Champions LeagueEuropa

[Exclusivo] Esporte Interativo: “Champions só no EI. Não haverá jogos no Space ou na TNT”

O torcedor já teve um aperitivo do que esperar nos próximos três anos. As fases preliminares da Champions League serviram para apresentar ao público do campeonato uma transmissão diferente da que ele estava acostumado. O Esporte Interativo também informa, mas, ao contrário dos canais ESPN, mais sóbrios, aposta na emoção para arrepiar quem estiver no outro lado da televisão. Isso ficará mais claro do que nunca a partir desta semana.

LEIA MAIS: Como assistir à Champions League na TV brasileira nesta temporada

O Esporte Interativo precisou se estruturar para uma cobertura sem precedentes para o canal. Durante a fase de grupos, haverá oito equipes fazendo os jogos, uma com um canal extra de lances ao vivo e outra em standby para dar suporte ao narrador e ao comentarista que estão na Europa. A presença constante no continente para jogos e clubes é um dos trunfos do diretor de conteúdo Fabio Medeiros, o responsável por orquestrar as transmissões.

Ele precisa lidar com dois problemas. O primeiro é a concorrência da Rede Globo, que têm os direitos de transmissão para a TV aberta dos dois dias de jogos em sete das 14 semanas (nas outras sete, precisa escolher terça ou quarta-feira). Muitos jogos menos importantes passam apenas na Bandeirantes e todos que ela tiver direito serão transmitidos por streaming no Globo Esporte. O segundo é a negociação ainda difícil para entrar na NET e na Sky, as duas operadoras de TV a cabo que controlam 70% do mercado.

GUIA: Sinta a atmosfera da Champions: os vídeos das 32 torcidas que lotarão os estádios

A solução encontrada para os dois é a mesma: tentar fazer uma cobertura tão boa que as pessoas prefiram o Esporte Interativo à concorrência e que faça as operadoras perceberem que precisam ter o canal na sua grade de alguma maneira. Porque não haverá alternativa. Depois que o EI foi comprado pela gigante americana Turner, especulou-se que uma possibilidade seria passar as partidas em canais da empresa, como o Space ou a TNT. “De forma alguma. Isso não vai acontecer. Os jogos vão ser passados no Esporte Interativo”, afirma Medeiros.

Acompanhe nossa entrevista com o diretor de conteúdo do agora canal oficial da Champions League na televisão fechada brasileira:

Como que foi a estruturação do canal para lidar com a demanda de transmitir oito partidas ao mesmo tempo durante a fase de grupos?

Foi enorme, passando pela parte técnica e operacional, de equipamentos. São mais do que oito jogos. Ainda fazemos o canal de lances ao vivo. São nove transmissões simultâneas, e temos gente de standby. Teve que investir bastante em recepção, filme, uma porrada de coisas. Fora essa parte técnica, teve um investimento em pessoal.

Quanto a equipe cresceu?

Estamos fazendo toda uma mudança no Esporte Interativo, não apenas transmissão. Agora, todo dia de manhã, temos um programa em que entramos ao vivo de Portugal, de Londres, da França. Com toda essa estrutura de investimento para a cobertura da Liga dos Campeões, foram 75 pessoas: produtor, repórter lá fora, produtor lá fora, coordenador de programa aqui no Brasil, apresentador de programa, comentaristas e narradores.

Todas as transmissões serão feitas no Rio ou algumas serão realizadas aqui em São Paulo?

Tudo no Rio. O que for feito no Brasil, será no Rio. A partir do ano que vem, vamos ter um estúdio em São Paulo também. Podemos produzir coisas em São Paulo, mas as transmissões de Champions, até para centralizar, vamos fazer tudo do Rio.

Quantas transmissões vocês planejam fazer direto da Europa?

Vamos ter repórter em todos os principais jogos de todas as rodadas. Com narrador e comentarista, não temos número fechado, mas vamos fazer os principais jogos de lá, certamente as fases finais. Fizemos questão de ir à estreia, apesar de Real Madrid e Shakhtar Donetsk não ser um grande clássico. No dia seguinte, fazemos Roma e Barcelona. A ideia não é só ir e fazer o jogo. Estamos há uma semana lá, nós fazemos todos os programas do André Henning de lá, fizemos um ao vivo com o Casemiro do CT do Real. A ideia é fazer quase uma semana de programação da Europa. Mandamos oito pessoas só para fazer os programas e a cobertura diária.

Mesmo com o Esporte Interativo tendo exclusividade no canal fechado, alguns jogos passarão na TV aberta e também pela internet, no Globo Esporte. O que vai diferenciar a transmissão do Esporte Interativo?

A liga tem 145 jogos, e 121 são exclusivos do Esporte Interativo. É uma pequena minoria de jogos que não são exclusivos. O que passa no Globo Esporte é o mesmo que passa na Band. Ainda assim, nos jogos em que estivermos fazendo juntos, o que diferencia, primeiro, é o fato de estarmos fazendo uma cobertura muito grande, muito maior que a dos outros, com equipe in loco em todos os lugares. Já estamos com nove repórteres na Europa e vamos aumentar. Essa semana, já começa mais uma pessoa em Madri, mais uma na Itália, mais uma na Alemanha, que já estão meio certos. Temos uma cobertura muito mais próxima.

Estamos tentando tratar a Liga dos Campeões, os clubes e os jogadores com a mesma proximidade que a mídia costuma tratar o futebol brasileiro. Alguns mais jovens torcem pelo Real Madrid tanto quanto torcem pelo Flamengo ou pelo Corinthians. Tratam a rivalidade da mesma maneira, têm curiosidade sobre o treino, o dia a dia, como acontece com os clubes daqui. Esse vai ser um dos nossos diferenciais. Por isso, temos que estar lá todos os dias. Já mudou completamente o jeito como éramos tratados no Real Madrid do ano passado para agora. Eles já conhecem nosso repórter.

