Eurocopa 2024

Uma França tantas vezes letárgica foi acelerada pelo arsenal de passes de Pogba

O meia do Manchester United cortou a defesa de Portugal mais de uma vez com passes longos, rasteiros, altos e precisos

A França é a atual campeã do mundo e favorita à conquista da Eurocopa porque tem uma quantidade enorme de jogadores de primeira linha. Não é pelas atuações coletivas de um time que tantas vezes parece lento, devagar, sonolento ou letárgico. E quem tem, não apenas nesta quarta-feira como em toda a competição, acelerado o jogo francês é Paul Pogba, com um amplo arsenal de passes e chutes de fora da área.

A França, como outras equipes desta Eurocopa, é mais forte quando ataca em transição. Diante de defesas fechadas, sofre mais. O seu favoritismo se baseia em ter uma defesa muito forte e jogadores do meio para a frente que conseguem abrir espaços sozinhos. Mbappé com arrancadas e dribles curtos, Benzema com movimentação, Griezmann com finalização apurada e bola parada letal. E Pogba.

Nem sempre é fácil lembrar o quanto Pogba é bom de bola, embora a sua qualidade seja visível. Mas por que não aparece todas as semanas? Esse é o enigma. Pelo Manchester United, oscila bastante de intensidade e de desempenho, em um meio-campo que às vezes não sabe exatamente como utilizá-lo. Costuma, porém, ser mais regular na França.

Havia feito bons jogos nas rodadas anteriores. Contra a Alemanha e também diante da Hungria, quando foi um dos que mais tentou resolver o impasse que se apresentava. Ele é uma outra arma da França, com chutes de fora da área e criatividade para encontrar túneis de passe em todo o gramado. E nesta quarta-feira, ele realmente transitou por todo o gramado.

Nas duas rodadas iniciais, com Adrien Rabiot pela esquerda do meio-campo, Pogba atuou mais pela direita. Contra Portugal, foi Tolisso, novidade na vaga do meia da Juventus, quem atuou por aquele setor, e Pogba ficou solto para participar livremente da partida, como mostra o seu mapa de toques na bola abaixo. Com 104 (mais ou menos 30 a mais do que nas partidas anteriores), foi o jogador mais ativo da França. Também foi o que mais passou a bola (99, de 52 nos outros dois jogos).

Nessa nova configuração, foi principal polo de criatividade da França. Logo aos 16 minutos, dominou antes do meio-campo e cortou todo o time de Portugal com um passe rasteiro para deixar Mbappé na cara do gol. Mais para o fim da primeira etapa, passou por elevação ao atacante do Paris Saint-Germain que sofreu o “pênalti” com muitas aspas de Nelson Semedo na entrada da área.

E logo no começo do segundo tempo, passou por fora da defesa de Portugal para deixar Benzema em ótima situação para marcar o segundo gol da França. Por pouco não fechou sua atuação com chave de ouro quando soltou um petardo de fora da área que exigiu uma linda defesa de Rui Patrício.

É até assustador notar que Pogba já tem 28 anos porque fica a sensação que desperdiçou muito tempo. Espera-se que seja mais este jogador participativo e diferente que, infelizmente para o torcedor do Manchester United, aparece mais pela seleção que pelo clube.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo