Eurocopa

Polônia/Ucrânia 2012: A fúria volta a reinar

A fórmula se repetia e mais uma vez a Eurocopa seria disputada em dois países. Polônia e Ucrânia levavam o torneio para o leste do continente. Seria uma organização com seus percalços, considerando os atrasos em algumas obras e mesmo o desafio logístico, já que os ucranianos não faziam parte da União Europeia. Discussões políticas sobre o governo da Ucrânia também gerariam boicote de alguns estadistas, insatisfeitos com o tratamento dos direitos humanos no país. Nas ruas, protestos do grupo Femen.

A anfitriã Polônia encabeçava o Grupo A, com uma equipe que se valia do bom momento do Borussia Dortmund, mas não era de todo expressiva. Kuba, Piszczek e o ainda ascendente Lewandowski lideravam o time, que ainda contava com o promissor goleiro Szczesny e o tarimbado zagueiro Wasilewski, além de Obraniak na armação. No restante, a chave reunia as sensações de outras edições recentes da Eurocopa.

A Grécia de Fernando Santos ainda contava com alguns remanescentes de 2004, como o capitão Karagounis e Katsouranis, seu parceiro no meio-campo. Também se valia de gente um pouco mais jovem como Torosidis, Sokratis e Samaras, além do artilheiro Gekas. Mas não era tão forte quanto nos tempos de Otto Rehhagel. A Rússia ainda tentaria repetir o impacto de 2008 com um time que seguia com os mesmos protagonistas, a exemplo de Arshavin, Pavlyuchenko, Akinfeev, Zhirkov e Zyryanov, adicionando gente do calibre de Kerzhakov e Denisov. E a República Tcheca ainda tinha Petr Cech no auge, mas Rosicky perseguido pelas lesões e Baros cada vez mais no ostracismo. Plasil seria uma peça importante para organizar o meio.

Logo na abertura, a Euro 2012 teve sua dose de emoção. E não foi dessa vez que a Grécia aprontou na primeira partida, contra a Polônia. Lewandowski abriu o placar de cabeça e a situação melhorou aos anfitriões, quando Sokratis foi expulso no final do primeiro tempo. Já na volta do intervalo, Salpingidis saiu do banco para deixar tudo igual. Mas quando parecia que os poloneses entregariam o resultado a um adversário com 10 homens, um herói inesperado apareceu: o goleiro reserva Tyton. Aos 25, Szczesny cometeu pênalti e foi expulso. Tyton entrou e pegou a cobrança de Karagounis, determinando o empate por 1 a 1. Já a Rússia se mostrava disposta a repetir 2008, goleando a República Tcheca por 4 a 1, com dois gols do meteórico Dzagoev.

Os tchecos se reergueriam no segundo compromisso, batendo a Grécia por 2 a 1. Os dois gols foram anotados logo nos seis primeiros minutos. Rosicky comandou sua equipe. Em contrapartida, a Rússia começava a esfriar, com o empate por 1 a 1 diante da Polônia. E os russos acabaram eliminados na primeira fase da competição.

A Grécia ficou com a vaga graças à vitória por 1 a 0 sobre a Rússia na terceira rodada, com tento do interminável Karagounis. As duas equipes terminaram com quatro pontos e, como confronto direto é o que vale como principal critério de desempate à Uefa, os gregos passaram. O passeio dos russos na abertura não adiantou de nada, enquanto a República Tcheca não só se recuperou, como também acabou com a liderança da chave. Os tchecos despacharam a anfitriã Polônia. Milan Baros definiu o triunfo por 1 a 0.

O Grupo B carregava a pecha de “grupo da morte”. E não poderia ser por menos, com a Holanda saindo do vice mundial em 2010 para se colocar como cabeça de chave. A Oranje preservava seus grandes heróis, com Van Persie artilheiro da Premier League, enquanto Sneijder perdera espaço na Inter e Robben era questionado por falhar na final da Champions com o Bayern. Havia ainda medalhões como Van Bommel, Heitinga e Stekelenburg na espinha dorsal de Bert van Marwijk, além de opções da estirpe de Kuyt, Huntelaar e Van der Vaart.

