Eurocopa

Um jogaço para a memória da Euro: Alemanha apresenta seu melhor e vence por 4×2, mas Portugal luta até o fim

Portugal abriu o placar e nunca entregou os pontos, mas a superioridade da Alemanha permitiu a imposição no placar

A Allianz Arena recebeu o melhor jogo da Euro 2020 até o momento. Alemanha e Portugal cumpriram as expectativas com uma partidaça em Munique, digna da grandeza das duas equipes. A Mannschaft, enfim, apresentou seu melhor futebol ofensivo. A ideia proposta por Joachim Löw funcionou e a pressão massiva exercida durante os 60 minutos iniciais rendeu quatro gols. Mas isso não significa que o duelo seria fácil aos anfitriões. A Seleção das Quinas abriu o placar e ainda acreditou numa reviravolta até o fim, depois de descontar no segundo tempo. Entretanto, com a defesa lusitana amassada, o abafa alemão teve mais eficiência e se impôs no placar, garantindo a vitória por 4 a 2. O resultado apresenta as credenciais da Alemanha nesta Eurocopa, enquanto Portugal chega à última rodada sem tanta margem de erro para encarar a França.

As formações

Alemanha e Portugal repetiram as formações da estreia, apesar das críticas. Joachim Löw mais uma vez confiava no 3-4-3, com o meio-campo formado por Joshua Kimmich, Ilkay Gündogan, Toni Kroos e Robin Gosens. Já na frente, tinha o tridente com Serge Gnabry, Thomas Müller e Kai Havertz. Fernando Santos também não alterou nada na Seleção das Quinas. Danilo Pereira, William Carvalho e Bruno Fernandes fechavam pelo meio. Bernardo Silva e Diogo Jota abriam pelas pontas. Mais à frente, Cristiano Ronaldo comandava o ataque.

A Alemanha martela

Apesar da formação igual, a Alemanha vinha com uma postura distinta. Os dois alas avançavam muito, como se fossem pontas. Enquanto isso, Matthias Ginter fechava mais pela direita, para não deixar as costas de Kimmich tão expostas na recomposição. E os primeiros 15 minutos veriam um bombardeio da Mannschaft, com a marcação alta ajudando na recuperação rápida no campo de ataque. Aos cinco minutos, a equipe da casa viu um gol ser anulado. Ginter cruzou e Gosens completou às redes com pouco ângulo, mas Gnabry estava impedido na tentativa de desviar a bola e o impedimento foi flagrado. O volume de jogo dos alemães era imenso e a equipe se movimentava muito. Havertz chegou a testar Rui Patrício de longe e Gnabry não aproveitou o rebote, enquanto Kroos ainda veria um chute bloqueado na área. Era uma outra equipe em relação à estreia.

Mas Portugal abre o placar

Portugal precisou de uma chance para sair em vantagem na Allianz Arena. E o lance surgiu numa cobrança de escanteio para o Nationalelf. Cristiano Ronaldo afastou o perigo na área e a sobra ficou com Bernardo Silva na direita, para que o meia armasse o contra-ataque desde a intermediária defensiva. O jogador do Manchester City avançou e deu uma fatiada linda na bola, botando no peito de Diogo Jota na entrada da área. O atleta do Liverpool dominou e teve uma enorme frieza diante de Manuel Neuer, ao rolar para o meio da pequena área. Cristiano Ronaldo já estava lá para concluir, apenas escorando à meta vazia. Destaque à precisão dos lusitanos em cada ação da jogada, mas também deméritos dos alemães, com muitas dificuldades na recomposição, sem acompanhar os adversários.

A Alemanha sente o gol

A partida cairia um pouco de ritmo na sequência. A Alemanha mantinha a posse de bola, mas com a defesa de Portugal se compactando e diminuindo os espaços. As jogadas quase sempre passavam pela direita, embora Gosens fosse muito mais aproveitado que na estreia. Já Portugal confiava nos contragolpes. Cristiano Ronaldo demonstrou uma classe imensa ao chapelar Antonio Rüdiger e ainda tocar de calcanhar na sequência, virando o rosto. Uma cobrança de escanteio dos lusitanos ainda criou perigo, com um desvio fechado de Rúben Dias passando para fora. Ainda que o volume fosse todo da Mannschaft, a Seleção das Quinas parecia capaz de ampliar graças à qualidade individual de suas peças.

Um gol contra empata

A parada para hidratação permitiu que a Alemanha voltasse a imprimir uma pressão um pouco maior na sequência do primeiro tempo. O jogo se definia num ataque contra defesa, com Portugal buscando os contragolpes. Até houve um lance de perigo com Diogo Jota, mas Rüdiger fez o corte na hora exata. E logo depois sairia o gol de empate, aos 35. A jogada tão tentada pelo Nationalelf funcionou. Kimmich inverteu na direita, para Gosens cruzar de primeira na esquerda, num belo tapa. Quando Havertz chegava para finalizar, Rúben Dias se antecipou e mandou contra as próprias redes.

E um gol contra vira à Alemanha

O gol voltou a aumentar a confiança da Alemanha. A virada não demorou, aos 39. Rüdiger abriu pelo lado esquerdo com Gosens, que entregou para Thomas Müller com enorme espaço dentro da área. O atacante tentou duas vezes, mas conseguiu dar um passe por elevação. A defesa parou e Havertz triscou na bola, na saída de Rui Patrício. A sobra ficou com Kimmich na linha de fundo e o ala bateu forte rumo à pequena área. Gnabry aparecia para tentar completar, mas a bola tocou em Raphaël Guerreiro e morreu nas redes. Apesar das duas infelicidades dos lusitanos, não dava para dizer que os alemães tiveram apenas sorte, pela maneira como pressionaram para forçar os erros e concretizar a virada.

