Europa

Futebol é paralisado na Grécia após suspeita de incêndio criminoso na casa do chefe de arbitragem

A violência não é um fenômeno endêmico no futebol. Entretanto, em alguns países, ela extrapola qualquer limite. E a Grécia chegou ao ápice do medo nesta semana. A federação local decidiu paralisar todas as competições sob sua administração depois que a casa do chefe de arbitragem do país, Giorgos Bikas, foi incendiada. Há suspeitas de que o ato tenha sido criminoso, já que outro membro do comitê de arbitragem foi ameaçado por dois homens na porta de sua casa durante a última semana.

Nenhuma pessoa ficou ferida pelo incêndio, já que o imóvel estava vazio. Os danos, porém, foram grandes. A federação ainda aguarda a conclusão das investigações realizadas pelo corpo de bombeiros para tomar medidas mais incisivas. De qualquer maneira, o para garantir a segurança geral, optou por suspender o futebol no país. O incidente da semana anterior já havia levado à renúncia de três membros do comitê de arbitragem.

Os principais clubes gregos se manifestaram favoravelmente pela suspensão. “Não devemos nos render a essa máfia. Precisamos formar uma frente forte e unida contra esses criminosos. É chocante que o crime organizado no futebol não apenas segue em frente, como agora coloca vidas em risco”, declarou o PAOK, no posicionamento mais agressivo entre os grandes do país.

O futebol grego vem passando por diversas turbulências nos últimos anos, o que também dificulta na hora de apontar os responsáveis pelo crime. Desde 2014, o governo já suspendeu a liga duas vezes por causa da violência nas arquibancadas. Em 2015, estourou um esquema de manipulação de resultados, que levou ao banimento de dirigentes e árbitros. A atual temporada teve seu início adiado em duas semanas pelo ministro dos esportes, sob alegada falta de segurança nos estádios. Já o imbróglio mais recente aconteceu em outubro, com a formação de um comitê especial nomeado pela Fifa para gerir a federação, após disputas entre dirigentes e o governo. A situação é intrincada. E chega ao ponto inconcebível de colocar vidas em risco.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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