Eurocopa

Itália estreia amassando a Turquia em Roma com atuação convincente

Azzurra mostrou força ofensiva e, depois de pressionar muito no primeiro tempo, conseguiu os gols no segundo para começar muito bem a Euro 2020

A Itália abriu a Eurocopa com uma vitória convincente sobre um rival importante. A Turquia vinha como o time com melhor defesa das Eliminatórias, enquanto a Itália vinha com uma mentalidade ofensiva, colocada à prova em sua primeira grande competição desde o fracasso de não classificar à Copa. Em Roma, a Itália venceu por 3 a 0 uma Turquia que foi acuada o jogo inteiro. Os cerca de 18 mil torcedores permitidos no Estádio Olímpico viram a Itália que Mancini prometeu ao longo deste ciclo: ofensiva, que se colocou no ataque e não se contentou com um gol.

Os italianos dominaram o jogo, foram bastante superiores, mas também tiveram dificuldades no primeiro tempo. A boa defesa turca fez valer a sua qualidade, tirando espaços, mas mesmo assim houve chances. Depois de escapar no primeiro tempo, os turcos não resistiram no segundo. Tomaram o primeiro gol e viram a Itália continuar ir para o ataque, em busca de decidir o jogo, como conseguiu. O placar de 3 a 0 não é nenhum exagero. Foi uma vitória contundente, com um desempenho convincente.

Abertura com um show virtual

Bem alinhado aos tempos que vivemos, a abertura da Eurocopa teve um show virtual do DJ Martin Garrix junto a Bono e The Edge, do U2. Foi um show de luzes e que os cerca de 18 mil torcedores permitidos vibraram muito. Houve também uma apresentação, essa em pessoa, de Andrea Bocelli.

Os times que entraram em campo

A Itália não tinha Marco Verratti, ainda recuperando a forma depois de uma lesão que quase o tirou da Euro. Lorenzo Pellegrini precisou ser cortado por lesão. Então, o meio-campo formado por Roberto Mancini tinha Jorginho, Nicolò Barella e Manuel Locatelli. No ataque, Domenico Berardi conquistou o seu lugar no ataque pela direita, com Lorenzo Insigne pela esquerda e Ciro Immobile pelo centro. Na defesa, a dupla da Juventus, Leonardo Bonucci e Giorgio Chiellini. Nas laterais, Alessandro Florenzi na direita, Leonardo Spinazzola pela esquerda. A opção foi pela experiência.

A Turquia de Senol Günes veio armada de forma mais defensiva do que se habituou nos últimos jogos. Taticamente postada em um 4-1-4-1, tinha só o centroavante e capitão Burak Yilmaz à frente. Na linha de meio, o meia Hakan Çalhanoglu tinha a companha de Ozan Tufan, Yusuf Yazici e Kenan Karaman. Atrás deles, protegendo a defesa, Okay Yokoslu. A defesa dos turcos é bem experiente: os dois zagueiros centrais são Çaglaer Söyüncü, do Leicester, e Merih Demiral, da Juventus. A lateral direita tinha Zeki Çelik, de ótima temporada pelo Lille, e Cengiz Umut Meras, do Le Havre. A lateral esquerda era a posição mais frágil desse time turco.

Só deu Itália no primeiro tempo, mas sem gol

A Turquia tem a defesa como ponto forte, por isso não foi surpreendente ver que a seleção turca se defendeu muito do ímpeto italiano no início do jogo. Os italianos buscaram o ataque desde o começo, alternando pelos dois lados do ataque. Em um deles, Berardi foi lançado, a bola foi forte, mas ele alcançou e tocou para o meio. Immobile finalizou, mas, sem ângulo, mandou para fora.

Aos 18 minutos, uma boa chance com Lorenzo Insigne. O camisa 10 recebeu dentro da área depois de uma boa movimentação e tabela com Berardi, mas bateu mal. Ainda assim, a finalização com maior liberdade que a Turquia permitiu.

A Itália chegou perto do gol aos 21 minutos. Em cobrança de escanteio de Insigne pelo lado direito, Chiellini cabeceou firme, mas o goleiro turco Ugurcan defendeu. Logo depois, novo escanteio com perigo, mas Bonucci foi para a bola em posição de impedimento, depois de um toque no meio da área.

