Eurocopa

Posse de bola versus objetividade

Espanha e Itália farão uma batalha de nervos no próximo domingo. Adversárias na estreia da Euro 2012, as duas seleções protagonizaram um dos melhores jogos da competição. O placar igualado em 1 a 1 acabou sendo justo diante do que aconteceu na Arena Gdansk, com certo equilíbrio e chances de gol para ambos os lados.

Quatro partidas depois, no entanto, a situação de espanhóis e italianos é diferente. A Fúria foi fiel a suas características e seguiu em frente na competição, embora estivesse longe de empolgar. Já a Azzurra variou até mesmo seu esquema tático durante a primeira fase e, em ascensão, melhorou suas atuações a cada rodada.

No domingo, Vicente Del Bosque e Cesare Prandelli testarão mais uma vez suas metodologias, agora de maneira definitiva. O espanhol tentando mostrar que a eficiência entediante de sua equipe realmente marcará época, com a conquista de um inédito bicampeonato continental. O italiano querendo firmar o estilo de jogo objetivo, longe do defensivismo tradicional. Ao final, a entrega da taça provará quem estava certo.

Espanha: gastando a bola e desgastando a torcida

As características de jogo da seleção espanhola já são tarimbadas. O consagrado tiki-taka segue norteando a equipe de Vicente Del Bosque, de toque de bola paciente e, por vezes, pouco incisivo. O time lidera a Euro em posse (67%) e total de passes por jogo (691). Xavi é o guardião da tradição, passando a bola 101,8 vezes em média.

No entanto, a Fúria é a segunda equipe que mais toca antes do chute – são 40,2 passes até que alguém resolva bater para o gol, a segunda maior média da competição. A insistência nos passes curtos, somada à pouca objetividade, faz com que os espanhóis arrisquem poucos arremates de fora da área – apenas 38% do total de tentativas.  Em compensação, a proximidade da meta adversária torna o time mais eficiente nos chutes. É a segunda melhor marca do torneio, com 41,9% das finalizações indo na direção do gol.

Na falta de um centroavante, o principal definidor é Iniesta, com 19 chutes e nenhum tento marcado. Além disso, o time realiza apenas 16 cruzamentos por partida, a segunda menor média do torneio. Frequentemente centralizado na linha de ataque, Fàbregas se aproveita da posição para servir os companheiros. É quem mais faz enfiadas de bola na seleção líder no fundamento.

Pelo estilo de seus jogadores, a Espanha é uma das equipes que mais atuam pela faixa central do campo, onde permanece durante 34% tempo. Com Iniesta e David Silva, dois meias atuando como pontas, a tendência é a de que o time se afunile através das investidas em diagonal. E a troca constante de posições entre meio-campistas e atacantes também faz com que o time fique mais concentrado no local.

O tiki-taka ainda tem sua contribuição defensiva. Graças aos passes, a Espanha mantém apenas 21% da posse de bola em seu campo defensivo. Em consequência, Casillas pouco trabalha. O time sofreu somente um gol na Eurocopa – justamente da Itália – e o goleiro teve a menor média de chutes contra sua meta por confronto. E quando resolvem acertar o alvo, em 91,7% das vezes a bola para nas mãos do capitão.

A linha defensiva também ajuda bastante na hora de proteger o goleiro. A despeito dos rumores de que não se dariam bem, Sergio Ramos e Piqué formam a dupla de zaga com maior média conjunta de desarmes, seis por jogo. E, se tentarem atacar pelo alto, os espanhóis possuem o quarto time mais eficiente no jogo aéreo, com destaque para Xabi Alonso, que ganha 2,6 bolas de cabeça por partida.

Itália: quebrando paradigmas

Para quem está acostumado a associar o futebol italiano ao Catenaccio, assistir ao time de Cesare Prandelli é uma grata surpresa. Sem perder a consistência defensiva, a Azzurra apresenta um futebol bastante fluído, apostando na qualidade no passe de seus meio-campistas e na movimentação de seus atacantes. É o segundo time da Euro em média de finalizações (19,8), além de aparecer no Top 6 em posse (53,2%) e total de passes (468).

Ao contrário de seus adversários na final, os italianos possuem um dos times mais objetivos da competição, com 23,6 toques por finalização. Parte desta situação é explicada pela falta de paciência do elenco, que chuta de fora da área 56% das vezes. E a insistência nas bolas longas também ajuda a desvendar a verticalidade. São 63 lançamentos por rodada, em jogada utilizada para aproveitar a velocidade dos avantes. Enquanto Balotelli desponta como um dos artilheiros e o quinto maior finalizador da competição, Cassano brilha pelo número de chances criadas, com média de 3,2 passes para finalização.

Com dez lançamentos perfeitos por partida, Andrea Pirlo merece um capítulo à parte. Forte candidato a ser eleito o melhor jogador da Euro, o volante aparece entre os 20 melhores do torneio em passes para finalização (3), total de passes (73,2), cruzamentos (2,2) e enfiadas de bola (0,6). E, pelos pés do camisa 21, a cobranças de falta viram arma em potencial, originando 50% dos gols até o momento.

Ao lado de Pirlo, Marchisio e De Rossi ajudam na organização e a dar consistência na cabeça de área, deixando a equipe com a excelente média de 21,2 interceptações. O jogador da Roma, aliás, atuou com brilhantismo tanto na defesa quanto no meio. E, na ligação com o ataque no 4-3-1-2 de Prandelli, Montolivo ganhou a posição de Thiago Motta com justiça. O meia acrescentou criatividade e manteve a força cobertura, com três desarmes e três interceptações por jogo.

Outros que vieram do banco e têm feito bons trabalhos são Balzaretti e Abate, que contribuíram na troca do sistema com três zagueiros. Já no miolo de zaga, independente das lesões que atrapalham a Azzurra, Barzagli, Chiellini e Bonucci replicam o entrosamento na Juventus e têm feito grandes atuações.

E, quando a situação aperta, Gianluigi Buffon mostra que ainda é um dos melhores goleiros do mundo. O capitão é o vice-líder do torneio em número de defesas, 19 ao todo – sem contar o pênalti de Ashley Cole. Além disso, tem o terceiro melhor aproveitamento debaixo das traves, pegando 86,3% dos chutes contra a sua meta e sofrendo só três gols.

Espanha 1×1 Itália: como foi o primeiro jogo

Pelo título conquistado em 2008 e pelos feitos recentes, a Espanha era apontada como favorita em sua estreia na Eurocopa. Por outro lado, também pesava o retrospecto da Itália nos amistosos preparatórios. Del Bosque manteve o 4-3-3 característico, surpreendendo com Fàbregas atuando como “falso 9”. Já Prandelli apostou no 3-5-2 treinado apenas nos dias anteriores, com De Rossi adaptado como líbero.

Quando a bola rolou, a Fúria não conseguia fazer seu jogo fluir e ainda sofria com os ataques dos rivais. Di Natale abriu o placar no segundo tempo, após passe magistral de Pirlo, mas Fàbregas não demorou a empatar. Depois do tento, os espanhóis estiveram mais próximos da virada. Fernando Torres aumentou o poderio ofensivo do time, mas desperdiçou um bom número de chances.

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Equipe Trivela

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