Europa

Geração belga ainda não se provou melhor que a de 1980

Com jogadores como Eden Hazard, Vincent Kompany e Marouane Fellaini, a seleção belga vai disputar a Copa do Mundo de 2014 cheia de expectativas. Espera-se muito da talentosa geração treinada Marc Wilmots, potencialmente a melhor do pequeno país europeu. No entanto, a maioria desses jogadores ainda não foi protagonista nos seus clubes e, coletivamente, não levaram a Bélgica a resultados excepcionais. Eles ainda têm muitos degraus a galgar para se equipararem ao time dos anos 1980.

Individualmente, apenas o zagueiro Vincent Kompany conseguiu ser um dos principais jogadores de um título importante. Foi titular 31 vezes pelo Manchester City na conquista da Premier League 2011/12 e fez três gols. Hazard venceu a Liga Europa pelo Chelsea, mas começou jogando em apenas cinco dos nove jogos e perdeu a final contra o Benfica por causa de uma contusão. Marcou uma única vez no torneio.

Alguns jogadores estão na transição para clubes grandes, como o goleiro Simon Mignolet, que trocou o Sunderland pelo Liverpool e briga pela posição de titular com Thibaut Courtois. Fellaini saiu do Everton e acompanhou David Moyes no Manchester United. Outros ainda defendem médios, como o Zenit, no caso de Alex Witsel, e o próprio Everton, que tem Kevin Mirallas e Romelu Lukaku, emprestado pelo Chelsea.

Pode haver a impressão de que os belgas dos anos 1980 não estavam tão presentes nas maiores equipes do continente, mas naquela época havia uma restrição maior para estrangeiros e, antes da implementação da Lei Bosman, era mais difícil contratar jogadores. Mesmo assim, o goleiro Jean Marie-Pfaff, o nome mais conhecido daquela geração, defendeu o Bayern de Munique de 1982 a 1988 e venceu o Campeonato Alemão três vezes. O lateral direito Eric Gerets foi jogador do Milan e capitão do PSV no único título europeu da história do clube de Eindhoven.

Outros craques daquele time tiveram sucesso no âmbito doméstico. O meia Jan Ceulemans ficou no Clube Brugge de 1978 a 1992 e foi quatro vezes campeão belga. Enzo Scifo ganhou o mesmo número de títulos nacionais pelo Anderlecht e ainda ajudou a levar o Torino à final da Copa Uefa de 1992 e à conquista da Copa Itália da temporada seguinte.

Juntos, eles conseguiram o vice-campeonato europeu de 1980 – exceto Scifo. Foram líderes do grupo que tinha Inglaterra, Itália e Espanha e perderam apenas na final para a Alemanha. Dois anos depois, na Copa do Mundo, também foram os primeiros da chave inicial, que tinha a atual campeã Argentina, e caíram na segunda fase. Em 1986, já com Scifo no time, conseguiram chegar em quarto lugar, melhor colocação da Bélgica em mundiais.

Hazard e companhia ainda não fizeram nada demais pela seleção. Classificaram-se para a Copa do Mundo pela primeira vez desde 2002, mas ficaram de fora da Eurocopa de 2012. Se pode parecer injusto comparar carreiras encerradas a histórias ainda sendo construídas, também parece prematuro considerar essa geração a melhor da história da Bélgica.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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