A Alemanha de Joachim Löw perseguia um troféu à sua excelente geração. Nomes como Özil, Müller e Neuer se viam mais prestigiados ao lado dos tarimbados Lahm, Schweinsteiger e Podolski. Mario Gómez começou no ataque, mas Klose estava à espreita. E outras opções ascendiam, a exemplo de Hummels, Reus, Götze e Kroos. Não era uma equipe totalmente pronta, mas tinha sua força.

Já Portugal de Paulo Bento não tinha ido bem na Copa de 2010 e via uma boa oportunidade de dar a volta por cima. Cristiano Ronaldo era mais aclamado do que nunca por sua fase no Real Madrid. Tinha ao lado escudeiros como Nani, João Moutinho e Raul Meireles. Pepe liderava a zaga lusitana, ao lado de Bruno Alves. Já a Dinamarca corria por fora, outra vez sorteada em grupo duro, em que Christian Eriksen não parecia suficiente para garantir um bom verão a Morten Olsen.

O jogão da primeira rodada ficou por conta do Alemanha x Portugal. A Mannschaft sofreu, mas venceu por 1 a 0. Mario Gómez marcou de cabeça aos 27 do segundo tempo e os alemães deram sorte, com duas bolas dos tugas na trave. Já a Holanda decepcionou. Ou melhor, a Dinamarca surpreendeu: 1 a 0, com um belo gol de Krohn-Dehli. A Oranje teve volume de jogo, mas não eficiência.

A Alemanha se aproximou da classificação ao superar também a Holanda, por 2 a 1. Os alemães fizeram grande primeiro tempo, com dois gols de Gómez, além de grande atuação de Schweinsteiger. A Oranje pressionou no final, mas só descontou, com Van Persie. Portugal se reergueria no outro jogo da rodada com uma emocionante vitória por 3 a 2 sobre a Dinamarca. Abriu dois tentos de vantagem, cedeu o empate com dois tentos de Bendtner a dez minutos do fim e via Ronaldo perder gols feitos – numa noite em que gritos de “Messi” ecoaram nas tribunas. Quem surgiu como salvador foi Silvestre Varela, com o tento da vitória aos 42 do segundo tempo.

Fechando o Grupo B, a Alemanha manteve os 100% de aproveitamento ao fazer sua parte e vencer a Dinamarca por 2 a 1 – poupando parte dos titulares. O interesse, de qualquer forma, ficava ao que acontecia no Portugal e Holanda. Cristiano Ronaldo encerrou a melancólica participação da Oranje, brilhando na virada por 2 a 1. Precisando de uma vitória por dois gols de diferença para avançar, os holandeses até saíram na frente com Van der Vaart. Mas Ronaldo colocou a bola sob os braços e resolveu, com dois gols. O craque dava as caras na Eurocopa.

O Grupo C prometia um favoritismo claro, com Espanha e Itália brigando pela liderança. Campeã da Euro 2008 e da Copa 2010, a Roja estava um passo à frente, claro. Vicente del Bosque mantinha o fortíssimo sistema defensivo, apesar da lesão de Puyol. Piqué e Ramos ocupavam o miolo de zaga, Alba era um lateral esquerdo mais confiável, Casillas mantinha a braçadeira de capitão. No meio, a consistência conhecida com o trio Busquets, Xavi e Xabi Alonso. O que não se resolvia era o ataque. Iniesta e David Silva eram intocáveis nas pontas. Mas, com Villa ausente por contusão e Torres em sua draga, Fàbregas seria improvisado diversas vezes como o falso 9.

A Itália precisava se reerguer da decepção na Copa de 2010 e de novo tinha problemas com escândalo de apostas no país. Dentro de campo, pelo menos, Cesare Prandelli montou uma equipe equilibrada. Não poderia ser diferente, com Buffon no gol, além de um trio defensivo composto por Chiellini, Barzagli e Bonucci – com De Rossi jogando de líbero nas primeiras partidas. Pirlo orquestrava o meio, com a companhia valorosa de Marchisio. Já na frente, os bad boys Balotelli e Cassano eram os favoritos.

