Eurocopa 2024

Guia da Eurocopa 2016: Grupo B

Um grupo mais equilibrado que parece. A Inglaterra é a cabeça de chave, e tem valores em ótimas fases no seu elenco, mas precisa se cuidar. O País de Gales vem babando na sua primeira Eurocopa, e a Eslováquia fez uma grande Eliminatória. A Rússia também pode incomodar.

INGLATERRA

Na marca de cinquenta anos desde a última glória da Inglaterra, o time de Roy Hodgson atravessa o Canal da Mancha otimista – o que costuma ser um mau sinal. No entanto, é difícil culpá-los. Ao lado da Alemanha, levarão à Eurocopa o elenco mais jovem da competição. Promessas que, se não compõem a melhor geração inglesa dos últimos tempos, estão em ótima fase técnica e deixam o torcedor animado. Principalmente o que gosta de um futebol ofensivo.

Harry Kane, 22 anos, e Marcus Rashford, 18, são os melhores exemplos, mas mesmo Jamie Vardy, que já tem idade mais avançada, acabou de chegar à seleção inglesa e está voando, depois de ser campeão inglês pelo Leicester. A Inglaterra ainda tem Daniel Sturridge e Wayne Rooney, representantes da velha guarda. Marcou pelo menos duas vezes em nove das 13 partidas que disputou desde junho do ano passado.

Na verdade, o retrospecto desde a Copa do Mundo é excelente. A Inglaterra perdeu apenas duas vezes em 21 jogos, sempre em amistosos. Uma dessas ocasiões foi diante da Holanda, que nem estará na Eurocopa. Classificou-se com folgas nas Eliminatórias, vencendo todos os confrontos do seu grupo, que tinha Suíça, Eslovênia, Estônia, Lituânia e San Marino.

A Inglaterra não faz uma campanha destacável desde a Copa do Mundo de 2006 e costuma funcionar de uma maneira previsível: desastre esportivo; pessimismo, seguido de muitas piadas da própria torcida e imprensa inglesas; um período de baixa cobrança e o discurso de que o projeto deveria ser de médio ou longo prazo; alguns bons resultados que superam as expectativas; otimismo; e desastre esportivo novamente.

Os jovens ingleses têm a missão de quebrar esse ciclo.

Como joga

Pelas escalações dos últimos amistosos antes da competição, Hodgson tem duas opções em mãos. Pode jogar com um único atacante, no esquema 4-2-3-1 que usou contra a Alemanha, por exemplo, com Harry Kane no comando de ataque; ou usar uma trinca de meias, com Rooney mais avançado, e provavelmente Vardy ao lado de Kane. A convocação indica tendência à formação com dois atacantes, pois apenas Sterling, Lallana e Rashford, no máximo Milner ou Sturridge, são jogadores de beirada de campo.

Destaque

Wayne Rooney, capitão da Inglaterra (Foto: AP)
Wayne Rooney, capitão da Inglaterra (Foto: AP)

Wayne Rooney pode não ser o jogador em melhor fase técnica da seleção inglesa, mas é certamente o líder do time, não apenas pela braçadeira de capitão que leva no braço. Teve um bom fim de temporada pelo Manchester United, e na preparação para a Eurocopa, tornou-se o maior artilheiro da história da Inglaterra, superando os 49 gols de Bobby Charlton.

Fique de olho

A Rússia que se cuide: Rashford marcou com seu primeiro chute a gol nas suas estreias pela Premier League, Liga Europa e seleção inglesa. E o primeiro jogo da jovem estrela do Manchester United pode ser contra os russos. Rashford é um dos frutos das categorias de base do clube inglês e foi lançado por Van Gaal nesta temporada. Atuou apenas 19 vezes, como titular, e fez o bastante para ser mais utilizado por Mourinho a partir de agosto.

Histórico na Eurocopa

A Inglaterra é a única campeã do mundo europeia que nunca venceu a Eurocopa, e pior do que isso, nunca chegou nem perto. No máximo, alcançou as semifinais, em 1968, logo depois do título da Copa do Mundo, e em 1996, exatamente vinte anos atrás. Perdeu, respectivamente, para Iugoslávia e Alemanha.

