Eurocopa

Uma França tantas vezes letárgica foi acelerada pelo arsenal de passes de Pogba

O meia do Manchester United cortou a defesa de Portugal mais de uma vez com passes longos, rasteiros, altos e precisos

A França é a atual campeã do mundo e favorita à conquista da Eurocopa porque tem uma quantidade enorme de jogadores de primeira linha. Não é pelas atuações coletivas de um time que tantas vezes parece lento, devagar, sonolento ou letárgico. E quem tem, não apenas nesta quarta-feira como em toda a competição, acelerado o jogo francês é Paul Pogba, com um amplo arsenal de passes e chutes de fora da área.

A França, como outras equipes desta Eurocopa, é mais forte quando ataca em transição. Diante de defesas fechadas, sofre mais. O seu favoritismo se baseia em ter uma defesa muito forte e jogadores do meio para a frente que conseguem abrir espaços sozinhos. Mbappé com arrancadas e dribles curtos, Benzema com movimentação, Griezmann com finalização apurada e bola parada letal. E Pogba.

Nem sempre é fácil lembrar o quanto Pogba é bom de bola, embora a sua qualidade seja visível. Mas por que não aparece todas as semanas? Esse é o enigma. Pelo Manchester United, oscila bastante de intensidade e de desempenho, em um meio-campo que às vezes não sabe exatamente como utilizá-lo. Costuma, porém, ser mais regular na França.

Havia feito bons jogos nas rodadas anteriores. Contra a Alemanha e também diante da Hungria, quando foi um dos que mais tentou resolver o impasse que se apresentava. Ele é uma outra arma da França, com chutes de fora da área e criatividade para encontrar túneis de passe em todo o gramado. E nesta quarta-feira, ele realmente transitou por todo o gramado.

Nas duas rodadas iniciais, com Adrien Rabiot pela esquerda do meio-campo, Pogba atuou mais pela direita. Contra Portugal, foi Tolisso, novidade na vaga do meia da Juventus, quem atuou por aquele setor, e Pogba ficou solto para participar livremente da partida, como mostra o seu mapa de toques na bola abaixo. Com 104 (mais ou menos 30 a mais do que nas partidas anteriores), foi o jogador mais ativo da França. Também foi o que mais passou a bola (99, de 52 nos outros dois jogos).

Nessa nova configuração, foi principal polo de criatividade da França. Logo aos 16 minutos, dominou antes do meio-campo e cortou todo o time de Portugal com um passe rasteiro para deixar Mbappé na cara do gol. Mais para o fim da primeira etapa, passou por elevação ao atacante do Paris Saint-Germain que sofreu o “pênalti” com muitas aspas de Nelson Semedo na entrada da área.

E logo no começo do segundo tempo, passou por fora da defesa de Portugal para deixar Benzema em ótima situação para marcar o segundo gol da França. Por pouco não fechou sua atuação com chave de ouro quando soltou um petardo de fora da área que exigiu uma linda defesa de Rui Patrício.

É até assustador notar que Pogba já tem 28 anos porque fica a sensação que desperdiçou muito tempo. Espera-se que seja mais este jogador participativo e diferente que, infelizmente para o torcedor do Manchester United, aparece mais pela seleção que pelo clube.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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