Corria por fora a Croácia de Slaven Bilic, já com bons valores representados por Srna, Modric, Rakitic, Perisic e Mandzukic. Eduardo da Silva era outra alternativa no ataque. Ainda não dariam liga naquele momento. E um pouco mais abaixo estava a Irlanda, sob a tutela de Giovanni Trapattoni, com os intermináveis Robbie Keane e Duff emprestando a experiência.

Não seria a primeira rodada a definir o líder. Espanha e Itália estrearam com um jogo movimentado, no qual prevaleceu a igualdade por 1 a 1. A Roja trabalhava os passes, a Azzurra se defendia e contra-atacava. A estratégia italiana deu mais certo e um grande passe de Pirlo a Di Natale rendeu o primeiro gol. O empate, ao menos, não tardou, num chute de Fàbregas. Poderia até rolar a virada, mas Torres perdoou. A liderança ficava com a Croácia, que venceu por 3 a 1 a Irlanda, com dois gols de Mandzukic.

A Espanha começaria a despontar à liderança depois de golear a Irlanda por 4 a 0. Torres ganhou uma chance entre os titulares e correspondeu com dois gols. O domínio foi total, em noite que também teve tentos de Silva e Fàbregas. Pior à Itália, que até contaria com um gol de falta de Pirlo para sair na frente, mas cedeu o empate por 1 a 1 à Croácia, com Mandzukic deixando sua marca na etapa complementar.

Aqueles resultados definiriam o Grupo C. Na última rodada, a Espanha passou aperto contra a Croácia, mas venceu por 1 a 0, com um gol de Jesús Navas no apagar das luzes. A Itália também não foi brilhante, pelo menos garantindo a segunda posição com o triunfo por 2 a 0 sobre a Irlanda. Balotelli saiu do banco e fez um golaço de voleio, dando sua resposta após ser vítima de cânticos racistas contra os croatas.

O Grupo D, por fim, trazia dois favoritos escancarados. Mas não tão confiáveis, especialmente a França, sempre incendiária em seus vestiários. Laurent Blanc era quem domava as rédeas naquela vez. Ribéry, Benzema e Nasri compunham o tridente ofensivo, mas o time não mantinha a mesma qualidade nos outros setores, onde Malouda e Evra surgiam como referências. Lloris usava a braçadeira no gol.

A Inglaterra chegava em turbulência. Fabio Capello pedira demissão meses antes, após a FA tirar a braçadeira de capitão de Terry por caso de racismo. Roy Hodgson assumiu e precisou se virar com a suspensão de Rooney no início da campanha e com o corte de Lampard por lesão. Era um time cheio de jovens, mas nem por isso tão cativante. Nomes como Welbeck e Ashley Young povoavam o 11 inicial. Gerrard e Ashley Cole carregavam as expectativas de outros tempos.

A anfitriã Ucrânia vivia o adeus de Shevchenko, com Voronin e Tymoshchuk representando a velha guarda, mas também o surgimento de Konoplyanka e Yarmolenko. Já a Suécia era de Ibrahimovic na frente, resguardado por bons coadjuvantes como Källström, Sebastian Larsson, Mellberg e Rosenberg.

As duas potências se pegaram logo de cara. Empataram em 1 a 1. A França dominou durante boa parte do tempo, mas precisou buscar o prejuízo depois que Lescott fez o primeiro. Nasri igualaria. A grande história, todavia, ficaria ao Ucrânia 2×1 Suécia. Ibra abriu o placar, mas Shevchenko mostrou quem mandava. Com 35 anos, o ídolo balançaria as redes duas vezes para permitir a vitória de seu país.

Com segurança, a França não se intimidou com Shevchenko e venceu a Ucrânia por 2 a 0 na segunda rodada. O jogo em Donetsk precisou ser paralisado por conta de uma forte tempestade. Nada que atrapalhasse a superioridade dos Bleus, com gols de Ménez e Cabaye, ambos servidos por Benzema. A Inglaterra manteria o ritmo, mas suou para vencer da Suécia por 3 a 2, em noite de duas viradas. Theo Walcott mudou a história do duelo ao sair do banco. Fez o do empate e cruzou para Welbeck definir o placar de letra.

