Eurocopa

Portugal 2004: Seis jogos, sete gols, um título

Portugal aproveitou a oportunidade de sediar a Euro para remodelar seus estádios, o que, de certa forma, colaborou para melhorar até mesmo o reconhecimento do futebol das quinas, bem como do avanço econômico do país, em todo o mundo. A qualidade dos reformados Estádio da Luz e José Alvalade – ambos lisboetas – e dos construídos Estádio do Dragão (Porto) e Municipal de Braga (este, tendo como fundo de uma das áreas a encosta do Monte Castro, na periferia de Braga) impressionou a muitos. E a qualidade dos jogos, embora não tão alta como em 2000, não decepcionou.

Para acompanhar a evolução do país, os lusos montaram um time de respeito. Um dos principais reforços estava no banco: Luiz Felipe Scolari, então técnico campeão mundial, já estava havia um ano em Portugal, começando sua experiência europeia e trazendo boa parte dos preferidos para a comissão técnica. Felipão comandaria um time que, se mantinha alguns da velha guarda que chegara às semifinais na Bélgica/Holanda, como Fernando Couto, Rui Costa, Nuno Gomes, Pauleta e Figo (que teriam ficado melindrados com Scolari, no início do trabalho), apostava alto ora na geração que nascia pelos pés de Cristiano Ronaldo e Tiago, ora em gente já estabelecida, mas que não tivera muitas chances, como Maniche, Miguel, o recém-naturalizado Deco e Ricardo (contestado por muitos, que pediam o veterano Vitor Baía).

Porém, o Grupo A em que os Tugas estavam já começou com uma surpresa desagradável para os anfitriões. Em pleno Estádio do Dragão, o time demonstrou sentir o velho peso da estreia e se deixou superar facilmente pela… Grécia, que fez 2 a 0 e só aos 48 do 2º tempo veria Cristiano Ronaldo diminuir. Sim, a Grécia. Um time que só tivera uma participação pálida em Euros (saiu na primeira fase do torneio de 1980, com um ponto ganho) e passara vexame na única Copa disputada, em 1994.

Mas, também – e isso foi pouco falado à época – um time que ficara invicto durante seis jogos, nas eliminatórias, sofrendo apenas duas derrotas e classificando-se em primeiro no grupo, superando a Espanha que a acompanharia no grupo A. Contava com a experiência do goleiro Nikopolidis, do zagueiro Dellas e do meia Zagorakis. Fora jogadores que, se não eram craques, já tinham certa experiência na Europa, como o meia Giannakopoulos e o atacante Charisteas. E que, sob as mãos do experiente treinador alemão Otto Rehhagel, mostrava disciplina tática, com o perdão do trocadilho, espartana.

Na outra partida do grupo, a Espanha, com os experientes Raúl, Helguera, Baraja, Morientes e Puyol (mesmo com a juventude de Fernando Torres), superou em um gol a Rússia dos jovens Izmailov, Aldonin e dos reservas Anyukov, Kerzhakov, Bystrov e Akinfeev (mesmo com a experiência de Ovchinnikov, Mostovoi, Loskov e Alenichev).

Na segunda rodada, Portugal estava pressionado, mas, logo aos 7 minutos de jogo, Maniche abriu o placar. Ainda no fim do primeiro tempo, o goleiro Ovchinnikov foi expulso. Depois, o jogo ficou morno, com Portugal controlando a vantagem contra os inativos russos. Mas ainda houve tempo para, após um cruzamento do substituto Cristiano Ronaldo, o também substituto Rui Costa cabecear e fazer 2 a 0 a um minuto do fim. No outro jogo, Morientes até colocara a Espanha na frente, mas Charisteas encarregou-se de manter a Grécia viva na Euro com o empate.

Portugal e Espanha fariam, em Lisboa, um clássico ibérico dramático. Quem vencesse, estaria nas quartas-de-final; quem perdesse, estaria fora da Euro. Felipão tratou até de lembrar confrontos na história dos dois países para apimentar a disputa. O jogo foi nervosamente disputado, até que, aos 12 do 2º, Nuno Gomes, que substituíra Pauleta no intervalo, chutou rasteiro para marcar o gol luso. O treinador espanhol, Iñaki Sáez, até colocou a Fúria no ataque, com as entradas de Baraja, Luque e Morientes, mas a defesa segurou o placar magro até o fim do jogo. Alívio em Portugal: o país, aos trancos e barrancos, estava classificado. Aos espanhóis, restava ver a eliminação na primeira fase: mesmo com os mesmos quatro pontos dos gregos, o número de gols era menor (2 espanhóis contra 3 gregos). Os helênicos nem precisaram vencer a partida contra a eliminada Rússia: deram-se ao luxo de perder por 2 a 1, marcando mais um gol, ficando em segundo lugar e seguindo a filosofia eficiente.

