Eurocopa

Há 20 anos, Bierhoff causou a morte súbita dos tchecos e deu o tri da Euro à Alemanha

A regra do “gol de ouro” podia ser até legal no videogame, mas não deu muito certo no futebol da vida real. E de maneira plenamente compreensível. Um gol e o jogo acabava. Qualquer erro se tornava fatal. Quem tomava o tento sequer tinha a chance de correr atrás do prejuízo. Não à toa, as prorrogações na época costumavam ser amarradas, entre times que não se expunham. Há 20 anos, porém, o gol de ouro fez a sua primeira vítima. O seu primeiro campeão. Oliver Bierhoff foi o autor do primeiro tento sob a regra em uma grande competição, e logo valendo o tricampeonato da Eurocopa à Alemanha. O golpe mortal do centroavante se tornou a perdição da República Tcheca, na virada por 2 a 1 na decisão em Wembley.

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Alemães e tchecos haviam saído do mesmo grupo naquela competição. Já na estreia, o Nationalelf venceu por 2 a 0 os vizinhos, que disputavam seu primeiro torneio internacional desde o fim da Tchecoslováquia. No entanto, o time treinado por Dusan Uhrin daria a volta por cima e se firmaria como a sensação da Euro 1996. Derrotou a fortíssima Itália e empatou com a Rússia para avançar aos mata-matas. Depois, surpreendeu Portugal com um gol antológico de Karel Poborsky por cobertura. Já na semifinal, a França eliminada nos pênaltis. A Alemanha, por sua vez, havia derrubado a Croácia nas quartas de final, antes de superar a anfitriã Inglaterra também nos penais para se confirmar na decisão.

A República Tcheca contava com alguns remanescentes de sua antiga seleção com os eslovacos, como Miroslav Kadlec e Jiri Nemec. Contudo, os grandes destaques eram mesmo os jovens que estouravam naquela competição, como Nedved, Poborsky, Patrik Berger e Smicer. A Alemanha, por sua vez, vivia uma mudança de ciclos. Jürgen Klinsmann e Matthias Sammer eram as principais lideranças de Berti Vogts, em um elenco que já havia se desligado de alguns medalhões após o Mundial de 1994.

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Quando a bola rolou, Wembley contou com uma final movimentada, embora a pontaria das equipes não ajudasse. O primeiro gol só saiu aos 14 minutos da segunda etapa, quando Poborsky puxou contra-ataque fulminante e foi derrubado na área por Sammer. Pênalti que Berger converteu. Aos 28, a Alemanha empatou em uma cobrança de falta lateral de Ziege, que Bierhoff testou com firmeza, logo após sair do banco. A partir de então, o Nationalelf cresceu e passou a pressionar. Até que, em seu primeiro ataque na prorrogação, o chute desviado de Bierhoff matou o goleiro Petr Kouba. Uma falha mortal.

Das mãos da Rainha Elizabeth II, o capitão Klinsmann ergueu a taça para a Alemanha, em sua primeira conquista desde a unificação. Já o craque do torneio foi justamente um jogador do antigo lado oriental, Sammer, que também arrebatou a Bola de Ouro em 1996. O último título de um país que só voltaria ao topo do pódio em 2014. A República Tcheca, por sua vez, lamenta até hoje a chance desperdiçada. Aquele bom time revelou jogadores de destaque ao futebol europeu, mas alguns deles nunca vingaram como o esperado – exceção feita a Nedved, coadjuvante na ocasião. Mas, como equipe, a seleção nunca colheria mais frutos.


[HD] 30.06.1996 – UEFA EURO 1996 Final Match… por macanilari

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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