E a Inglaterra, de maneira até surpreendente, conduzida por um excelente Gerrard, ficaria com a primeira posição. Na volta de Rooney ao time, o atacante assinalou o gol que assegurou o placar de 1 a 0 sobre a Ucrânia, com grande colaboração de Pyatov. O clima favorável ao redor da França começou a ruir com a derrota por 2 a 0 para a já eliminada Suécia, com direito a um golaço de voleio de Ibra. Com quatro pontos, os Bleus avançaram na conta do chá.

Definidos os classificados, as quartas de final previam dois clássicos e dois duelos com francos favoritos. Portugal era um deles e fez sua parte contra a República Tcheca. Cristiano Ronaldo crescia na competição e deu a vitória por 1 a 0 aos tugas. O camisa 7 tentou muito e chegou a carimbar a trave duas vezes, até resolver com um cruzamento de João Moutinho. A ótima fase de Petr Cech não seria suficiente para sustentar os tchecos.

Já a outra favoritaça era a Alemanha, diante da Grécia. Löw mudou a equipe titular, com as boas participações de Reus e Klose. As escolhas deram certo e o Nationalelf se impôs com autoridade, ganhando por 4 a 2. O primeiro tempo já teve amplo domínio dos alemães, para Lahm inaugurar o marcador. Samaras até empatou num contra-ataque durante o início do segundo tempo, mas a resposta seria dura. Antes dos 30 minutos, viriam mais três tentos com Khedira, Klose e Reus. Özil foi outro a arrebentar. Só no fim Salpingidis voltaria a descontar, de pênalti.

Os melhores jogos ficaram para depois. A Espanha manteve seu ritmo e cozinhou o galo da França nos 2 a 0 de Donetsk. O domínio da Roja seria amplo, com os Bleus fechados na defesa. Não evitaram o gol de Xabi Alonso logo aos 18 minutos, cabeceando cruzamento da Alba. Com a vantagem no placar, os espanhóis seguiram pressionando mais e só no segundo tempo os franceses saíram ao ataque, com dificuldades para arrematar. No fim, um pênalti permitiu que Xabi Alonso se confirmasse como protagonista. Era o 100° jogo do volante pela seleção. Barrado do time titular, Nasri ainda causou confusão depois ao brigar com jornalistas e mostraria como o ambiente permanecia como um entrave à França.

Por fim, a Itália se tornou a última classificada ao infligir o trauma dos pênaltis outra vez à Inglaterra. Apesar do 0 a 0 no placar, seria uma partida com muitas chances. De Rossi carimbou a trave logo no início, enquanto Buffon e Hart trabalhavam bem. Regidos por Pirlo, os italianos tinham o domínio, mas sem acertar o pé. Na prorrogação, a falta de eficiência persistiu e os dois times teriam que decidir na marca da cal. Montolivo até perdeu antes, para fora, mas logo depois Ashley Young carimbaria o travessão. Pirlo calou as provocações de Hart com uma cavadinha inesquecível. E quem possibilitou a classificação foi Buffon, pegando o tiro de Ashley Cole. Definiu o triunfo por 4 a 2.

Na primeira semifinal, em Donetsk, a Espanha possuía o rótulo de algoz de Portugal ao eliminar os vizinhos na Copa de 2010. A frustração dos tugas se repetiria, com nova queda, agora nos pênaltis. Vicente del Bosque apostou em Negredo no comando de seu ataque para aquela ocasião. Já os portugueses, também descontentes com seu centroavante, confiariam em Hugo Almeida no lugar de Hélder Postiga. Nenhum deles seria capaz de mudar o 0 a 0 nos 120 minutos.

Seria um jogo tenso, de poucas chances de gol, em que a marcação adiantada de Portugal complicava a vida da Espanha – com grande partida de Pepe. Cristiano Ronaldo e Iniesta perdoaram nas melhores oportunidades. No segundo tempo, os lusitanos incomodavam mais e Ronaldo seguia como a principal ameaça. Somente na prorrogação é que a Roja melhorou, mas Rui Patrício fazia milagres sob os paus. Nos pênaltis, o goleiro pegaria logo o primeiro chute de Xabi Alonso. Mas a Espanha tinha Casillas, que compensou ao parar João Moutinho. Todos converteram até que Bruno Alves carimbasse o travessão. Fàbregas marcou no último penal da Espanha, definiu a vitória por 4 a 2 e sequer deixou Ronaldo bater o seu – com o craque bradando “injustiça” a quem quisesse ver no telão.

