Eurocopa

Líder de uma geração envelhecida, Modric se deu a chance de continuar fazendo história

O craque marcou um golaço, deu assistência e comandou a boa apresentação da Croácia contra a Escócia

Não importa o que aconteça na Eurocopa, a geração de Luka Modric está na história da Croácia. Eles chegaram uma final de Copa do Mundo, e o que vier daqui para frente é bônus. Mas graças a uma boa atuação coletiva, com destaque para o golaço do meia do Real Madrid, Modric, Ivan Perisic e companhia continuam com a oportunidade de ampliar a sua contribuição à seleção nacional, após a vitória por 3 a 1 sobre a Escócia, nesta terça-feira.

O time croata é praticamente o mesmo da Copa da Rússia, sem Mario Mandzukic e Ivan Rakitic. Nomes como Marcelo Brozovic e Mateo Kovacic têm idade para pelo menos mais um ciclo. Outros como Modric (35 anos), Perisic (32) e Domagoj Vida (32) devem passar o bastão em breve. A próxima Copa do Mundo será ano que vem, ainda ao alcance desses pilares mais veteranos. Depois dela, o futuro fica mais incerto.

Logo, a Eurocopa é uma das últimas chances de uma grande campanha, de tentar pelo menos levar a Croácia às semifinais pela primeira vez, em sua sexta participação. Igualar o melhor resultado até aqui – as quartas de final em 2008 – é bem plausível porque o adversário das oitavas será o segundo colocado do grupo de Espanha, Suécia, Eslováquia e Polônia. Nenhum desses times é inacessível à Croácia.

Especialmente se ela atuar como nesta terça contra a Escócia. Não foi brilhante, mas muito melhor do que havia apresentado nos dois primeiros jogos do grupo. Dalic armou um time com mais qualidade de toque de bola, com Nikola Vlasic aberto pela direita e Modric como camisa 10, à frente de Brozovic e Kovacic. Abriu mão da velocidade de jogadores como Brekalo e da força de Kramaric e Rebic. Apesar de alguns sustos, controlou o meio-campo, controlou a posse de bola e castigou a Escócia com passes em profundidade.

Modric vinha de uma boa temporada pelo Real Madrid, apesar dos problemas coletivos e da idade avançada, mas ainda não havia brilhado muito nesta Eurocopa. Contra uma marcação não tão boa assim da Escócia, teve espaço e puxou as gordinhas necessárias para construir uma vitória essencial.

Foi dele o passe para Juranovic virar o jogo em busca de Perisic na segunda trave, antes do gol de Vlasic, e também foi ele quem bateu o escanteio para Perisic marcar o terceiro. Claro que também foi Modric quem bateu com a parte de fora do pé, de Trivela, da entrada da área para marcar um dos golaços desta Eurocopa – e um dos mais decisivos porque foi o que desempatou o jogo no começo do segundo tempo.

De longe o croata que mais tocou a bola (115 vezes contra 100 de Brozovic) e o que mais a passou (102 vezes contra 92 de Brozovic), com índice de acerto de 88%. Foi especialmente efetivo na bola longa, acertando sete dos dez lançamentos que tentou.

Não é surpresa para ninguém que, para jogar bem, a Croácia precisa de Modric bastante envolvido. Isso aconteceu contra a Escócia e precisará acontecer mais vezes para que a vice-campeã mundial chegue longe na Eurocopa.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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