Quando outras boas gerações de Bélgica e Gales também se tornaram inimigas íntimas

Bélgica e Gales farão um duelo de velhos conhecidos nesta sexta-feira, em Lille. Desde 2012, as duas seleções se enfrentam anualmente, graças aos descaminhos dos sorteios. Estavam no mesmo grupo das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2014, e os belgas confirmaram seu favoritismo com uma vitória e um empate. Já na qualificação para a Euro 2016, por mais que os Diabos Vermelhos tenham terminado na liderança do grupo, foram os Dragões que se deram melhor no confronto direto. Depois do empate em Anderlecht, venceram por 1 a 0 em Cardiff, há pouco mais de um ano – gol sempre dele, Gareth Bale. E os conhecimentos adquiridos ao longo dos últimos quatro anos prometem um jogo ainda mais equilibrado no quinto e mais decisivo duelo desde então.
Ao longo da história, belgas e galeses se cruzaram outras vezes. E já tiveram outro momento tão íntimo, no qual as duas seleções também contavam com boas gerações, e brigaram igualmente por vagas na Copa do Mundo e na Euro. Foi no início dos anos 1990. A Bélgica vinha do ocaso da equipe de melhores resultados na sua história, mas trazia promessas que mantinham a competitividade do país. Já Gales havia atravessado a frustração dos anos 1980, quando perdeu dois Mundiais por culpa da diferença no saldo de gols, e tentava o último suspiro de vários craques.
Rumo a Euro 1992, Gales e Bélgica travaram dois encontros nas Eliminatórias. E dá para dizer que os Diabos Vermelhos impediram os britânicos de fazerem história. Com Ian Rush, Mark Hughes e Dean Saunders formando uma linha ofensiva poderosa, os Dragões engoliram os adversários em Cardiff. Venceram por 3 a 1 um time que seguia forte, com Preud’Homme, Gerets, Ceulemans, Nilis e Scifo. O empate por 1 a 1 em Anderlecht, contudo, seria lamentado pelos galeses. Em uma chave que também tinha a Alemanha, recém-unificada, eles ficaram a um ponto de igualar os atuais campeões do mundo. E isso porque os Dragões venceram os alemães em um dos jogos, gol de Ian Rush.
Já nas Eliminatórias da Copa de 1994, os dois países voltaram a se enfrentar no mesmo grupo, que ainda tinha como forte concorrência a Romênia e a representação formada por tchecos e eslovacos após o fim da Tchecoslováquia. Desta vez, o equilíbrio foi maior entre galeses e belgas. Com o jovem Marc Wilmots saindo do banco, a Bélgica garantiu pontos importantes com a vitória por 2 a 0 em Anderlecht. Mas o troco viria na mesma moeda e com o mesmo placar em Cardiff, tentos de Ryan Giggs e Ian Rush.
Apesar de tomar uma goleada por 5 a 1 em Bucareste, Gales chegou à última rodada com chances de classificação. Diante de 40 mil fanáticos no Cardiff Arms Park, precisava vencer o timaço da Romênia. Não aconteceu. Hagi abriu o placar e, quando Saunders deu sobrevida com o empate, Paul Bodin desperdiçou um pênalti, que daria a virada. Ainda houve tempo para Raducioiu vencer o goleiro Neville Southall e calar os galeses, com a derrota por 2 a 1. Romenos e belgas foram aos Estados Unidos. E a Bélgica fez um bom papel, parando apenas em um jogo duro contra a Alemanha nas oitavas de final. Por fim, antes da Copa de 1998, mais duas partidas pelas Eliminatórias. Duas vitórias da Bélgica, contra um time galês bastante modificado e que, desta vez, passou longe da classificação. A Holanda foi líder da chave, mas os belgas avançaram ao Mundial ao derrotarem a Irlanda na repescagem.
O reencontro desta quinta será o primeiro entre as duas seleções pela fase decisiva de um grande torneio. E vale muito, para ambas. Gales pode registrar a melhor campanha de sua história, superando o que fez na Copa do Mundo de 1958. Já a Bélgica busca o sucesso que ratifique o seu time atual, e que possa levá-la ainda mais longe, quem sabe para disputar novamente uma final continental após 36 anos. Dúvidas que se responderão durante a noite francesa.
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