Eurocopa 2024

O balanço da primeira fase: o que de melhor aconteceu até agora na Eurocopa

A primeira fase da Eurocopa chegou ao fim. Foram 36 partidas de bola rolando para definir os 16 classificados às oitavas de final. A expectativa é que o bicho finalmente comece a pegar na França, depois de quase duas semanas que ficaram devendo um pouco em emoção e futebol.

Temos dois dias de folga até o começo do mata-mata, no sábado, que são boas oportunidades para refletirmos sobre o que aconteceu até agora. Por isso, fizemos um pequeno balanço da fase de grupos, que você confere abaixo.

Os favoritos
A Itália classificou-se às oitavas de final (Foto: AP)
A Itália classificou-se às oitavas de final (Foto: AP)

Antes de a primeira bola rolar em campos franceses, os favoritos mesmo para vencer a Eurocopa eram o time da casa e a campeã mundial Alemanha, com a Bélgica e a Espanha um pouco menos cotadas.

À medida que a primeira fase foi se desenvolvendo, a lista não ficou necessariamente mais larga, mas a Itália mostrou força. Garantiu a liderança do seu grupo com uma rodada de antecedência, vencendo a Bélgica, e se deu ao luxo de poupar jogadores na partida final. Chega às oitavas descansada para enfrentar a Espanha.

Será um páreo duro. Depois da decepção da Copa do Mundo do Brasil, a Espanha parece estar buscando o ponto ideal entre o alívio de não ser mais considerada favorita e a vontade de recuperar o seu orgulho. Foi o primeiro time a ganhar por três gols de diferença na Eurocopa e também passeou nos dois jogos iniciais.

Preocupa os espanhóis a derrota para a Croácia, que desempenhou um bom futebol até aqui. Perisic foi um dos destaques da primeira fase, com dois gols, e o meio-campo está voando, liderado por Rakitic e Modric. Está na chave menos tradicional do mata-mata. Enfrenta Portugal, o vencedor de Suíça x Polônia e estaria nas semifinais, contra, no máximo, a Bélgica. Tem bola e caminho para fazer um bom torneio, superando a campanha de quartas de final de 2008, seu melhor resultado.

Os croatas estão no mesmo lado da Bélgica, com um possível encontro nas semifinais. Os belgas perderam a estreia para a Itália, venceram bem a Irlanda e se acomodaram contra a Suécia. Precisam subir de nível para justificar a badalação.

O mesmo vale para os favoritos originais, que não fizeram nada além do básico. Tropeçaram ao menos uma vez e ganharam sem empolgar. A França arrancou duas vitórias com gols nos últimos minutos. A Alemanha só não perdeu da Polônia porque Milik desperdiçou duas grandes chances.

Ainda não ficou claro quem tem mais garrafas vazias para vender na Eurocopa.

A decepção
Alaba é consolado após a eliminação da Áustria (Foto: AP)
Alaba é consolado após a eliminação da Áustria (Foto: AP)

Temos bons candidatos. Portugal não ganhou um jogo ainda, mas pelo menos se classificou às oitavas de final e tem chance de reverter o seu quadro. A Ucrânia foi eliminada com três derrotas, cinco gols sofridos e nenhum marcado, mas qual era realmente a expectativa em cima dela?

No entanto, esperava-se um bom futebol da seleção austríaca, ainda mais em uma chave acessível. O time de Alaba e Arnautovic até empatou com o favorito Portugal, mas perdeu da Hungria e da Islândia, ficou com um ponto, na lanterna do grupo. Olha o lado bom: liderou a nossa lista de decepções da Eurocopa.

A despedida
Ibrahimovic despede-se da seleção sueca (Foto: AP)
Ibrahimovic despede-se da seleção sueca (Foto: AP)

Zlatan Ibrahimovic e sua Suécia escaparam por pouco do pódio de decepções, mas achamos por bem destacar que a derrota por 1 a 0 para a Bélgica foi a última partida do atacante pela sua seleção. Ibra, um dos melhores jogadores do mundo nos últimos anos, despede-se dos palcos internacionais sem ter feito um grande torneio pela sua seleção. O melhor foi a Eurocopa de 2004, quando chegou às quartas de final, mas ele ainda era jovem demais para ser considerado o dono do time. Fica o legado de muitos golaços, dos quais separamos dez aqui.

A torcida

A melhor atuação da primeira fase da Eurocopa foi da torcida irlandesa. Sempre com muita alegria (e álcool na veia), eles fizeram a festa na França. Trocaram pneu de velhinhos, cantaram para a polícia, surfaram no asfalto e colecionaram uma série de peripécias que juntamos neste post. Mas nada os define melhor do que a seguinte frase:

“Irlandês com máscara de cavalo marca gol em janela no segundo andar de prédio e leva a torcida à loucura”.