O grupo B tinha duas grandes favoritas. A França mantinha um time que, se envelhecido, nem por isso era menos perigoso: Barthez, Thuram, Lizarazu, Makélélé, Pires, Vieira, Zidane, todos aliados a Henry e Trezeguet, talvez a melhor dupla de ataque da Europa na época. Já a Inglaterra até corria riscos na defesa, já que o seguro Sol Campbell tinha, em vez de Rio Ferdinand, Ledley King como parceiro, fora os inconstantes Ashley Cole e Gary Neville nas laterais e um inseguro David James no gol. Mas compensava com um meio-campo e um ataque de respeito: Beckham, Lampard, Gerrard, Scholes, Owen e até o wonderboy da vez, Wayne Rooney, 18 anos. Irremediavelmente, sobrava o papel de coadjuvante a uma Croácia em transição e a uma Suíça que, se já tinha novos valores como Vonlanthen e Barnetta, ainda preferia apostar na experiência de Chapuisat, Frei e Vogel.

Como comprovando o papel das duas duplas, a primeira rodada mostrou, ao mesmo tempo, um insosso 0 a 0 entre helvéticos e croatas e um jogo eletrizante entre franceses e ingleses. Em Lisboa, Lampard fez 1 a 0 aos 38 do 1º. Desde então, os ingleses conseguiam controlar as ações e repelir as tentativas gaulesas de ataque. Cansados, os Bleus iam se aquietando, e, enfim, aos 27 do 2º, Rooney sofreu pênalti de Silvestre. Beckham cobrou, para definir o jogo. E Barthez defendeu. Aí, a França continuou tentando. Até que, aos 46, falta para os franceses. Zidane cobra: 1 a 1. Mais pressão. Aos 48, recuo errado de Gerrard para David James, que acaba fazendo falta na área em Henry. Pênalti para a França? Adivinha quem cobrou? Claro, penal convertido. Zidane, ou melhor, França 2, Inglaterra 1.

Doravante, os dois pesos-pesados seguiram caminhos relativamente diferentes. Como que ferido pela derrota tardia para os rivais, a Inglaterra tratou de destroçar os suíços (3 a 0) e de, mesmo saindo atrás, despachar os croatas (4 a 2) para ir às quartas. Já os franceses até abriram o placar contra os croatas, mas, logo no início do 2º tempo, Milan Rapaic e Dado Prso precisaram de quatro minutos – entre os 3 e os 7 – para virar o jogo. Mas Trezeguet salvou o 2 a 2, garantiu a vaga nas quartas e manteve a França na primeira colocação, que seria sacramentada com outra vitória suada contra os suíços. Suada, sim: Zidane, sempre ele, abriu o placar, mas Vonlanthen empatou ainda no 1º tempo. E o time de Jakob “Köbi” Kuhn conseguiu segurar o empate em boa parte do jogo. A vitória dos comandados de Jacques Santini só veio nos 15 minutos finais de jogo: aos 31 e aos 39 do 2º, Henry tratou de mostrar seu sangue-frio na área, marcando duas vezes.

O grupo C talvez tenha mostrado o cenário mais equilibrado no resultado, desde que a fase de grupos foi instituída na Euro. Equilibrado até demais: Suécia, Dinamarca e Itália tinham times muito parecidos na escalação, predominantemente experiente nos três casos (os daneses tinham Helveg, os irmãos Jensen, Rommedahl e Tomasson; a Azzurra de Giovanni Trappatoni continuava com a geração de Del Piero, Totti, Cannavaro, Nesta e Panucci, mesmo que um jovem Cassano lá estivesse; e a Suécia, mesmo com a presença de Ibrahimovic, continuava apostando em Lucic, Mellberg, Ljungberg, Anders Svensson e Henrik Larsson).

Foi até fácil sobrepujar uma Bulgária que, mesmo tendo Berbatov, Stilian Petrov e Martin Petrov – sem parentesco -, teve uma participação apenas bissexta, saindo derrotada nos três jogos. Na primeira rodada, sofreu logo um 5 a 0 da Suécia, enquanto Dinamarca e Itália saíam com um 0 a 0 do Alfonso Henriques, em Guimarães. Na segunda rodada, foi a vez da Dinamarca dirigida por Morten Olsen ter um desafogo com o 2 a 0 nos búlgaros, enquanto italianos e suecos empatavam em um gol.

