel apresentam deficiências na marcação e oferecem espaços em demasia para os adversários, sobrecarregando o miolo da zaga. A criação no meio-campo também está abaixo do ideal, já que Pastore insiste em deixar seu futebol escondido em algum lugar desconhecido por todos – inclusive pelo próprio argentino.

Curiosidade

O hino do Paris Saint-Germain é baseado na letra da famosa canção Go West, do Pet Shop Boys. O refrão é: “Allez Paris-Saint-Germain /Jouez Paris-Saint-Germain!/Chantez Paris-Saint-Germain! Allez les Parisiens!”

Elenco (clique para ver)

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Anderlecht 

Como chegou à Liga dos Campeões: campeão belga
Melhor campanha: Semifinalista (1981/82, 1985/86) 

Matías Suárez, a referência de ataque do Anderlercht
Matías Suárez, a referência de ataque do Anderlercht
O cara

Matías Suárez normalmente é um jogador de armação, mas cada vez mais tem sido o responsável pode definir as jogadas. Ou seja, faz tudo. Tanto que, nos sete jogos do Anderlecht nesta temporada, o argentino marcou seis gols e deu cinco assistências. 

Papo de bar

Pouca gente no Brasil deve perder muito tempo criando conceitos profundos sobre o Anderlecht, mas alguns devem mencionar a ótima geração belga se o time aparecer bem. 

A realidade

É um time que luta com o Olympiacos por uma vaga na Liga Europa. Não é uma equipe ruim, mas falta mais estofo internacional. Há muito tempo o Anderlecht não faz uma boa campanha continental, e isso se reflete na falta de confiança e até na capacidade de se impor diante dos adversários. Para chegar às oitavas, só se o trauma da última temporada do Benfica estiver realmente insuportável. 

Lições do passado

Precisa se impor em casa. Os belgas até conseguiram resultados interessantes como empatar com o Milan na Itália e com o Málaga na Espanha, mas só fez três pontos em Bruxelas. Em 2000/01, última vez em que o Anderlecht passou da fase de grupos, venceu os três jogos em casa, incluindo um contra o Manchester United. 

Ponto forte

Talvez seja o time que jogue com menos pressão do grupo. Claro que a maior torcida da Bélgica quer ver o time se classificar, mas Olympiacos e Benfica têm mais a provar a seus seguidores. Se Suárez e Massimo Bruno estiverem inspirados na frente, podem se aproveitar desse nervosismo do adversário. No Campeonato Belga, a dupla tem funcionado: o ataque do Anderlecht já marcou 20 gols em cinco jogos.

Ponto fraco

A defesa não é das mais confiáveis, sobretudo em bolas cruzadas. Dos seis gols que o time sofreu nesta temporada, cinco foram de jogadas pelas pontas.   

Curiosidade

Quando passou pela Champions, o Sturm Graz foi notícia pelo seu estádio, cujo nome homenageia o mais ilustre filho de Graz, Arnold Schwarzenegger. Pois o distrito de Anderlecht é colado no de Berchem-Saint-Agathe, onde nasceu e cresceu Jean-Claude van Damme. Em 2012, os comerciantes de Anderlecht resolveram homenagear o ator. Mas o futebol foi poupado dessa: construíram uma estátua de Van Damme em frente a um shopping, próximo ao estádio Constant Vanden Stock. 

Elenco (clique para ver)

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Benfica

Como chegou à Liga dos Campeões: vice-campeão português
Melhor campanha: campeão (1960/61, 1961/62) 

Nemanja Matic é volante do Benfica e um dos seis sérvios do elenco
Nemanja Matic é volante do Benfica e um dos seis sérvios do elenco
O cara

Nemanja Matic não é tão badalado quanto Gaitán ou Óscar Cardozo, mas o sérvio é um bom termômetro para o resto do time. Ele equilibra o meio-campo por marcar e sair para o jogo, dando condições dos jogadores de frente decidirem.

Papo de bar

É um time que vive do passado. Hoje, contrata um monte de refugo de time brasileiro e virou freguês do Porto no Campeonato Português. 

A realidade

O time é bom, bom o suficiente para entrar como favorito ao segundo lugar na chave e até a pensar em dificultar a vida do Paris Saint-Germain. Não é tão sólido e internacionalmente confiante quanto o Porto, mas pode criar alguns problemas.

Lições do passado

O Benfica precisa lembrar que o futebol não tem cronômetro zerado, e que as partidas podem ter acréscimos. Isso evitaria alguns dissabores na temporada passada. 

Ponto forte

O trio argentino no setor de armação (Enzo Pérez, Nicolás Gaitán e Eduardo Salvio) tem talento e se movimenta bem. Falta pegada, é verdade, mas é esse ataque que pode resolver os jogos contra Olympiacos e Anderlecht para levar os encarnados às oitavas de final. 

Ponto fraco

É uma equipe emocionalmente instável, que tem vários momentos em que entra em parafuso e não consegue jogar. O ataque também não ajuda: Óscar Cardozo muitas vezes fica no banco devido a más fases, mas é ele quem muitas vezes resolve os jogos complicados. 

Curiosidade

O Benfica tem 22 jogadores estrangeiros no elenco, mas 17 deles se dividem entre três países: Brasil (6), Sérvia (6), Argentina (5). Os demais são Uruguai (2), Paraguai (1), Holanda (1) e Espanha (1, mas é brasileiro naturalizado). 

Elenco (clique para ver)

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Olympiacos 

Como chegou à Liga dos Campeões: campeão grego
Melhor campanha: Quartas de final (1998/99)

Konstantinos Mitroglou, do Olympiacos (AP Photo/Claude Paris)
Konstantinos Mitroglou, do Olympiacos (AP Photo/Claude Paris)
O cara

Konstantinos Mitroglou fez 11 gols na temporada passada. Na atual, em quatro jogos, já marcou seis. Isso equivale a metade do que o Olympiacos anotou. Está bom, né? 

Papo de bar

Com a gravidade da crise econômica grega, é óbvio que o time terá problemas de caixa. Quem é que tem dinheiro para ir ao estádio na Grécia de hoje? 

A realidade

Claro que não está jorrando dinheiro em Pireu, mas o Olympiacos é o único clube grego com um mínimo de saúde financeira. Não consegue fazer investimentos como no começo da década passada, mas tem condições de montar equipes que fazem campanhas dignas na Europa. Nas últimas duas temporadas, saiu da Champions com três vitórias e três derrotas. E em grupos chatos, com Arsenal, um alemão e um francês.

Lições do passado

Não é para desesperar. Pelo futebol mostrando nas últimas duas temporadas, o Olympiacos teria condições de chegar às oitavas de final se o sorteio fosse mais camarada. Não foi no passado, mas foi agora. E é possível superar Anderlecht e Benfica. 

Ponto forte

A dupla Mitroglou-Saviola tem funcionado e é responsável por 75% dos gols do Olympiacos neste início de temporada. A barulhenta e intimidadora torcida grega também é um fator de desequilíbrio em favor do Olympiacos. 

Ponto fraco

É um time muito renovado, com vários jogadores recém-chegados. Veja a lista: Roberto, Medjani, Bong, N’Dinga, Yatabaré, Vladimir Weiss, Leandro Salino, Campbell, Saviola, Alejandro Domínguez e Olaitan. Alguns deles chegaram para preencher o elenco, mas muitos (Roberto, Saviola, Campbell, Leandro Salino, Weiss) já são titulares. A falta de entrosamento pode causar dificuldades nas primeiras partidas.

Curiosidade

Por que é “Olympiacos” com “c” e “Panathinaikos” com “k”? Bem, sempre foi Olympiakos. Até que, no começo da década passada, a diretoria do clube quis pegar carona na onda dos Jogos Olímpicos de Atenas e deixar o nome do time mais parecido com “Olympics” para aumentar a identificação internacional. Assim, os dirigentes simplesmente pediram para a letra “κ” de “Ολυμπιακός” fosse transliterada como “c”, não como “k”. 

Elenco (clique para ver)

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Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

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