Europa

Garotada do Benfica ignora qualquer maldição e faz 6×0 no Salzburg para levar a Uefa Youth League

Depois de três finais perdidas, o Benfica esmerilhou o Salzburg e conquistou seu primeiro título em torneios da Uefa desde 1962

A famosa “Maldição de Béla Guttmann”, ao que parece, não contempla as categorias de base. Se o treinador afirmou que o Benfica “não conquistaria um título continental em 100 anos”, após faturar duas vezes a Copa dos Campeões com o esquadrão dos anos 1960 e ter um aumento salarial negado, os juniores finalmente colocaram os encarnados no topo da Europa após 60 anos de jejum em competições da Uefa. Nesta segunda-feira, o Benfica conquistou a Uefa Youth League, uma competição equivalente à Champions na base – na qual já tinham perdido três finais entre 2014 e 2020. Seria uma atuação avassaladora dos benfiquistas na decisão: a equipe goleou o Red Bull Salzburg por assustadores 6 a 0, em duelo realizado na cidade suíça de Nyon.

O Benfica fez uma campanha fantástica desde a fase de grupos da Youth League. Os encarnados lideraram o Grupo E com 15 pontos, em chave na qual também passou o Dynamo Kiev, enquanto Barcelona e Bayern de Munique ficaram pelo caminho. Alemães e espanhóis chegaram a ser goleados por 4 a 0 pelos portugueses. A partir dos mata-matas, a competição foi realizada em jogos únicos. O Benfica ganhou do Midtjylland nas oitavas por 3 a 2, antes de amassar o rival Sporting por 4 a 0 nas quartas. Já na semifinal, o triunfo sobre a Juventus veio apenas nos pênaltis, após o empate por 2 a 2.

O Red Bull Salzburg era um adversário que demandava respeito na decisão, especialmente depois de enfiar 5 a 0 no Atlético de Madrid na semifinal. Além do mais, os austríacos (então dirigidos por Marco Rose) tinham sido carrascos do Benfica em uma das decisões anteriores perdidas na competição, em 2017 – mesmo com um timaço que reunia Rúben Dias, João Félix e Diogo Gonçalves. Antes disso, os encarnados já tinham amargado outro vice em 2014, contra o Barcelona, em geração estrelada por Gonçalo Guedes. Já a derrota mais recente ocorreu em 2020, contra o Real Madrid, com Gonçalo Ramos e Morato entre os titulares. Desta vez, enfim, a história seria diferente.

A demolição promovida pelo Benfica começou aos dois minutos, com Martim Neto. Aos 15, Henrique Araújo ampliou e iniciou seu show. Cher Ndour fez o terceiro aos oito do segundo tempo e Araújo balançou as redes de novo aos 12 – este, o mais bonito tento do duelo, com um drible desconcertante no goleiro. Já aos 24, Luís Semedo encheu a mão para mostrar o placar. Isso até que o sexto, num pênalti aos 44, completasse a tripleta de Araújo. Uma noite de gala da garotada encarnada.

Henrique Araújo se destacou na decisão como um “reforço” de última hora. O centroavante já chegou a atuar pelo time principal e até marcou gol nessa edição do Campeonato Português. Normalmente ele integra o Benfica B e está entre os artilheiros da segunda divisão local, com 13 gols. Ainda dentro da idade limite para a Youth League, aos 20 anos, apresentou suas credenciais. É nome para ver logo em níveis superiores, o que não deve demorar, ainda mais tendo Jorge Mendes como seu empresário.

O Benfica é o segundo time português a conquistar a Uefa Youth League, igualando o feito do Porto em 2019. Apenas a Espanha possui mais taças, com duas do Barcelona e uma do Real Madrid. A Inglaterra também teve dois títulos, ambos com o Chelsea, enquanto o Red Bull Salzburg completa a lista de campeões como único representante da Áustria. É ficar de olho agora no que esses jovens benfiquistas podem render. Se justificadamente o Estádio da Luz é reconhecido como um dos maiores criadouros de talentos da Europa, tal conquista referenda a geração e ainda oferece uma bela vitrine pela imposição incontestável.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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