Eurocopa 2024

Mais que camisa, Itália jogou como a gigante que é para despachar a Espanha

Ver a Itália jogar muita bola contra outro time grande pode levar a pensar que alguns times têm uma mística própria, que suas camisas envergam o varal. O problema é que isso é muito pouco para falar de um jogo de futebol, com sua alta dose de complexidade. A vitória da Itália sobre a Espanha, nas oitavas de final da Eurocopa, foi muito mais que uma seleção de camisa eliminando outra. Foi o triunfo de um time muito bem armado, que soube fazer o seu jogo, atacar, ser perigoso, criar perigo ao adversário e, sim, se defender muito, mas muito bem, calcado em alguns dos melhores defensores do mundo.

O que se viu no Stade de France, em Paris, foi uma Itália brilhantemente preparada por Antonio Conte para enfrentar o seu adversário. Não teve um ônibus estacionado, tampouco a Espanha teve uma má atuação. Foi o desempenho gigante dos italianos, técnico, tático, físico e emocional, que levou ao placar por 2 a 0. Uma vitória que, sim, é épica e vale toda a comemoração que os italianos fizeram. Porque foram melhores em campo, antes de qualquer coisa.

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O confronto se desenhava com a Espanha como favorita, mas sabemos que, no fim, isso vale pouco na hora que a bola rola. Ainda mais quando se trata de um confronto entre Espanha e Itália, campeões do mundo. Aliás, no caso da Itália, tetracampeã do mundo.  E isso é importante ser ressaltado porque a atuação da Itália em Saint Denis pode ser descrita desta forma: como o de uma seleção que já levantou a taça da Copa do Mundo quatro vezes.

O começo do jogo da Itália, aliás, parecia uma locomotiva. Foram vários ataques consecutivos levando perigo. Logo a oito minutos, Pellè teve uma a chance e De Gea fez uma grande defesa. Logo depois, Giaccherini deu uma meia bicicleta e quase marca um golaço. De novo, o goleiro espanhol fez uma excelente defesa.

Aos 33 minutos, em uma cobrança de falta na entrada da área, a Itália finalmente conseguiu passar por De Gea. Eder chutou forte em cima do goleiro, que não segurou a bola, espalmou errado, viu Giaccherini dividir e a bola sobrar para Chiellini mandar para as redes. A Azzurra estava na frente no placar.

Pouco depois do gol, a Espanha não reagiu. Foi a Itália que quase voltou a balançar a rede. Mais uma vez atuando com muita velocidade nos seus ataques e aproveitou o espaço deixando pelos espanhóis, Giaccherini, pela esquerda, chutou com força. A bola ia no ângulo, mas De Gea espalmou para longe. Não fosse pelo goleiro espanhol, o placar poderia ter terminado três ou quatro a zero no primeiro tempo.

Chiellini, autor do primeiro gol da Itália (AP Photo/Antonio Calanni)
Chiellini, autor do primeiro gol da Itália (AP Photo/Antonio Calanni)

Veio então o segundo tempo. Com ele, Vicente Del Bosque já mexeu no time. Tirou Nolito e colocou Aduriz em campo. Com ele e Morata, o time tinha mais capacidade de finalização. Foi o que vimos no começo do segundo tempo. A Espanha tentou ir para cima e jogar a Itália em seu campo.

No começo, conseguiu com algumas boas jogadas. Morata teve uma grande chance em uma cabeçada, sozinho no meio da área, mas ele mandou fraco e em cima de Buffon. Mas viriam mais ataques. Iniesta acertou um belo chute de fora da área e obrigou novamente o goleiro a trabalhar. Piqué, em outro chute de fora da área, também colocou força, mas Buffon espalmou.

A Itália, por sua vez, continuava sendo perigosa, mesmo sem fazer a blitz do primeiro tempo. Eder teve uma ótima chance em um ataque em velocidade pelo meio. O centroavante Pellè passou bonito para Eder, que venceu os defensores em velocidade e chutou forte, mas De Gea defendeu.

Com o seu estilo, a Espanha trocava passes no campo de ataque e, de fato, fez a Itália ficar dentro da sua intermediária. Uma situação que não incomodava nada os italianos, que se mantiveram bem posicionados. Os espanhóis, por sua vez, tentavam com cruzamentos e chutes de longe romper a barreira defensiva italiana. Enquanto isso, davam mais espaços.

Com a Espanha mais jogada ao campo de ataque, os contra-ataques continuariam aparecendo. Foi assim que por duas vezes a Itália chegou com perigo, fazendo a bola atravessar a área, sem que alguém conseguisse tocar nela para finalizar. E foi também em um deles que Insigne, que tinha acabado de entrar, chutou forte, mas De Gea defendeu novamente mandando para fora da área.

Nos últimos minutos do jogo, a Espanha tratou de ela fazer uma pressão enorme. Buffon foi gigantesco. Impediu que a Espanha marcasse o gol de empate. E foi mais do que isso ainda: em um contra-ataque, já nos acréscimos, selou o destino das duas seleções na Eurocopa. Os italianos carregaram a bola até o até, marcados por poucos espanhóis. Em uma inversão de jogo de Insigne, Darmian apareceu livre e ele avançou, cruzou, a bola ainda desviou na zaga e sobrou para Pellè. Ele pegou de primeira, de voleio, e estufou a rede. Gol da Itália. Gol da classificação.

Não teve mais jogo. O que se viu foi um grupo de jogadores da Itália que comemorou muito e festejou com um dos principais influenciadores do jogo: Antonio Conte. O técnico italiano mostrou que sabia o que estava falando quando disse que a Espanha, se passasse, teria mostrado que mereceu. A Itália foi mais time, jogou mais futebol, foi mais perigoso. O time estava bem preparado em campo, sabendo explorar as suas melhores características e sem precisar estacionar o ônibus.

Estratégia também é importante, além de, claro, saber explorar suas qualidades. A Itália vai às quartas. Enfrentará a Alemanha, em Bordeaux, no sábado, dia 2 de julho. É um jogo para marcar na agenda.

Itália 2×0 Espanha

Itália: Buffon; Barzagli, Bonucci e Chiellini; Florenzi (Darmian), Parolo, De Rossi (Thiago Motta), Giaccherini e De Sciglio; Eder e Pellè. Técnico: Antonio Conte

Espanha: De Gea; Juanfran, Piqué, Sérgio Ramos e Alba; Fàbregas, Busquets e Iniesta; David Silva, Morata (Lucas Vázquez) e Nolito (Aduriz, depois Pedro). Técnico: Vicente del Bosque

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Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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