Mas a última rodada comprovou o equilíbrio. Os italianos, com 2 pontos, precisavam vencer os búlgaros, em Guimarães, enquanto suecos e dinamarqueses, com 4 pontos cada, duelariam no Porto. Surpreendentemente, a Bulgária decidiu aprontar: no minuto final do 1º tempo, Martin Petrov converteu penal de Materazzi em Berbatov. No 2º tempo, restou à Itália atacar. E começou bem: logo aos três minutos, Perrotta empatou. No jogo do Porto, Tomasson havia aberto o placar, aos 28 do 1º. Logo aos 2 do 2º, Larsson conseguiu o empate para a Suécia, mas o mesmo Tomasson colocaria os daneses à frente, aos 21.

Voltando a Guimarães, os italianos continuavam precisando da vitória que os colocaria no 2º lugar do grupo. E voltaram a pressionar, com Trappatoni colocando Di Vaio em campo, no que seria um esquema com três atacantes, já que Cassano e Vieri estavam em campo. A pressão, no finzinho, deu resultado: aos 49 do 2º, Cassano marcou o gol da classificação e saiu correndo rumo ao banco para comemorar a vaga nas quartas que viria a fórceps. A alegria do barese, então atacante da Roma, viraria desespero quando, no banco, alguém lhe soprou a notícia fatal: aos 44 do 2º, no Porto, no mesmíssimo momento do gol transalpino, Mattias Jonson empatara o jogo para a Suécia.

O desespero de Cassano vinha com o resumo da ópera: as três nações interessadas terminaram com 5 pontos, e a decisão veio no terceiro critério de desempate: o número de gols marcados por cada seleção nos jogos contra as outras duas. O gol de Jonson foi o terceiro para os suecos, somando os dois na partida contra a Dinamarca ao marcado contra a Itália; a Dinamarca tinha os dois contra a Suécia; os italianos, com os empates (sem gols contra a Dinamarca, em 1 gol contra a Suécia), somavam apenas um. Ou seja: ao fim dos dois jogos, suecos e dinamarqueses estavam nas quartas, e a Itália reclamava de “marmelada” com o empate do outro jogo, que a eliminou na primeira fase. Entre mortos e feridos, só Giovanni Trappatoni não se salvou: deu o lugar para Marcello Lippi, na Itália.

Já o grupo D teve seu equilíbrio, mas somente entre duas seleções. Estas se diferenciavam na escalação: a Alemanha de Rüdi Völler, mesmo já com Schweinsteiger, Lahm e Podolski convocados, ainda priorizava a experiência de Kahn, Wörns, Nowotny, Hamann, Ziege, Ballack e Klose. Do lado holandês, Dick Advocaat até continuava confiando em Van der Sar, Van Bronckhorst, Davids, Cocu, Kluivert e Van Nistelrooy. E na reserva, contava com Frank de Boer, Makaay, Bosvelt, Seedorf, Zenden e Van Hooijdonk. Mas Advocaat já colocava, no time titular, Sneijder, Heitinga, Robben e Van der Vaart, todos na faixa dos vinte anos.

Na primeira rodada, os rivais mostraram o equilíbrio, na partida no Estádio do Dragão. Os alemães começaram melhor, pressionando mais e, por fim, abrindo o placar com Frings, numa falta pela esquerda que passou por toda a área sem que ninguém desviasse. Os holandeses batalharam pelo gol, até conseguirem o empate, a nove minutos do fim do jogo, com Van Nistelrooy.

Mas quem começava bem, mesmo, era a República Tcheca. Karel Bruckner tinha a sorte que Dusan Uhrin não tivera em 2000: além de poder contar com os veteranos Nedved, Poborsky, Koller, Smicer e Lokvenc, no auge da maturidade, ainda podia incrementar o time com a geração que fora campeã européia sub-21, dois anos antes, na Suíça. Geração que contava com Petr Cech, já soberano, apesar de jovem. Com Grygera e Rozehnal, boa dupla de zaga. E com o artilheiro Milan Baros. Apesar disso, a estreia, contra a surpreendente Letônia, no Aveiro, foi um jogo duríssimo. Principal jogador letão, o atacante Verpakovskis abriu o placar, aos 46 do 1º tempo. Aliando a falta de pontaria de Baros à boa performance do goleiro Kolinko, a Letônia ia segurando a zebra. Mas, aos 28 do 2º, Baros conseguiu acertar o pé e empatou. E, a cinco minutos do fim, Marek Heinz conseguiu virar o jogo e colocar os tchecos na ponta do grupo.

