Eurocopa

Shaw teve que superar adversidades e críticas para chegar a Wembley e ajudar a decidir a enorme vitória da Inglaterra

Perseguido por Mourinho, e com uma série de problemas físicos, menores ou maiores, Shaw finalmente está se firmando como o jogador que prometia ser

Após ser criticado por José Mourinho, comentarista durante a Euro 2020, por ter cobrado mal um escanteio, Luke Shaw afirmou que ninguém sabe o quanto era ruim a sua relação com o ex-treinador do Manchester United. Mourinho treinou os Red Devils entre 2016 e 2018. Durante quase dois anos e meio, Shaw fez apenas 59 jogos. Foi um período muito difícil na carreira do ainda jovem lateral esquerdo que surgiu como um garoto-prodígio no Southampton. Mas ele se recuperou a ponto de, nesta terça-feira, ter sido um dos destaques da Inglaterrass na vitória sobre a Alemanha, por 2 a 0, em Wembley, nas oitavas de final da Eurocopa.

Shaw teve uma trajetória meteórica no futebol. Em 2014, quando ainda tinha 19 anos e 67 partidas pelo Southampton, foi contratado por quase € 40 milhões pelo Manchester United. O valor seria sempre uma nuvem pairando sobre sua cabeça e as lesões prejudicaram seus primeiros anos em Old Trafford. Uma fratura na perna em setembro de 2015 o fez perder toda aquela temporada. Quando retornou, sob o comando de Mourinho, teve dificuldades para entrar em forma e era criticado publicamente pelo técnico.

Na época da sua contratação, aliás, Mourinho comandava o Chelsea e entrou na disputa pelos serviços de Shaw, mas chegou a dizer que “se pagasse o que estava sendo pedido por um garoto de 19 anos, estaríamos mortos, mataríamos nossa estabilidade financeira e mataríamos a estabilidade dos vestiários”. A suposição é que Mourinho nunca superou ter sido preterido por Shaw, o que nem seria incoerente com seu personagem, mas talvez seja um pouco de exagero.

Fato é que eles nunca se deram bem. “Ele gosta de alguns, não gosta de outros e eu entrei nessa segunda categoria porque ele nunca gostou de mim. Eu tentei o máximo que pude para cair nas suas graças, mas nunca funcionou, não importava o que eu fizesse. Não adianta esconder que nunca nos relacionamos bem. Acho que ele foi um treinador brilhante, mas, o passado é o passado. Hora de seguir em frente. Estou tentando, mas ele obviamente não consegue”, afirmou, após a última crítica de Mourinho.

Shaw, por outro lado, está conseguindo. Ele se firmou com a chegada de Ole Gunnar Solskjaer e, nos mesmos dois anos e meio, fez o dobro dos jogos do período anterior, apesar de mais algumas pequenas lesões. Está com 186 no total e a última temporada foi sua melhor com a camisa do Manchester United. Em termos de desempenho e de disponibilidade. Disputou 32 das 38 rodadas da Premier League, 30 como titular.

Valeu uma chance na seleção inglesa. Não vale nem falar em retorno porque, antes de março deste ano, ele havia feito apenas oito jogos pelo time nacional, a maioria quando ainda era uma jovem promessa do Southampton ou assim que chegou ao Manchester United. Entre outubro de 2015 e setembro de 2018, ficou apenas sete minutos em campo com a camisa da Inglaterra.

Convocado à Eurocopa, teve que ter paciência também porque Gareth Southgate preferiu o lateral direito Kieran Trippier improvisado na esquerda na estreia contra a Croácia. Shaw, porém, ganhou a posição, e jogou todos os minutos desde então, preparando-se para ajudar a decidir aquela que é a maior vitória de toda uma geração – e também de muitas gerações anteriores.

Talvez não tenha sido o melhor em campo. Nem brilhou tanto em índices defensivos e, no ataque, deu apenas um passe para finalização. Mas foi justamente o cruzamento para que Sterling abrisse o placar, na marca dos 30 minutos. Depois, foi muito esperto para bater a carteira de Gnabry no meio-campo antes de avançar pelo meio e soltar na medida para o centro de Grealish que gerou o segundo gol da Inglaterra.

Deu uma contribuição importante, no maior dos palcos, e que ganha mais peso pelas adversidades que teve que superar para chegar até aqui. Pode ser que nunca vire um lateral esquerdo que justifique € 40 milhões (ajustados para a inflação: € 40 milhões eram muita coisa no mercado daquela época), embora esteja entre os melhores da posição na última temporada, mas sua história é mais uma lição de que, especialmente com os jovens, o futebol precisa ter um pouco mais de paciência.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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