A gente acredita também em tratar a Liga dos Campeões campões com mais emoção. Queremos fazer o cara se sentir dentro do estádio. Isso é uma coisa que vamos vemos cada vez mais. Uns dez anos atrás, tratavam a Liga como um negócio legal, mas um pouco blasé, como se fosse uma obra de arte.

A linha editorial das transmissões será a mesma das outras, com o foco na emoção e um tom mais descontraído?

Sempre pensamos em um tom um pouco mais descontraído, com emoção, e o que diferencia mais este ano é essa proximidade que queremos ter, com conteúdo, jogadores, os times. Isso ajuda na emoção. Na hora que a gente traz a história do jogador, dos personagens, isso aumenta a afinidade dos torcedores com aqueles clubes. Quando você conhece mais a história, vai se aproximando e fazendo com que a sua emoção fique maior.

Os nossos leitores às vezes reclamam que os narradores e comentaristas gritam demais durante a transmissão. O que acha disso?

Ouvimos todo tipo de crítica positiva e negativa. No entanto, o que acreditamos é que, quando o esporte é visto com emoção e intensidade, ele precisa desse tipo de acompanhamento e narração nos jogos também. Tem gente que prefere uma narração mais serena, com mais parcimônia, mas por isso tudo que eu falei, cada vez mais a Liga está no sangue, na paixão do torcedor. Isso é necessário. É um perfil também do torcedor que está mais engajado, está sentindo mais a emoção. Mas é claro que não é possível agradar todo mundo. Assim como tem muita gente que elogia, que diz ficar arrepiado e não consegue ver em outro canal. Entre críticas positivas e negativas, avaliamos que (a maioria das críticas) é positiva. Respeito todas as opiniões.

O diretor de conteúdo Fabio Medeiros
O diretor de conteúdo Fabio Medeiros

Eles também querem saber quando vão poder assistir aos jogos da Champions League nas suas operadoras. Há algum avanço nesse sentido?

Não é a área que eu cuido, mas todo mundo que está acompanhando entende mais ou menos por que isso ainda não aconteceu. Tenho certeza que as operadoras vão atender ao apelo dos fãs, (entender) a importância que esse produto tem para os seus assinantes, e o que elas vão perder se não oferecerem isso. Eu falo para a equipe que temos que fazer nosso trabalho. Tenho certeza que, se entregarmos a melhor cobertura que a Liga já teve, só vai ajudar a desenrolar esse imbróglio. Tenho convicção de que isso vai se resolver.

Enquanto isso não acontece, existe a previsão de passar alguns jogos em canais como a TNT ou o Space?

Não. De forma alguma. Isso não vai acontecer. Os jogos vão ser passados no Esporte Interativo. Temos canais extras, que passam outros jogos, que estão no EI Plus, e eventualmente podem estar em outras operadoras no futuro.

Como vocês esperam que a exclusividade da Liga dos Campeões ajude a fortalecer o canal?

É muito raro haver exclusividade de direitos hoje em dia. Outros campeonatos da televisão brasileira são divididos entre as emissoras. Exclusividade ajuda a fortalecer como marketing, como auto-estima. O handebol já foi um salto enorme para nós, pelo reconhecimento, pelas pessoas buscarem o Esporte Interativo e assinarem o EI Plus. Se você considerar o “boom” que foi com o handebol, o barulho será muito grande com o potencial que tem a Liga dos Campeões, com jogos exclusivos, mesmo um jogo como Real Madrid e Shakhtar Donetsk. O impacto será muito, muito grande. A qualidade que o campeonato tem e o apelo dele são enormes. Se não tiver o Flamengo na operadora do cara, ele vai dar um jeito de assistir, mas não vai ficar sem assistir.

Um outro passo seria passar a transmitir outros regionais, Copa do Brasil?? Há esse interesse?

Se você me falar qualquer campeonato que seja bom, se eu não tiver interesse, eu estou maluco. No nível que chegamos, não podemos mais nos permitir que qualquer campeonato de bom nível seja negociado sem fazermos parte disso. Se houver a possibilidade de negociar, se as negociações forem abertas, vamos tentar fazer o que for possível. Teve essa notícia da Rio-Sul-Minas. Claro que temos interesse de conversar. Assim como tivemos com a Copa do Nordeste, com a Copa Verde, com os estaduais do Nordeste.

O que você consideraria um sucesso nessa primeira temporada de transmissão da Champions League?

Seria uma satisfação muito grande se levássemos essa Liga dos Campeões para todo mundo que tem TV paga. Seria uma satisfação enorme quebrar essa barreira. Queremos ao máximo levar a liga para mais gente, esse é o objetivo do nosso trabalho. Nossa missão é transformar as pessoas através da emoção do esporte. Isso é o que mais move a gente, mais que o salário, mais que qualquer coisa. Se conseguirmos, ao longo do campeonato, passar nosso jeito de fazer a transmissão para muito mais gente, seria uma emoção enorme.

Paralelo a isso, para o fã da Liga dos Campeões que estiver nos assistindo, queremos que esse cara goste da cobertura que estamos fazendo. Esse reconhecimento é muitíssimo importante e é o que mais vale o investimento que a gente fez. Se isso for para mais gente, a satisfação é maior. Mas o que eu falo é que mesmo se tivesse uma pessoa só (assistindo), se conseguirmos mudar a vida de uma pessoa fazendo aquilo, já teria valido a pena.

Mostrar mais

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo