Eurocopa

‘Me lembra Gerrard’: Southgate enche a bola de astro da Inglaterra

Técnico da Inglaterra destaca amadurecimento de Jude Bellingham, e valoriza o fato do meia do Real Madrid não jogar na Premier League

É inegável a evolução da Seleção Inglesa desde a chegada de Gareth Southgate. A equipe chegou à quarta posição da Copa de 2018, foi vice da Eurocopa de 2020, e parou nas quartas de final contra a França em 2022, com seu grande astro perdendo um pênalti. E nesses quase 8 anos do técnico, Jude Bellingham foi provavelmente o jovem que causou maior impacto na forma como os Three Lions jogam.

Em entrevista concedida a veículos europeus como L’Equipe, Frankfurter Allgemeine Zeitung e Bild, o treinador falou sobre a importância do jogador, e como o Real Madrid vem sendo essencial para o amadurecimento dele, que tem apenas 20 anos, pouco antes do início da Eurocopa.

– Já houve uma mudança quanto ao seu posicionamento em campo, uma vez que ocupa uma função diferente no Real Madrid. Depois, as conversas que tive com ele foram sobre o fato de ele agora viver em um mundo diferente. Ele ainda é muito jovem, administra tudo isso muito bem, mas sua vida não pode ser a de um jovem de 20 anos que pode ir aonde quiser, fazer o que quiser. Joguei (pela seleção) com David Beckham, que vivia em um mundo diferente. Este mundo é o de Jude hoje.

Semelhanças com Gerrard

Mesmo reconhecendo que nos últimos meses Bellingham teve uma queda de rendimento pelo time merengue, Southgate ressaltou que ele é capaz de mudar uma partida em um lance, e o comparou com seu ex-companheiro de Seleção Inglesa.

– Ele não parecia sofrer com isso, mas não seria anormal se ele tivesse dificuldade em processar [a adaptação a um novo país e clube]. Principalmente porque sua estreia no Real foi de alto nível. Aí ele se machucou [uma torção no tornozelo esquerdo em fevereiro], de qualquer maneira não foi possível para ele manter esse nível durante toda a temporada. Jude me lembra Steven Gerrard. Mesmo quando o adversário dá a impressão de ter o controle da partida, jogadores como eles são capazes de virar o jogo. Através de sua mentalidade, eles influenciam seus companheiros de equipe.

Southgate também vê em Bellingham um atleta com características de liderança em seu time, e crê que seu amadurecimento como atleta passa por ele jogar na Alemanha e agora na Espanha, nunca tendo sido um astro de um clube da Premier League. Pelo menos não ainda.

– Acho que viajar e morar em outros países tem sido bom para ele. De certa forma, ele continua relativamente pouco conhecido na Inglaterra, mesmo que obviamente todos saibam o quão forte ele é. Mas, quando volta a jogar pela seleção, desperta uma excitação particular, que não existiria se jogasse por um clube da Premier League.

Inglaterra é favorita para a Eurocopa?

Sobre a competição em si, Southgate tem consciência que a Inglaterra é uma das favoritas a vencer a competição. Mas, ao mesmo tempo, etentou tirar a responsabilidade do ombro de seus jogadores para a conquista de um título inédito para os Three Lions.

– Não creio que alguém concorde sobre qual seleção será a principal favorita para esta Eurocopa. Poderia ser França, Portugal, Alemanha… Oito das dez melhores seleções do mundo são europeias [conforme o ranking da FIFA]. E num único jogo a Croácia pode vencer a Itália, a Espanha pode vencer a Holanda. Estas seleções são de um nível muito próximo. Por isso aceitamos a ideia de que podemos ganhar a Euro.

Mesmo assim, ele sabe do tamanho do peso dessa competição para os torcedores da Inglaterra, e inclusive admite que caso não seja campeão, a Eurocopa de 2024 poderá ser sua última competição à frente da seleção de seu país.

– Se não vencermos, há uma boa chance de eu não permanecer no cargo. Mas essa é a natureza do futebol: depois de cada torneio, metade dos treinadores são substituídos. Como estou aqui há oito anos, o fim está cada vez mais próximo para mim. Eu sei que não posso ficar na frente do público e dizer: ‘Eu só queria poder ficar mais um pouco’.

Foto de Vanderson Pimentel

Vanderson Pimentel

Jornalista formado em 2013, e apaixonado por futebol desde a infância. Em redações, também passou por Estadão e UOL.
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