Alemanha ainda queria mais

O fim do primeiro tempo ainda parecia pender mais à Alemanha. Gosens apareceu mais uma vez pela esquerda e chutou firme, para Rui Patrício espalmar. Quando Kimmich tentou aproveitar o rebote, William Carvalho travou. Portugal tentou sair um pouco mais e em algumas bolas os alemães pareciam um pouco expostos, mas conseguiram se safar. Em compensação, sobravam espaços agora aos contragolpes da Mannschaft. Já nos acréscimos, Gnabry entortou a marcação e chutou para mais uma intervenção de Rui Patrício, sem que a jogada tivesse continuidade na sobra. Acabaria aí o melhor primeiro tempo dessa Euro 2020.

O terceiro deixa o jogo de vez nas mãos da Alemanha

Portugal voltou com Renato Sanches para o segundo tempo, no lugar de Bernardo Silva. Os lusitanos iniciaram a etapa complementar com mais iniciativa, enquanto a Alemanha preferia recuar e reduzir os espaços às suas costas. Mas nem demorou muito para que o terceiro gol saísse, aos seis minutos. Foi uma excelente troca de passes, envolvendo a defesa portuguesa. Thomas Müller conduziu o lance da direita para a esquerda, encontrando de novo Gosens livre. O ala pegou na linha de fundo e bateu rasteiro, para que Havertz completasse de primeira na pequena área.

Portugal não se acerta

Portugal até adiantava um pouco mais a marcação, mas o gol ajudava demais a Alemanha. Quando o time de Joachim Löw recuperava a bola, podia trabalhar com calma e controlar o tempo. Além disso, se houvesse um pouco mais de espaço, até dava para apostar na velocidade dos jogadores de ataque. Gosens e Hummels fariam desarmes cirúrgicos em boas chegadas da Seleção das Quinas antes dos 15, mas a verdade é que o repertório dos portugueses parecia limitado. Rafa Silva até entrou no lugar de William Carvalho aos 13, mas era tarde. Pior, Fernando Santos não corrigiria o rombo nos lados de campo e sofreria mais uma vez com isso.

Gosens merecia o quarto e saiu ovacionado

O quarto gol da Alemanha sairia aos 15, numa troca de passes muito tranquila. Müller teria importância ao evitar que a bola escapasse e Havertz abriu com Kimmich na direita. Um dos melhores passadores do mundo cruzaria com perfeição e, no segundo pau, Gosens apareceu para cumprimentar. Pelo bolão, o ala da Atalanta merecia seu tento. Logo depois do gol, Löw preferiu poupar forças. E a saída de Gosens rendeu aplausos calorosos da torcida em Munique, substituído por Marcel Halstenberg, um lateral mais defensivo. Também deixou o campo Hummels, com Emre Can ocupando o posto de líbero. Portugal mandou João Moutinho no lugar de Bruno Fernandes.

Portugal revive com o segundo gol

Aos 22, Portugal pôde reviver um pouco suas esperanças. Numa cobrança de falta, a zaga da Alemanha estava desatenta e o gol saiu. O cruzamento encontrou Cristiano Ronaldo livre no segundo pau e, evitando que a bola saísse, o artilheiro tocou para o meio da área. Diogo Jota apareceu sozinho para conferir. Os portugueses criaram ânimo e passaram a abafar nas bolas cruzadas. O perigo rondava a meta alemã. Depois da pausa para hidratação, Löw fez mais duas trocas, com Leon Goretzka e Niklas Süle nas vagas de Ilkay Gündogan e Kai Havertz. Com isso, Emre Can passava ao meio num 5-3-2.

Renato Sanches para na trave

A partida poderia ter ficado pior para a Alemanha aos 34. Numa cobrança de escanteio curta, João Moutinho rolou para Renato Sanches e o meio-campista mandou uma sapatada de fora da área, que estalou a trave direita de Neuer. Entretanto, o ritmo da partida esfriou um pouco, com a Alemanha gastando mais o tempo. Até haveria um contra-ataque aos alemães na sequência, quando Goretzka mandou forte da entrada da área e a bola raspou o travessão. Por fim, Portugal acionaria André Silva como última cartada, no lugar de Diogo Jota aos 38. Já a Mannschaft trocou Gnabry por Leroy Sané.

Portugal lutou até o fim

Mesmo que o tempo passasse, o relógio não era motivo para Portugal deixar de lutar. A defesa da Alemanha precisaria acumular desarmes decisivos na reta final do duelo. Süle e Rüdiger fariam ações precisas dentro da área, assim como Ginter travou uma finalização de André Silva na hora exata durante os acréscimos. Num grupo tão duro, o saldo de gols também seria importante. Mas, no fim das contas, a Mannschaft fica com a vitória merecida e sai revigorada para buscar a classificação na última rodada.

A situação no Grupo F

A França termina a segunda rodada na liderança do Grupo F, com quatro pontos. Alemanha e Portugal permanecem emparelhados com três pontos, com vantagem no confronto direto para os alemães. Já a Hungria segue viva com um ponto. Na rodada final, Portugal e França fazem um confronto duríssimo em Budapeste. A Alemanha terá a vantagem de decidir em Munique contra a Hungria.

Ficha técnica

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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