Eurocopa

Numa partida repleta de belos gols e defesaças, a Suíça despachou a Turquia e mantém as chances entre os melhores terceiros colocados

A Suíça foi mais precisa e apostou na velocidade de sua linha de frente, dependendo agora dos outros grupos para avançar

Suíça x Turquia não era o jogo que chamava mais atenção na terceira rodada do Grupo A da Euro 2020. Porém, o duelo em Baku foi aquele que realmente valeu pelos 90 minutos diante da televisão. Nenhuma das equipes conquistou a classificação direta, mas o que não faltou foi emoção no jogaço. Precisando vencer de qualquer forma, a Turquia enfim realizou sua melhor atuação na Eurocopa. O que não seria suficiente, diante das defesaças de Yann Sommer e da maneira como sua zaga estava exposta. Melhor à Suíça, que venceu e agora tenta se meter entre os melhores terceiros colocados. Os helvéticos foram mais precisos no ataque e contaram com muita velocidade nas transições. Seferovic desencantou, Zuber deu três assistências, Shaqiri marcou dois e Xhaka orquestrou o meio-campo. Exibição animadora no triunfo por 3 a 1 dos suíços, em confronto que terminou com significativas 42 finalizações e 12 intervenções dos goleiros. Se durante a primeira etapa a Turquia ainda equilibrou, a Suíça sobrou para consolidar o resultado na segunda etapa.

As formações

A Suíça mudou seus alas em relação à derrota contra a Itália. Vladimir Petkovic repetia o 3-5-2, mas recuando Ricardo Rodríguez à trinca de zaga. Silvan Widmer e Steven Zuber seriam importantes nos lados. Enquanto isso, Xherdan Shaqiri permanecia na ligação, atrás de Breel Embolo e Haris Seferovic no ataque. Já a Turquia repetiu o 4-1-4-1 visto contra Gales, mas com novas peças. Merih Demiral voltava à zaga ao lado de Çaglar Soyüncü, com Mert Müldür na lateral esquerda. Kaan Ayhan entrava como volante. No quarteto de meias, Irfan Can Kahveci foi a novidade. Burak Yilmaz permanecia no comando do ataque.

A Turquia vai para cima, a Suíça abre o placar

Precisando da vitória a qualquer custo, a Turquia apresentou uma postura bem mais agressiva que nas outas partidas. Os turcos não tinham medo de arriscar, chutando bastante. Burak Yilmaz tentaria sem muito medo com perigo, antes que o goleiro Yann Sommer começasse a aparecer. Aos quatro minutos, o arqueiro realizou uma defesaça em batida de fora de Kaan Ayhan. A resposta da Suíça, porém, seria com o primeiro gol logo aos seis minutos. Num ataque rápido em que a bola girou da direita para a esquerda, Steven Zuber ajeitou e Haris Seferovic bateu cruzado. Acertou o cantinho, longe do alcance do goleiro Ugurcan Çakir.

Sommer aparece de novo

A Turquia sentiu o gol, até voltar a arriscar. De novo, Sommer evitaria qualquer reação. O goleiro iniciaria um duelo particular com Mert Müldür, lateral esquerdo turco. Quando o camisa 25 mandou uma batida cruzada, o arqueiro se desdobrou para operar um milagre. Era uma partida aberta, com alternâncias entre os times no ataque. Todavia, a Turquia repetia erros das primeiras partidas. Havia uma clara dificuldade na construção, sem muita aproximação entre os jogadores. Até por isso, a equipe não tinha pudores a arriscar.

O golaço de Shaqiri

A Suíça era menos agressiva que a Turquia, mas as transições funcionavam bem melhor contra uma defesa pouco segura e seu ataque conseguia ser bem mais preciso. Granit Xhaka era muito importante para iniciar a construção. E o segundo gol saiu aos 26. Num avanço rápido, Seferovic acabou travado. A sobra ficou com Zuber, que rolou para Shaqiri. O meia, então, caprichou demais na finalização: mandou um chute perfeito, com curva, que saiu do alcance do goleiro Çakir e morreu na gaveta. A situação ficava ainda mais interessante aos helvéticos, que poderiam aumentar suas chances com um saldo melhor. Ainda quase veio o terceiro num contragolpe aos 28, quando Shaqiri ficou na cara do goleiro e Çakir salvou com o pé.