Já em Varsóvia, a freguesia da Alemanha nos grandes jogos contra a Itália seria reafirmada. E o placar de 2 a 1 confere uma falsa impressão de equilíbrio, num duelo no qual a Azzurra sobrou. Foi o jogo da vida de Balotelli, em sua famosa comemoração ao tirar a camisa e responder aos racistas que o atacaram na fase de grupos. Noite infeliz dos alemães, especialmente pelas escolhas de Löw, que tirou alguns jogadores que vinham bem das quartas (Reus e Klose), sem obter o mesmo resultado com Gómez e Podolski.

A Alemanha até começou melhor o jogo e esbarrou na Itália. Aos 20 minutos, o duelo começou a mudar quando Cassano girou e cruzou para Balotelli marcar de cabeça. A Azzurra se defendia bem e tocava com eficiência. Já na segunda etapa, com o desespero da Mannschaft, os italianos tiveram os contragolpes a seu favor. Criaram várias chances, até que Balotelli assinasse uma pintura aos 36. Lançado por Montolivo, o atacante encheu o pé e mandou a bola na gaveta de Neuer. Özil descontou nos acréscimos, cobrando pênalti, o que era uma nota de rodapé.

Espanha e Itália se enfrentariam na final em Kiev. Pelo retrospecto recente, a Roja parecia ter vantagem após os títulos na Copa de 2010 e na Euro de 2008. A Azzurra, ainda assim, sabia o caminho das pedras com remanescentes do tetra em 2006 e via um Pirlo em estado de graça. Depois do empate na primeira rodada, era possível ter um jogo equilibrado no Estádio Olímpico. Não foi o que aconteceu. Naquela que talvez seja a maior partida dos anos áureos dos espanhóis, o time de Vicente del Bosque pulverizou os italianos. O tiki-taka jogou por música na goleada por 4 a 0.

Para a final, a Espanha voltava a utilizar Fàbregas como homem centralizado no ataque. A movimentação do meio-campista improvisado seria importante, especialmente à atuação de Iniesta. Já a Itália vinha com a equipe completa e calcada em Pirlo, mas não seria isso que evitaria a decepção do time de Cesare Prandelli, envolvido pelos ibéricos.

O primeiro tempo seria relativamente equilibrado, embora o primeiro gol tenha saído logo cedo. Aos 13 minutos, depois de um passe de Iniesta a Fàbregas, o falso 9 cruzou para David Silva completar. Chiellini saiu machucado logo depois e a Azzurra até possuía mais posse de bola, mas sem superar Casillas. A impressão de que a reação italiana se tornaria impossível veio aos 41, num raro contra-ataque espanhol. Xavi enfiou e Alba arrancou pela esquerda, finalizando com categoria para superar Buffon. Dava tranquilidade antes do intervalo.

E, no segundo tempo, tudo deu errado à Itália. Prandelli tirou Cassano para botar Di Natale e queimou sua terceira substituição pouco depois, com Thiago Motta na vaga de Montolivo. O volante se lesionou com poucos minutos e a Azzurra teria que se virar com um a menos. A Espanha, que já dominava, brilharia mais. Em saída de bola errada, Xavi passou para Torres (que saíra do banco) marcar o terceiro aos 39. Já o golpe de misericórdia veio aos 43, com Torres servindo Mata, outro a entrar apenas no final. Era uma coroação inquestionável da Roja.

Pela primeira vez, uma seleção europeia emendava três títulos consecutivos nos grandes torneios. Aquela aura até poderia não durar mais tanto tempo, mas não havia quem questionasse a Espanha. Iniesta, mesmo sem balançar as redes, seria merecidamente eleito o craque da competição por sua coleção de dribles e passes.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo