Eurocopa

Portugal dominou, mas a bravura da Islândia arrancou um valioso empate aos estreantes

Para uma nação de 330 mil habitantes, o momento se desenhava inesquecível. Pela primeira vez na história, a Islândia participa de um grande torneio no futebol. E sua torcida pôde desfrutar do orgulho diante de Portugal, em Saint-Étienne. Os tugas foram bem melhores no jogo e dominaram durante os 90 minutos. No entanto, não tiveram a mesma entrega e eficiência dos islandeses. O empate por 1 a 1 valeu ouro aos novatos. Não à toa, desencadeou uma enorme comemoração nas arquibancadas.

Aos três minutos, a Islândia teve a primeira grande chance da partida. Gylfi Sigurdsson avançou pelo lado esquerdo, mas parou em boa defesa de Rui Patrício. Depois disso, só deu Portugal. A Seleção das Quinas tomava o meio-campo, especialmente por causa de João Moutinho. Mais à frente, Cristiano Ronaldo e Nani tentavam aparecer. Contudo, a defesa islandesa se segurava com solidez. E, quando houve uma brecha, o goleiro Halldórsson operou um milagre para salvar o desvio de Nani.

Aos 30, enfim, os portugueses abriram o placar. André Gomes fez uma jogadaça pela direita e, após tabelar, cruzou para Nani estufar as redes. Estava até barato, pelo domínio e pelas chances criadas por Portugal. A falta de pontaria, porém, pesava contra. Mesmo sendo um dos mais ativos do time, Cristiano Ronaldo falhou nas melhores oportunidades.

A Islândia concretizou a sua alegria logo de cara no segundo tempo. Em boa trama coletiva, Gudmundsson cruzou para Bjarnason. Diante do erro de Vieirinha na marcação, o camisa 8 venceu Rui Patrício e empatou aos cinco minutos. O placar dava tranquilidade para os islandeses fazerem o seu jogo, se segurando na defesa e buscando os contra-ataques. Com a bola, por mais que martelasse, Portugal deixava a desejar.

A partir de então, Halldórsson se consagrou como o herói do jogo. Portugal insistia nas bolas aéreas e nos chutes de fora da área. Por mais que os arremates não chegassem com tanto perigo, o goleiro trabalhava muito. Fernando Santos colocou o time no ataque, especialmente após as entradas de Ricardo Quaresma e Éder. Não surtiu efeito. Pior, Rui Patrício ainda evitou a virada, fazendo boa intervenção em petardo de Finnbogason. Já nos acréscimos, Cristiano Ronaldo ganhou duas chances em cobranças de falta, mas em ambas carimbou a barreira.

Portugal reiterou a sua credencial como força do Grupo F. Só não fez por merecer o resultado e segue pressionado para a próxima rodada. A Islândia, por sua vez, mantém as ótimas impressões deixadas nas Eliminatórias. Se a campanha até a França surpreendeu bastante, não será nenhuma novidade se os islandeses se colocarem nos mata-matas. Em uma chave relativamente acessível, o potencial da equipe é grande o suficiente para que a torcida continue se empolgando nas arquibancadas de mais estádios franceses.

Portugal 1×1 Islândia

Portugal: Rui Patrício, Vieirinha, Ricardo Carvalho, Pepe e Raphaël Guerreiro; Danilo Pereira, André Gomes (Éder) e João Mário (Ricardo Quaresma); João Moutinho (Renato Sanches); Cristiano Ronaldo e Nani. Técnico: Fernando Santos.

Islândia: Halldórsson, Saevarsson, Ragnar Sigurdsson, Árnason e Skúlason; Gudmundsson (Elmar Bjarnason), Gunnarsson, Gylfi Sigurdsson e Birkir Bjarnason; Sigthórsson (Finnbogason) e Bodvarsson. Técnico: Lars Lagerbäck.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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