Na Euro, o Brexit também venceu: Gales manda a Irlanda do Norte para casa
Pela segunda partida das oitavas de final da Eurocopa, Gales e Irlanda do Norte não corresponderam, em campo, à euforia que toma conta do Reino Unido e que é fruto da prevalência popular do “sim” ao Brexit. Tampouco ao entusiasmo dos espectadores presentes no Parc des Princes (lê-se torcida norte-irlandesa, que mesmo estando em minoria no estádio, era a mais animada). As duas seleções das três estreantes que se classificaram para a segunda fase do torneio provavelmente ficaram com inveja da Polônia e da Suíça por terem feito um jogo morno, e resolveram protagonizar 90 minutos sem grandes emoções.
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Depois do apito inicial, os galeses e norte-irlandeses até passaram a falsa ideia de que o confronto seria bastante disputado e empolgante. Isso porque até, mais ou menos, uns dez minutos de bola rolando, os dois times tinham gana de chegar ao ataque e pareciam que iam abrir o placar a qualquer momento. Não que a partida tenha se tornado desequilibrada depois disso, mas as chances ofensivas diminuíram, tanto que dá para contar nos dedos de uma única mão os lances de perigo no jogo inteiro. Aos 18 minutos da primeira etapa, Gales tinha tudo para sair na frente no marcador, e até conseguiu marcar, mas Ramsey estava mal posicionado e o bandeira invalidou o gol do meio-campista.
Os rumos do duelo só foram definidos, mesmo, faltando 15 minutos para o árbitro apitar o fim da partida. Bale recebeu um passe de Ramsey pela esquerda, cruzou na área para Robson-Kanu, McAuley tentou cortar, mas acabou empurrando a bola para o fundo da rede de sua própria equipe. 1 a 0 para Gales, resultado que apesar de não ter sido elástico e quase ter sido sem gols, colocou os Dragons nas quartas de final da Eurocopa. Feito inédito e histórico, já que os galeses nunca antes sequer haviam participado de uma edição do torneio.
Assim como na vitória do Brexit, em que o governo do País de Gales e a maior parte de sua população votaram pela saída do Reino Unido da União Europeia (e foi justamente essa a resolução), os galeses levaram a melhor diante da Irlanda do Norte (cujas autoridades se posicionam a favor da permanência britânica no bloco comunitário). Junto com eles, a Polônia também garantiu vaga na próxima fase. E, com isso, a Eurocopa vai terminar e não teremos o prazer de ver o famoso Will Grigg jogando, graças à teimosia do técnico Michael O’Neill (que, por não colocá-lo em campo, “merece o título de pior treinador do mundo”).
Gales 1×0 Irlanda do Norte
Gales: Hennessey, Chester, Ashley Williams e Ben Davies; Gunter, Allen, Ledley (Jonathan Williams), Ramsey e Neill Taylor; Bale e Vokes (Robson-Kanu). Técnico: Chris Coleman
Irlanda do Norte: McGovern, Hughes, McAuley (Magennis), Cathcart e Jonny Evans; Jamie Ward (Washington), Steven Davis, Corry Evans, Norwood (McGinn) e Dallas; Lafferty. Técnico: Michael O’Neill
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