A Albânia
A comemoração da Albânia após sua primeira vitória (Foto: AP)
A comemoração da Albânia após sua primeira vitória (Foto: AP)

Depois de setenta anos de figuração, a seleção albanesa finalmente conseguiu classificar-se para uma grande competição internacional e não fez feio. Foi protagonista de belas histórias. A única vitória, sobre a Romênia, foi comemorada receberam passaportes diplomáticos depois dela, tornando-se, quase oficialmente, embaixadores do país.

E quer uma imagem mais simbólica do que a mãe de Granit e Taulant Xhaka – o primeiro atleta da Suíça, o segundo da Albânia – usando uma camisa com as duas bandeiras, na partida em que seus filhos estiveram em campo, um contra o outro?

Pausa

Uma pequena pausa para jogarmos Football Manager com Griezmann, craque da seleção francesa e grande entusiasta do jogo. Depois de ser pego fuçando no Chelsea, confirmou que treina o Lyon no joguinho virtual.

O herói
Bale comemora, com Ramsey, gol de Gales
Bale comemora, com Ramsey, gol de Gales

Toni Kroos talvez tenha tido as melhores atuações individuais, mas Gareth Bale cumpriu o seu papel de líder, craque e capitão de País de Gales. Marcou três gols, um em cada partida da fase de grupos, e carregou sua nação à classificação histórica às oitavas de final. Contra a Irlanda do Norte, um adversário bem acessível, precisa assegurar que o conto de fadas ainda não chegue ao fim.

A surpresa

Olha que metade da torcida que compareceu aos jogos para ver o time jogar. Mais de 8% da população do país foi à França acompanhar a primeira participação da seleção islandesa em uma grande competição internacional.

E dentro de campo, a nação com dimensões comparáveis às de Taubaté está longe de fazer feio. Defendendo com qualidade e sabendo quando atacar, a Islândia empatou seus dois primeiros jogos por 1 a 1 e se classificou às oitavas de final em segundo lugar no grupo com a vitória sobre a Áustria, com gol nos acréscimos. Suficiente para um narrador islandês perder a cabeça.

Cristiano Ronaldo

O mais famoso craque da Eurocopa demorou para brilhar. Antes de dar uma assistência e fazer dois gols no decisivo empate contra a Hungria, tudo que fez colecionar polêmicas. Menosprezou o microfone de um repórter em um lago. E mesmo durante a partida contra os húngaros, teve esta reação que só podemos chamar de “piti”. Portugal precisa que ele coloque a cabeça no lugar e se acalme para chegar longe na Eurocopa.

 

Cenas lamentáveis
Cenas de violência envolvendo russos e ingleses em Marselha (Foto: Jean-Paul Pelissier/Reuters)
Cenas de violência envolvendo russos e ingleses em Marselha (Foto: Jean-Paul Pelissier/Reuters)

Os primeiros conflitos entre torcidas aconteceram em Marselha, onde a combinação de russos, ingleses e ultras do Olympique foi previsivelmente desastrosa, embora as forças de segurança da França parecessem surpresas com os problemas. A Uefa chegou a ameaçar excluir a Rússia e a Inglaterra da Eurocopa, se os seus torcedores continuassem causando confusão.

A Federação Croata também fez a entidade europeia se mexer, depois de alguns de seus torcedores lançarem objetos ao campo e usarem fotos de artifício na partida contra a República Tcheca, tudo isso acompanhado de comportamento racista. Multa de € 100 mil, ou, no popular, bala de troco.

Os golaços

Dimitrit Payet – França 2 x 1 Romênia

 

Marek Hamsik – Eslováquia 2 x 1 Rússia

 

Luka Modric –Croácia 1 x 0 Turquia

 

O jogaço

De um lado, Portugal, que poderia ser eliminado tragicamente na primeira fase. No outro, a grata surpresa que foi a Hungria. E Cristiano Ronaldo finalmente resolveu jogar. Todos esses elementos fizeram desse empate por 3 a 3, na rodada final da fase de grupos, o melhor jogo da Eurocopa até aqui.

Gera abriu o placar para os húngaros, em jogada de escanteio, mas Nani, com passe de Ronaldo, empatou. Dzsudzsák, no começo do segundo tempo, cobrou falta e contou com um desvio para fazer 2 a 1 para a Hungria. Ronaldo empatou de letra. Dzsudzsák voltou a marcar, com um chute de fora da área – que desviou uma segunda vez na zaga portuguesa. E Ronaldo, de cabeça, fechou o placar.

As melhores comemorações

A Hungria superou expectativas nesta Eurocopa, com uma campanha invicta na fase de grupos: uma vitórias e dois empates. Classificou-se em primeiro lugar no grupo. Tem o seu goleirão de calça de moletom, um verdadeiro tiozão do churrasco, e uma maneira muito bacana de comemorar os gols. Sempre se abraçam, mostrando que são um grupo unido, e às vezes correm em direção à torcida.

Às vezes dá errado, como neste escorregão de Dzsudzsák no segundo gol contra Portugal. 

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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