A segunda rodada mostrou um dos melhores jogos da Euro. No Aveiro, durante o primeiro tempo, a Holanda pareceu dominar completamente o jogo. Com Robben infernizando os adversários na ponta-esquerda, foi fácil para a Laranja abrir 2 a 0, com Bouma e Van Nistelrooy. Koller até diminuiu, ainda na primeira etapa, mas o time de Advocaat conseguia manter o controle. Mas aí, ele fez a mudança que alterou o rumo do jogo: aos 13 do 2º, Robben, o nome do jogo até então, saiu para a entrada de Bosvelt. Foi a senha para o início da pressão tcheca. Que logo deu resultado: aos 26 minutos, Baros empatou o jogo. E, a dois minutos do apito final, Smicer virava o jogo, dava a vaga nas quartas à sua seleção e colocava a Holanda em perigo. Perigo que só não aumentou pelo honroso desempenho letão, que conseguiu segurar o 0 a 0 contra a Alemanha.

Era até fácil para os germânicos conquistar a segunda vaga: uma vitória contra um time misto que Karel Bruckner levou a campo, no José Alvalade. Ballack até colaborou, abrindo o placar, aos 21 do 1º. Mas, nove minutos depois, Heinz empatou. Enquanto isso, em Braga, um irresistível Van Nistelrooy marcava os dois gols da vitória holandesa sobre a Letônia. Por fim, a incompetência tedesca foi punida: aos 32 do 2º, Baros marcava seu terceiro gol em três jogos, fazia da República Tcheca a única equipe com cem por cento de aproveitamento ao fim da primeira fase da Euro e, de certa forma, selava a esperada demissão de Rüdi Völler. Como que dando o tiro de misericórdia, Roy Makaay tratou de decretar o 3 a 0 que deu à Holanda a segunda vaga do grupo D.

As quartas-de-final da Euro já começaram com um jogo histórico. No Estádio da Luz, Portugal entrava com um país todo confiante na classificação contra a Inglaterra. Tão confiante que, logo aos três minutos, Owen aproveitou falha de Costinha e abriu o placar. Daí para a frente, Portugal tentou exercer uma sufocante pressão, mas os britânicos sempre se seguravam. A quinze minutos do fim, Luiz Felipe Scolari foi para o tudo ou nada: colocou Hélder Postiga no lugar de Figo e, quatro minutos depois, pôs Rui Costa na vaga de Miguel. E a sorte, velha amiga de Felipão, apareceu novamente: a sete minutos do fim do tempo normal, Hélder Postiga aproveitou o cruzamento de Simão e empatou, pondo fogo no jogo. Ainda houve tempo para Sol Campbell acertar a trave de Ricardo, antes da prorrogação.

No tempo extra (que não teria mais o gol de ouro, mas sim o “gol de prata”: caso um time marcasse ainda nos primeiros 15 minutos, o adversário teria até o fim do 1º tempo para tentar o empate), o duelo continuou tenso e eletrizante, mas os gols só viriam no 2º tempo. Aos 5 minutos, o outro substituto, Rui Costa, mandou um tirambaço à beira da grande área: 2 a 1. Mas o êxtase português não durou: cinco minutos depois, Lampard empatava de novo e decretava a decisão por pênaltis.

Logo na primeira cobrança inglesa, o lendário erro de Beckham, que isolou a bola. Mas, no terceiro chute português, Rui Costa também perdeu. A série alternada chegou. E com ela, a hora do contestado Ricardo. Aconselhado pela lenda Eusébio, no gramado, o goleiro luso defendeu a cobrança de Vassell, sem luvas. E, aproveitando a confiança, ele mesmo bateu o próximo penal. Penal convertido, loucura e alegria em Portugal: o país superava um dos favoritos e chegava às semis.

Também em Lisboa, no Alvalade, a França era favorita contra… a Grécia (fazia tempo que ela não era citada, hein?). Na matreirice, os helênicos seguraram o 0 a 0 e conseguiam controlar o meio-campo, não deixando que Zidane, Vieira e Henry tomassem a iniciativa. E aí, num contra-ataque, aos 20 do 2º, o primeiro dos vários golpes frios, certeiros e fatais dados pelos gregos: num cruzamento de Zagorakis, Charisteas cabeceou nas redes de Barthez. Saha, Wiltord e Rothen até entraram e colocaram o time no ataque, mas nenhuma pressão irresistível. E, quietamente, na dela, a Grécia fazia o seu quinto gol na Euro. E chegava nas semifinais.

Em Faro-Loulé, Holanda e Suécia fizeram o mais truncado dos jogos. Sem gols no tempo normal, a prorrogação até teve duas bolas suecas na trave, mas os pênaltis definiriam. Nas primeiras cinco cobranças, Ibrahimovic e Cocu erraram. E, nos primeiros tiros da série alternada, Van der Sar defendeu a cobrança de Mellberg e Robben, com frieza admirável, converteu o seu. Após um histórico de decepções em disputas por pênaltis, a Holanda chegava às semifinais.

E, no Porto, a República Tcheca teve a tarefa mais fácil. Apesar do primeiro tempo sem gols, o segundo tempo mostrou um time soberano, que despachou facilmente a Dinamarca, fazendo 3 a 0. Destaque para Baros, que, com dois gols, chegava a cinco, o que lhe garantiria a artilharia da Euro.

Novamente em Lisboa, mas agora no Alvalade, Portugal e Holanda definiriam o primeiro finalista. Turbinado pela empolgação da torcida, Portugal logo tomou o controle do jogo, abrindo o placar aos 26 do 1º, com Cristiano Ronaldo cabeceando um escanteio de Deco. No segundo tempo, a Holanda até ensaiou uma pressão no começo, mas os Tugas logo ampliaram, num golaço de Maniche, que arriscou da esquerda, com o chute curvado que enganou Van der Sar. O gol contra de Jorge Andrade até amedrontou um pouco o time, mas nada que fizesse a Holanda crescer no jogo. E os donos da casa chegaram à final. A canção oficial da Euro, “Força”, de Nelly Furtado, embalava o sonho de um país. Parafraseando o que a luso-canadense cantava, o time de Felipão, realmente, parecia uma força que ninguém podia parar.

No Estádio do Dragão, os surpreendentes gregos teriam pela frente a República Tcheca. Muitos sonhavam com uma final entre tchecos e portugueses, que seria um coroamento aos supostos melhores times do torneio. E o time de Karel Bruckner atacava, atacava, mas ora parava na marcação de Giannakopoulos, ora na imponência de Dellas, comandante da zaga. E, se os superava, Nikopolidis tratava de mostrar porque dividia, junto de Cech, o posto de melhor goleiro da Euro. A saída de Nedved, com uma lesão no joelho, diminuiu um pouco o ímpeto dos tchecos, mas estes continuaram a atacar. Aos 37 do 2º, Baros quase marcou o seu sexto gol na Euro, mas perdeu, inacreditavelmente. E o jogo foi para a prorrogação.

O primeiro tempo ia terminando sem gols, até um escanteio, já nos acréscimos aos 15 minutos. A República Tcheca afrouxou-se. Não deu outra: com a cobrança fechada, no primeiro poste, Dellas desviou sem chances para Cech. O gol de prata valia como um de ouro. Sempre eficiente, sempre calculista, a Grécia chegava à mais inimaginável final da história da Euro.

E, num Estádio da Luz lotado, esperava-se a festa portuguesa, que, com certeza, colocaria definitivamente o país no primeiro mundo futebolístico. E o jogo seguia o roteiro conhecido: a Grécia deixava Portugal lambuzar-se no meio, sem sequer fazer um chute ao gol de Ricardo. Mesmo com a perda de Miguel, contundido no final do primeiro tempo, Portugal mantinha o controle. Até os 12 do 2º tempo, o momento em que o “navio pirata” grego afundaria o navio português: Basinas cobrou escanteio pela direita, Charisteas antecipou-se a Costinha e testou para o gol, aproveitando a má saída de Ricardo.

Daí, todo o time português foi para a frente. Com Cristiano Ronaldo, com Rui Costa, com Figo, com Nuno Gomes, até com Ricardo Carvalho. Mas Nikopolidis, mais uma vez, teve um desempenho histórico. E o apito final veio. Ninguém podia acreditar: com sete gols em seis jogos, com uma eficiência e uma aplicação como poucas vezes se vira na história do futebol, a Grécia era campeã. Mas não deixava de haver justiça. Justiça à segurança demonstrada por Nikopolidis, no gol. À sobriedade de Dellas. Ao comando de Zagorakis. Ao oportunismo de Charisteas. Enfim, à equipe grega. Que ainda olha a foto de Theodoros Zagorakis erguendo o Troféu Henri Delaunay como o maior momento da história de seu futebol.

Mostrar mais

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo

Bloqueador de anúncios? Aí é falta desleal =/

A Trivela é um site independente, que precisa das receitas dos anúncios. Desligue o seu bloqueador para podermos continuar oferecendo conteúdo de qualidade de graça e mantendo nossas receitas. Considere também nos apoiar pelo link "Apoie" no menu superior. Muito obrigado!