Eurocopa

Zinchenko mais uma vez mostrou pela seleção ucraniana o protagonismo que (ainda) não tem no Manchester City

Como ala esquerdo, o meia marcou um gol e deu uma assistência na classificação da Ucrânia

Talento excepcional, segundo seu técnico Pep Guardiola, e um coringa do atual campeão inglês, Oleksandr Zinchenko passa a maioria dos meses da temporada sendo coadjuvante. Exceto quando está com a seleção ucraniana. Nesse caso, o capitão mais jovem do seu país é protagonista, como mostrou mais uma vez nesta terça-feira, com um gol e uma assistência na vitória da Ucrânia sobre a Suécia nas oitavas de final da Euro 2020.

Zinchenko, ainda adolescente, foi levado pela mãe à Rússia para fugir da guerra na região de Donbas na Ucrânia. Do Ufa, chegou ao Manchester City em 2016, por um valor mais simbólico. Ele passou uma temporada emprestado ao PSV, da Holanda. Ainda era somente um meio-campista. De volta ao City, quebrou o galho de lateral esquerdo na temporada dos 100 pontos na Premier League.

Ficou como reserva na posição, que já foi ocupada por Fabian Delph, improvisado, ou Benjamin Mendy, tantas vezes machucado, e mais recentemente por João Cancelo, lateral direito deslocado. Quando precisa, porém, Guardiola sabe que pode recorrer a Zinchenko, como no jogo de ida das semifinais da Champions League contra o Paris Saint-Germain. Fechou o lado esquerdo e ganhou a posição de titular para volta e para a decisão contra o Chelsea.

Se não consegue espaço no meio-campo, a qualidade de Zinchenko é um luxo para a vaga de lateral esquerdo reserva – ainda mais em um sistema como o do City em que muitas vezes o lateral centraliza para ajudar a armar o jogo. A última temporada foi a que mais entrou em campo pela Premier League: apenas 20 jogos, em 1.474 minutos. Guardiola disse que ele poderia ter saído do City nesta temporada, mas decidiu ficar, e isso “significa muito” para o treinador, que ainda não parece disposto a torná-lo uma parte mais importante da equipe.

Como ele é na seleção ucraniana, por exemplo. Seu primeiro jogo foi em 2015, quando ainda era jogador do Ufa. Desde então, está quase sempre presente, exceto quando defendeu a seleção sub-21 ou sofreu alguma pequena lesão. Já soma 43 partidas pela Ucrânia, a maioria como meia central ou meia-atacante. A ironia é que sua contribuição mais importante à seleção tenha vindo em uma posição mais parecida com a que ocupa em seu clube.

Shevchenko usou o 4-3-3 nas três partidas da fase de grupos da Eurocopa, com Zinchenko no meio e Mykolenko na lateral esquerda. Mas mudou para enfrentar a Suécia. Kryvtsov entrou na zaga, e Zinchenko foi deslocado à ala esquerda. Por ali, entrou na área para completar o passe bonito de Yarmolenko e marcar o primeiro gol e, no minuto final da prorrogação, deu o centro perfeito para Artem Dovbyk garantir a classificação da Ucrânia.

A ver como será utilizado nas quartas de final contra a Inglaterra, a qual conhece tão bem, e que também usou um esquema com três zagueiros e ala nas oitavas de final. Mas seja no meio-campo ou na ala, o certo é que boa parte da sorte da Ucrânia terá que passar pelos seus pés.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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