Europa

Gregos estarão de volta…

O tabu foi mantido. E a seleção grega, mais uma vez, venceu os portugueses. Desta vez a partida aconteceu em campo neutro, na cidade alemã de Dusseldorf (ALE).

Como aconteceu no encontro que abriu a Euro 2004, o resultado final foi 2 a 1. E, ainda relembrando aquela partida de 12 de junho, no estádio do Dragão (no Porto), aconteceu com os gregos abrindo dois gols de vantagem antes de permitir o tento luso.

Na partida desta quarta, os gols do Navio Pirata surgiram de duas cobranças de falta precisas de Giorgios Karagounis. O meia do Panathinaikos acertou dois chutes no ângulo de Ricardo, que pouco pôde fazer. Nuno Gomes descontou no final, mas fora tarde.

Apesar dos gols terem saído de jogadas de “bola parada”, os gregos mereceram a vitória. Não apenas pela arbitragem não ter influído no resultado, mas também porque mostraram maior volume de jogo durante a partida. Os gregos dominaram as ações em grande parte do jogo, e fizeram por merecer o resultado. Apesar dos desfalques no conjunto luso -por exemplo as estrelas do Manchester United, Cristiano Ronaldo e Nani, não puderam participar do jogo-, o resultado mostrou a força do conjunto grego, e deixou os lusos com a pulga atrás da orelha.

Com este resultado, se completam 12 anos que os gregos não são derrotados pelos lusos. A última vez foi no dia 27 de março de 1996, quando os Tugas se preparavam para a Euro que aconteceria dali a poucos meses, na Inglaterra. A partida foi disputada no estádio do Restelo, em Lisboa, e os lusos venceram pela contagem mínima, com um gol de Oceano aos 42 do 2º tempo. Desde então, são dois empates (em amistosos) e as duas vitórias na Euro 2004.

O amistoso mostrou que o Navio Pirata pode sonhar com vôos altos na Euro 2008. Mas, como aconteceu naquele verão, o time grego terá que reencontrar a magia daquele grupo, que se destacou por sua força de conjunto, sem grandes destaques individuais. Como destacou Kostas Katsouranis após a partida, “temos que ter o mesmo ambiente de 2004”.

Caso consigam, novamente, demonstrar harmonia semelhante à que conseguiram em Portugal nos gramados austríacos e suíços, serão novamente uma seleção a ser temida. E, ao que parece, Otto Rehagel está, novamente, construindo uma forma que permita, novamente, uma aparição monumental do Navio Pirata.

Evidente que não será da mesma forma que da vez passada. Afinal, naquela oportunidade, poucos eram os fanáticos que acreditavam naquele time. Assim, os gregos puderam trabalhar em silêncio, tendo a seu favor o desconhecido e a falta de pressão.

Desta vez, certamente os adversários dos gregos estarão mais atentos às armas secretas da turma de Rehagel. E, neste verão que se aproxima, os gregos terão a pressão de mostrar que o que ocorreu em Portugal não foi um acidente.

Se o resultado de 2004 vai se repetir? É muito provável que não aconteça novamente. Mas os gregos terão uma grande vantagem se estiverem unidos. Afinal, unidos eles tomaram de assalto a Europa uma vez. E nada impede que tomem novamente…

Mais um empate…

Se por um lado os rivais gregos se encontram, e mostram que poderão dar trabalho nos gramados alpinos, a Turquia segue sua preparação atribulada para a Euro. Neste meio de semana, a partida foi contra Belarus, em Minsk, e terminou empatada em dois gols.

Talvez um empate fora de casa, enfrentando condições muito difíceis -chegou a cair neve sobre a capital bielorrussa nesta quarta- não seja um resultado tão ruim. Ainda mais para um time que ainda não está pronto, e que se prepara para a Euro no meio do ano.

Porém, Belarus está longe de ser um esquadrão temível. Quarta colocada no grupo G das eliminatórias para a Euro 2008, chegou a ser derrotada em casa pela poderosa seleção de Luxemburgo durante a competição.

De toda a forma, apesar de alguns desfalques, a Turquia demonstrou mais força do que a seleção bielorrussa, e dominou as ações da partida. E Tuncay Sanli, meia do Middlesbrough (ING), foi o destaque. Mas perdeu diversas chances, e permitiu que os bálticos tomassem a frente aos 34 minutos, com um belo gol do atacante Vitali Kutuzov -que foi dirigido pelo técnico Fatih Terim quando este estava no Milan (ITA). Sanli logo empatou o jogo, três minutos depois, chutando da entrada da área.

No segundo tempo, a mesma história. O substituto de Kutuzov, o atacante Vyacheslav Hleb (irmão mais novo de Aleksander, do Arsenal-ING e que esteve em campo neste meio de semana), aproveitando um contra-ataque, fez o segundo gol. Novamente, os turcos se recuperaram rápido, e empataram novamente com Tumer Metin, aproveitando boa jogada de Sanli.

No fim, o este amistoso de preparação serviu para que Fatih Terim testasse alguns jovens jogadores, como é o caso do arqueiro Tolga Zegnin (do Trabzonspor), o zagueiro Ceyhun Gulselam (do SpVgg Unterhaching-ALE), o meia Serdar Ozkan (do Besiktas) e o atacante Mevlut Erdinç (do Sochaux-FRA).

Tanto Zegnin quanto Ozkan tem se destacado na Süper Lig, e receberam a primeira chance de começar uma partida pela seleção. O goleiro, apesar da campanha apenas regular da Tormenta do Mar Negro nesta temporada, tem sido muito elogiado por suas atuações, e o meia-direita, que recebeu as suas primeiras chances nas Kara Kartalar nesta temporada, sob a direção do técnico Ertugrul Saglam.

Gulselam e Erdinç tem uma peculiaridade. Apesar de defenderem as cores turcas, nunca jogaram por um clube otomano. Ambos são filhos de emigrantes (o defensor é alemão, o atacante, francês), que se destacaram nas categorias inferiores da seleção turca, e tiveram a sua primeira oportunidade de defender a Milli Takim nesta quarta.

Quando tudo volta ao normal…

Na última década, o Olympiacos tem impresso à divisão principal grega uma dominação impressionante. De onze temporadas, os Thrylos conquistaram dez títulos. E, ao que parece, era questão de tempo para que o décimo primeiro caneco se dirigisse para a cidade portuária de Pireu, sede do alvirrubro.

Depois da saída atribulada do Olympiacos da Champions League, que custou o cargo de técnico a Panagiotis “Takis” Lemonis, era esperado que as atenções do grupo de voltassem à Super League. E, com foco integral à competição nacional, era difícil imaginar que a situação de equilíbrio da Super League continuasse.

Por outro lado, o Panathinaikos ainda resolveu dar uma mãozinha ao seu inimigo eterno. E os Trifilis, que lideravam a competição e tinha uma tabela relativamente mais tranquila do que seus adversários, começaram a entregar o ouro. Um ponto somado em duas partidas (contra Skoda Xanthi e Iraklis, que ocupam posição intermediárias na tabela) foi o suficiente para que um campeonato que parecia bem encaminhado, apesar de equilibrado, voltasse, novamente, a ficar nas mãos do Olympiacos.

Restando quatro jogos para o final da segunda Super League, ainda temos um campeonato aberto. O Olympiacos parte como favorito mais uma vez, já que não precisa mais se desdobrar entre a liga nacional e a Champions League -e tem 61 pontos. O Panathinaikos ainda tem chances, afinal tem quatro pontos atrás do alvirrubro. E até mesmo o AEK volta a entrar na briga, já que está apenas um ponto atrás dos verdes, e tem um confronto direto contra o Olympiacos.

Os verdes enfrentam dois times abaixo da metade da tabela nas quatro últimas rodadas (OFI, em 10º, e Apollon Kallamarias, na lanterna, provavelmente já rebaixado na última rodada). Por outro lado, enfrentam Panionios (4º) e Aris (5º), que ainda alimentam esperanças de alcançar uma vaga na Copa Uefa (prêmio para o quarto posto).

Da metade de baixo da tabela, o Olympiacos enfrentará apenas o Iraklis, e na última rodada. E os Gireos (veteranos) foram os que tiraram pontos do Panathinaikos jogando em Atenas, mas não devem jogar almejando nada além de uma posição melhor no campeonato. Os outros embates são contra Larisa (8º) e Skoda Xanthi (7º), que estão um pouco acima do clube de Tessalônica.

Além disso, há o clássico envolvendo AEK e Olympiacos, no próximo domingo, em Atenas. Este confronto direto pode definir o campeonato a favor dos Thrylos. Ou, ainda, pode fazer com que o AEK, que já estava praticamente fora da briga pelo título, volte a assombrar a vida dos dois grandes -e beliscar novamente uma vaga na Champions League. É possível? Sim, já que os Enosis tem três jogos em casa, e também não tem uma tabela complicada.

Além do clássico, os auri-negros enfrentarão Ergotelis (14º), PAOK (9º -este o único fora de Atenas) e o decadente Asteras Tripolis (6º). Caso consigam uma boa seqüência final, podem conseguir uma classificação para a Champions League (2ª Eliminatória), ou até mesmo um título.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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