Eurocopa

Nos últimos suspiros da prorrogação, a Ucrânia arranca a vitória contra a Suécia e faz história rumo às quartas

Ucrânia aproveitou a vantagem numérica e garantiu a classificação no fim da prorrogação, para encarar a Inglaterra

A Ucrânia escreve uma história inédita e completa o grupo de classificados às quartas de final da Euro 2020, com uma vitória arrancada nos últimos suspiros no Hampden Park. O duelo contra a Suécia alternou momentos eletrizantes e outros bastante sonolentos. E a chance de levar o jogo à prorrogação parecia favorecer os ucranianos, considerando o futebol superior dos suecos durante os 90 minutos. No tempo extra, uma expulsão deixou os escandinavos com um a menos. O embate se arrastava e tudo parecia encaminhar aos pênaltis. No entanto, no último minuto dos acréscimos do segundo tempo da prorrogação, Artem Dovbyk virou herói nacional. O atacante determinou a vitória por 2 a 1 e garantiu o time treinado por Andriy Shevchenko na próxima fase. A Inglaterra será o próximo desafio, no Estádio Olímpico de Roma. A campanha iguala o feito de 2006, quando os ucranianos alcançaram as quartas de final da Copa do Mundo.

As formações

A Suécia mantinha o 4-4-2, mas vinha com novidade para o ataque. Após se recuperar da COVID-19 e jogar bem contra a Polônia, Dejan Kulusevski acompanhava Alexander Isak no ataque. Emil Forsberg permanecia como principal peça na ligação, aberto pelo lado esquerdo do meio-campo. A Ucrânia veio desenhada num 3-5-2. Serhiy Kryvtsov era a novidade no miolo da zaga, enquanto Taras Stepanenko ocupava o meio. Oleksandr Zinchenko foi deslocado para a ala esquerda, com Andriy Yarmolenko e Roman Yaremchuk se combinando no ataque. Enquanto isso, Ruslan Malinovskyi acabava no banco de reservas.

Começo travado

Os primeiros minutos de jogo em Glasgow seriam travados. A Ucrânia começou um pouco mais com a iniciativa, mas sem progredir tanto. Quando a Suécia tentou responder, trabalhou melhor a bola, mas também acabaria bloqueada na hora de finalizar. O primeiro lance de real perigo seria dos ucranianos, aos 11. A equipe trabalhou bem os passes até que Yaremchuk recebesse a devolução de Yarmolenko e batesse cruzado. Robin Olsen fez grande defesa. Os suecos, de qualquer maneira, eram melhores na cadência e responderiam aos 19. Isak mirou o canto e seu tiro passou ao lado da trave.

Belo gol de Zinchenko

Em meio ao equilíbrio do jogo, a Ucrânia teve méritos por sua linda trama para sair em vantagem aos 27. O lance começou com uma ótima inversão de Shaparenko rumo à direita do ataque. Na sequência, Yarmolenko recebeu o passe e descolou um cruzamento sensacional de trivela. Zinchenko apareceu livre pelo lado esquerdo, nas costas da defesa, e chutou com violência. Olsen até tocou na bola, mas não conseguiu impedir o tento. O lance permitia que os ucranianos se resguardassem um pouco mais.

O empate de Forsberg

Na sequência do primeiro tempo, a Suécia precisou partir para cima. Já daria um susto aos 30, numa cobrança de falta de Sebastian Larsson. O veterano arriscou o chute da intermediária e quase surpreendeu Georgiy Bushchan, que se recuperou a tempo para salvar. Yarmolenko tentaria uma resposta na sequência, batendo para fora. Porém, os suecos apresentavam maior organização ofensiva e não viam os ucranianos responderem com bons contra-ataques. O jogo pendia aos escandinavos, com uma pressão que resultou no empate aos 43. Isak passou para Forsberg e o meia arriscou de fora da área. A bola desviou na marcação e saiu do alcance de Bushchan, morrendo nas redes. A situação ficava mais cômoda para os suecos rumo ao segundo tempo.

Uma bola na trave de cada lado

O segundo tempo pareceu começar num ritmo mais baixo, mas logo os espaços se tornaram maiores com os times atacando em velocidade. Sebastian Larsson seria o primeiro a arriscar de fora e mandou ao lado da meta. Logo depois, a Ucrânia construiu um bom contra-ataque e Yarmolenko rolou para Sydorchuk carimbar a trave. Já aos 11, a resposta seria de Forsberg, numa arrancada puxada por Isak. O atacante inverteu com o meia, livre na esquerda, e Forsberg chutou no capricho, mas também acertou o pé da trave. De qualquer maneira, a bola era dos suecos, que ainda teriam um cruzamento de Ludwig Augustinsson afastado na hora exata. Isak também mandaria para fora ao ser lançado nas costas da zaga, mas estava impedido. A reação de Andriy Shevchenko seria com mudança, botando Malinovskyi na vaga de Shaparenko.

Forsberg manda outra no travessão

A Suécia parecia ter mais força para a virada. Logo Bushchan precisou trabalhar, numa linda defesa em chute cruzado de Kulusevski, após cobrança de escanteio. A Ucrânia se resguardava mais e perdeu a chance de responder num contra-ataque que chegou limpo a Yarmolenko, mas o veterano chutou em cima de Olsen. E numa partida bem melhor que a encomenda, Forsberg de novo seria brecado pela trave aos 24. O camisa 10 limpou da esquerda para o centro e arriscou o chute da entrada da área: estalou o travessão, diante de um atônito Bushchan. O meia merecia melhor sorte, pela partidaça que fazia.

Times se poupam rumo à prorrogação

A metade final do segundo tempo perdeu ritmo, com as duas equipes contidas à intermediária. A Suécia realizou suas primeiras alterações aos 38, trocando seus laterais: Augustinsson e Mikael Lustig saíram, dando lugar a Emil Krafth e Pierre Bengtsson. Os oponentes pareciam num acordo para economizar energias rumo à prorrogação. Krafth chegou a gerar uma oportunidade ao lançar Kulusevski em profundidade, mas o atacante foi bloqueado na hora da finalização, aos 44. Ficaria nisso, com o duelo se encaminhando aos 30 minutos extras.

Suécia com um a menos

O primeiro tempo da prorrogação teria mais substituições e atendimentos médicos que bola rolando. Artem Besedin e Evgeny Makarenko entraram primeiro na Ucrânia, para as saídas de Yaremchuk e Stepanenko. Já a Suécia mudou seu ataque, com Robin Quaison e Marcus Berg nas vagas de Isak e Kulusevski, além de trocar Sebastian Larsson por Viktor Claesson no meio. E os suecos ficaram com um a menos aos nove minutos, num lance revisado pelo VAR. Marcus Danielson até foi na bola, mas acertou a sola no joelho de Besedin. Após o amarelo inicial, o árbitro mostrou o vermelho depois da revisão. Com isso, o lesionado Besedin logo saiu para a entrada de Viktor Tsygankov. Já os escandinavos recompuseram a zaga com Filip Helander, sacando Kristoffer Olsson. A Ucrânia até atacaria um pouco mais, mas seriam mais minutos para entrada dos médicos do que de jogo em si.

Parecia tudo encaminhado aos pênaltis

A Ucrânia voltou para o segundo tempo extra sem Yarmolenko, substituído pelo centroavante Artem Dovbyk. O jogo pouco fluía e a prorrogação se arrastava sem tantas emoções, com a impressão de que algo só aconteceria por algum erro. Quando os ucranianos tiveram uma brecha, Dovbyk bateu por cima, de frente para o gol, mas o fato de estar impedido ao menos atenuou seu erro. Os atendimentos médicos se seguiam, com a iniciativa da Ucrânia e muitas bolas na esquerda com Zinchenko, mas nada de espaços dados pelos suecos. Já a última troca da Ucrânia teve Bezus no lugar de Sydorchuk. Até parecia se preparar aos pênaltis.

E a Ucrânia vence

No último minuto da prorrogação, porém, a Ucrânia determinou a vitória por 2 a 1. Zinchenko recebeu com todo o espaço na lateral esquerda, rente à linha. O ala cruzou no capricho e Dovbyk foi muito bem na movimentação, ao se meter entre os zagueiros. Mergulhou para a cabeçada e determinou o triunfo. Ainda restaria mais um minuto de acréscimo e os suecos tentaram bombar a bola no ataque. Nada feito. A classificação era dos ucranianos, para encarar a Inglaterra nas quartas de final.

Ficha técnica

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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