Sommer impede a reação

Quando a Turquia tentava responder, esbarrava em Sommer. O goleiro continuaria causando o pesadelo de Müldür. O lateral mandou um foguete de fora da área aos 33 e o arqueiro buscou no cantinho. Os turcos seguiam chutando bastante de média distância. A Suíça também aparecia do outro lado e Breel Embolo arrematou com perigo para fora na sequência. Já o lance mais representativo da trocação veio aos 43. Primeiro, Çaglar Soyüncü travou o chute de Seferovic dentro da área. No contra-ataque, Müldür correu mais de 70 metros e fez fila na zaga helvética. Quando pisou na área para finalizar, todavia, seu tiro parou de novo em Sommer.

Çakir também começa a aparecer

O segundo tempo começou com uma Suíça mais interessada no jogo. A equipe precisava de mais dois gols para buscar a segunda colocação do Grupo A, considerando a derrota parcial de Gales, e partiu para cima. A velocidade da equipe nas transições funcionava muito bem. Zuber era muito ativo pelo lado esquerdo e teve espaço para dois chutes, mas em ambos mandou em cima de Çakir. A aceleração dos suíços abriam a defesa adversária e os lances de perigo se sucediam. Shaqiri mandou para fora em boas condições aos 11, antes de Ugurcan Çakir realizar sua primeira grande defesa no jogo. Seferovic fez fila e mirou o canto, mas o arqueiro buscou no cantinho, desviando com a ponta dos dedos.

Kahveci revive a Turquia

A Turquia parecia distante da necessária virada. Ainda assim, num raro ataque, conseguiu descontar aos 17. E foi outro bonito tento, após uma boa troca de passes pelo lado esquerdo da área. Irfan Can Kahveci recebeu com espaço, rabiscou para cima do marcador e mandou um chute cruzado. A bola saiu precisa de seu pé, encobrindo Sommer para morrer no alto da meta. Logo depois, Senol Günes realizou duas trocas na sua equipe, com as entradas de Yusuf Yazici e Okay Yokuslu, que iniciaram a Eurocopa como titulares. As esperanças dos turcos, todavia, não durariam muito tempo.

Shaqiri completa seu show

A Suíça não demorou a responder e a buscar o terceiro gol. Shaqiri seria o primeiro a aparecer num chute que Çakir espalmou. Logo depois, Embolo completou um cruzamento rasteiro e, pressionado, mandou para fora. Zuber também erraria o alvo na sequência. Com a Turquia se posicionando mais à frente, sobravam mais espaços às suas costas e a defesa lenta sofria com os contragolpes adversários. Assim, o terceiro tento veio naturalmente aos 23. Zuber descolou mais um passe açucarado, que cortou o campo e encontrou Shaqiri. O meia bateu de primeira e estufou as redes. Zuber, além do mais, se tornou o terceiro jogador a servir três assistências num mesmo jogo de Eurocopa.

Ainda quase sai o quarto

Com o resultado encaminhado, enfim, o jogo começou a cair de ritmo. A Suíça poupou forças, sacando Shaqiri e Seferovic aos 30, para as entradas de Mario Gavranovic e Ruben Vargas. Ainda assim, quase coube o quarto aos 32, numa cobrança de falta potente executada por Xhaka que estalou a trave. Na sequência, a Turquia responderia com um chute de Cengiz Ünder que raspou o travessão. Os minutos finais seriam um festival de alterações, sem muito impacto. A Turquia ainda insistia nas bolas aéreas, mas longe de qualquer reviravolta, numa campanha decepcionante.

A situação no Grupo A

A Itália avançou na liderança com nove pontos. A Suíça igualou os quatro pontos de Gales, mas levou a pior no saldo de gols, com a classificação direta ficando com os galeses. Ainda assim, os helvéticos têm chances consideráveis de passarem como um dos melhores terceiros colocados por sua pontuação. Já a Turquia sai da Euro zerada, muito aquém das expectativas geradas antes do torneio. Difícil imaginar que Senol Günes vá continuar no cargo, por mais que tenha começado bem nas Eliminatórias da Copa.

Ficha técnica

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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