Eurocopa

Kane está começando a parecer mais consigo mesmo e isso sozinho já é um grande acréscimo ao ataque inglês

O atacante do Tottenham marcou duas vezes na goleada contra a Ucrânia pelas quartas de final da Euro 2020

O principal alvo de críticas à campanha da Inglaterra na fase de grupos da Euro 2020 foi o seu ataque. Lento e sem imaginação, marcou apenas dois gols. Saiu o dobro neste sábado contra a Ucrânia, pelas quartas de final, e uma mudança fundamental é que Harry Kane pareceu muito mais consigo mesmo nos últimos dois jogos do que nos três anteriores.

E quase a única. Contra a Alemanha, Southgate retomou o 3-4-3 e colocou Bukayo Saka na vaga que vinha sendo de Phil Foden. O jovem do Arsenal tem ido bem nas oportunidades que recebe, mas não causou um impacto tão grande assim. Da mesma maneira, o treinador finalmente atendeu aos pedidos e escalou Jadon Sancho como titular neste sábado. Embora tenha ido bem, a futura contratação do Manchester United também não foi tão influente na partida.

Mas qualquer ataque que tenha um atacante como Kane um pouco mais em forma é extremamente perigoso, como a Ucrânia descobriu neste sábado. Deixado na cara do gol por Sterling, esticou-se para abrir o placar, no comecinho da partida, e depois, no segundo tempo, ajeitou bem o corpo para cabecear com firmeza o cruzamento de Luke Shaw.

Isso sem falar no quase golaço que marcou, também depois do intervalo. A partida já estava resolvida quando Henderson tento encontrar Sterling com um passe longo. A defesa da Ucrânia cortou e Kane emendou a sobra de primeira com a perna esquerda. Um míssil cruzado que tinha endereço certo, mas foi desviado pela grande defesa do goleiro ucraniano Bushchan.

 

Kane foi substituído aos 28 minutos da etapa final e, com o gol que marcou contra a Alemanha, chegou a três na Eurocopa. Apesar do começo devagar, é ao lado do compatriota Raheem Sterling e do dinamarquês Kasper Dolberg quem está mais próximo de ameaçar a artilharia de Cristiano Ronaldo e Patrik Schick, ambos já eliminados com cinco tentos cada um – Insigne, Locatelli, Pessina, Sarabia, Ferrán Torres e Álvaro Morata, todos no outro lado da chave, marcaram dois.

A versão otimista é que Kane está pegando no tranco e o seu melhor ainda está por vir. Não é estranho que tenha começado a Eurocopa devagar. Foi uma temporada exigente para todo mundo e ele, em particular, sofreu com dores no tornozelo – e ainda fez um monte de gols e foi artilheiro da Premier League. Além disso, informou ao Tottenham que gostaria de se transferir para outro clube na próxima janela de transferências, o que também pode ter tido uma influência.

Ele afirmou, depois da segunda rodada contra a Escócia, que nenhuma dessas duas coisas estava influenciando o seu rendimento, e deu uma declaração interessante: “O que aprendemos nos últimos torneios é que é importante atingir o auge na hora certa. O melhor momento para atingi-lo é durante o mata-mata”. É isso que está acontecendo? Se for, a Inglaterra terá um centroavante excepcional para os últimos jogos da Eurocopa.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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