Pressionando, a Itália foi à frente novamente aos 32 minutos. Berardi saiu do lado direito, foi para a esquerda, fez uma boa jogada de fundo e cruzou pelo alto. Immobile tocou de cabeça, mas a bola foi fora. Foi mais uma boa chance.

A blitz da Itália aumentou no final do primeiro tempo. Com posse de bola, os italianos rondavam a área dos turcos, buscando um espaço que não aparecia. Foram minutos que a Turquia nem pegava na bola, enquanto os turcos se defendiam incansavelmente. Pouco antes do intervalo, Berardi tentou o cruzamento e a bola bateu no braço do lateral Çelik. O árbitro não marcou nada, mesmo depois da revisão do VAR.

O primeiro tempo terminou com muitas reclamações dos jogadores italianos reclamando com o árbitro. Pela atuação dos dois times, os italianos poderiam lamentar não ter conseguido o gol no primeiro tempo. Foram 14 finalizações italianas, sendo três delas no alvo, oito para fora e três bloqueados. Para os turcos, que não chutaram nenhuma vez no gol, não ir para o intervalo perdendo foi lucro.

Itália avassaladora no segundo tempo

Os dois times voltaram com alterações para o segundo tempo. Na Turquia, Cengiz Ünder entrou no lugar de Yusuf Yazici. Na Itália, saiu Alessandro Florenzi para entrada de Giovanni Di Lorenzo. Ünder foi o autor do primeiro chute da Turquia no jogo, mas foi bloqueado em um contra-ataque em velocidade.

O segundo tempo começou da mesma forma que o primeiro terminou: com pressão da Itália. Em cinco minutos, a Itália já encostava os turcos na parede, pressionando e finalizando. Aos oito minutos, depois de tanto forçar, a Itália quase empurrou a Turquia para dentro do gol. Berardi, pela direita, fez a jogada e cruzou com força para dentro da área, à meia altura. A bola bateu na barriga de Merih Demiral e entrou. A Itália abria o placar: 1 a 0.

O gol não reduziu o apetite dos italianos. Nos minutos seguintes, tentou o gol com Locatelli, em chute de fora da área, e perdeu uma boa chance de finalização com Insigne, que recebeu de Immobile e demorou a finalizar, o que o fez ser bloqueado. Em dois lances, o lateral Spinazzola apareceu dentro da área para finalizar. Na primeira, a Turquia escapou. Na segunda, não teve jeito.

Com 20 minutos, Berardi novamente fez a jogada pela direita, cruzou para o outro lado, Spinazzola apareceu, finalizou e o goleiro Çakir defendeu. No rebote, porém, não teve o que fazer: a bola sobrou para Immobile, que aproveitou para colocar a bola na rede e marcar 2 a 0. A blitz dos italianos deu resultado.

Os dois gols até fizeram o ritmo diminuir, mas era a Itália que continuava tendo chance – e desperdiçando, aliás. Foram ao menos três chances que os italianos demoraram a finalizar e perderam a chance. Aos 33 minutos, o goleiro Çakir saiu jogando mal, Berardi interceptou, acionou Immobile, que abriu rapidamente para Insigne. O camisa 10 desta vez finalizou de primeira, na bochecha da rede, deixando o goleiro sem ação: 3 a 0 para a Itália.

Lorenzo Insigne comemora o seu gol pela Itália (Imago / OneFootball)

Substituições e diminuição de ritmo

Depois dos três gols, com a vitória no bolso, o técnico Roberto Mancini fez três substituições no time. Entraram Feredico Chiesa no lugar de Lorenzo Insigne, Andrea Belotti no lugar de Ciro Immobile, e Federico Bernardeschi no lugar de Domenico Berardi.

O ritmo diminuiu, mas a Itália continuou controlando o jogo com a posse de bola. Muito tranquilo, o time de Mancini sequer sofreu ataques perigosos da Turquia. Trabalhou bem, gastou o tempo e, mesmo ganhando com tranquilidade, estava a maior parte do tempo com a bola no campo de ataque.

A Itália começa muito bem a Eurocopa, com uma atuação que convence e que o tempo todo pressionou a Turquia no campo de defesa. Um excelente cartão de visitas da Azzurra, em uma Euro que disputará seus três jogos em casa nesta primeira fase. O sonho italiano de chegar à final, ressaltado por Roberto Mancini na coletiva desta quarta-feira sobre o jogo, ganha forma.

Ficha técnica

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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