Renato Sanches, o fenômeno que joga a Euro como se ainda estivesse no quintal de casa

Para muita gente, ele já deveria ter iniciado a Eurocopa como titular. Renato Sanches viveu uma temporada fenomenal com o Benfica, mas Fernando Santos preferiu relegá-lo ao banco de reservas no início da competição. Após duas participações na primeira fase, o garoto saiu do banco de reservas contra a Croácia e teve papel decisivo, criando a jogada do gol na prorrogação. Já nesta quinta, não teve jeito: diante da lesão de André Gomes, o camisa 16 começou a partida contra a Polônia. E protagonizou uma grande atuação, embora não tenha conseguido manter a intensidade a todo momento. Foi a principal opção ofensiva da Seleção das Quinas, marcando o gol que valeu o empate e sendo eleito o melhor em campo.
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Em uma equipe que tinha a iniciativa de atacar, especialmente pelo gol-relâmpago de Lewandowski, Renato Sanches se tornou a principal válvula de escape de Portugal. Atuando quase sempre pelo flanco direito, o meio-campista de 18 anos oferecia uma intensidade imensa. E não lhe pesava a responsabilidade. O garoto não sentiu a pressão do jogo decisivo, arriscando as jogadas e partindo em lances individuais. Assim, teve confiança suficiente para arrematar da entrada da área e marcar o gol aos 33 minutos, em um chute desviado. Seu primeiro tento pela seleção, que serviu para sublinhar o excelente primeiro tempo que fez.
A falta de experiência às vezes pesa contra Renato Sanches. Natural. Nem sempre escolhe a melhor jogada, em alguns lances prende demais a bola. Mas o meio-campista compensa pelo ímpeto. Nenhum outro jogador de Portugal participou tanto da partida quanto ele, recebendo a bola 97 vezes. E a ousadia se refletiu principalmente nas suas arrancadas pelas pontas. O novato ainda somou 13 dribles ao longo dos 120 minutos, um a menos que todos os seus companheiros juntos em Marselha. Também a maior marca de um jogador nesta Eurocopa.
Durante o segundo tempo, Renato Sanches diminuiu a sua participatividade. E na modorrenta prorrogação, apareceu bem menos que deveria. Mas não se escondeu na hora dos pênaltis. Ele foi o segundo a cobrar, logo depois de Cristiano Ronaldo. Mandou a bola no ângulo de Fabianski, que sequer saiu na foto. Vibrou por completar da melhor maneira possível a grande noite que viveu em Marselha.
Por mais que André Gomes seja uma peça importante, é difícil imaginar que Renato Sanches vá perder a posição nas semifinais. E o garoto aponta mais para Portugal, se colocando como um ótimo nome para o futuro, em uma equipe com vários jovens de valor especialmente no meio de campo. A ausência de alguns veteranos da defesa e do ataque pode causar preocupação para os próximos anos. Mas já se forma uma base de qualidade nesta Eurocopa.
A cabeça de Renato Sanches talvez passe por um turbilhão neste momento. O menino que foi descoberto no futebol graças a um projeto social e custou 25 bolas ao Benfica. Que nunca abandonou os amigos na Musgueira, uma região da periferia de Lisboa marcada pela pobreza e pelas altas taxas de criminalidade. Que nem mesmo quando despontou com a camisa encarnada deixou de comer sua bifana (um lance típico português) no bar do primeiro clube. Mas, independente dos sentimentos, serenidade não lhe falta. Não foi o sucesso repentino e a venda ao Bayern por € 35 milhões que viraram a cabeça de Renato. Nem a chance de se colocar como herói nacional, o mais decisivo em uma seleção cheia de jogadores de renome.
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