Fora de campo

Nigel Farage, líder do Partido da Independência do Reino Unido (Foto: AP)
Nigel Farage, líder do Partido da Independência do Reino Unido (Foto: AP)

Quando a Inglaterra estiver preparando-se para as oitavas de final (ou não), algo mais importante estará em jogo nas urnas: em 23 de junho, o Reino Unido vota para decidir se permanece na União Europeia ou a abandona. O referendo foi uma promessa de campanha do primeiro-ministro David Cameron, em resposta a membros do seu próprio Partido Conservador e do Partido da Independência, que recebeu 13% dos votos nas últimas eleições gerais. O argumento é que desde 1975 o povo britânico não tem sua voz ouvida sobre a filiação à UE. Também vem em um momento de séria crise migratória, com refugiados da Síria e do Afeganistão tentando de todas as maneiras uma vida melhor na Europa, e na esteira de atentados terroristas em Paris e Bruxelas. Segundo a última pesquisa de opinião, de 6 de junho, 43% dos britânicos votarão a favor da permanência na União Europeia; 42% são contra; 11% ainda não sabem.

RÚSSIA
Leonid Slutsky, técnico da Rússia e do CSKA Moscow (Foto: AP)
Leonid Slutsky, técnico da Rússia e do CSKA Moscow (Foto: AP)

Quando o telefone de Leonid Slutsky tocou, em julho do ano passado, a Rússia estava em uma situação periclitante nas Eliminatórias da Eurocopa. Tinha apenas duas vitórias em seis rodadas e corria o risco de ficar fora do torneio continental pela primeira vez desde 2000. Era terceiro colocado do grupo, e na melhor das hipóteses, disputaria a repescagem. Mas o técnico do CSKA Moscow veio ao resgate: ganhou os últimos quatro jogos e carimbou o passaporte direto para a França.

Slutsky é um ex-jogador de futebol frustrado que acumula as funções de treinador da seleção russa e do CSKA Moscow, recentemente campeão nacional mais uma vez sob o seu comando. Aposentou-se aos 19 anos, quando machucou o joelho ao cair da árvore na qual havia subido para resgatar o gato de um vizinho (sério). Foi chamado às pressas para substituir Fabio Capello e tem contrato apenas até o fim da Eurocopa.

Sua equipe sofreu um único gols no quatro jogos finais das Eliminatórias Europeias, justamente da Moldávia, a lanterninha do grupo. Esse número cresceu muito nos amistoso que precedem a estreia contra a Inglaterra, no próximo sábado, mas foi neles que veio o resultado mais expressivo: vitória por 1 a 0 sobre Portugal.

Como joga

A Rússia atua em um 4-2-3-1, às vezes variando para o 4-1-4-1. O experiente Alexandr Kerzhakov não foi convocado para a Eurocopa, e as opções para o comando de ataque são Artyom Dzyuba, do Zenit, e Fyodor Smolov, do Krasnodar. Esse último foi artilheiro do Campeonato Russo, com 20 gols. Nomes conhecidos como Alan Dzagoev, Yuri Zhirkov e Igor Denisov estão machucados e fora da lista.

Destaque

Roman Shirokov, capitão da Rússia (Foto: AP)
Roman Shirokov, capitão da Rússia (Foto: AP)

O dono do meio-campo será Roman Shirokov, o capitão da Rússia. O experiente jogador de 34 anos pode estar disputando sua última grande competição pela seleção e quer deixar a sua marca. Conheceu Slutsky de perto ao trocar o Spartak Moscow pelo rival CSKA, durante a pausa de inverno da temporada. Disputou oito dos últimos 12 jogos do título do time, apenas dois como titular. Precisa resgatar sua melhor forma para liderar a Rússia na França.

Fique de olho

Todos os jogadores convocados por Slutsky têm pelo menos 25 anos, menos um. O mascote da equipe é Aleksandr Golovin, 20, mas é prudente não subestimá-lo. Nas poucas partidas que disputou profissionalmente pelo CSKA Moscow, mostrou seu ótimo controle de bola e visão para dar passes cruciais. Jogou apenas uma vez com Capello, sua estreia na seleção, e mais quatro com o novo treinador. Em cinco partidas, marcou dois gols.

Histórico

Como União Soviética, tem um título em quatro finais. Como Rússia, passou uma única vez da fase de grupos. Foi em 2008, quando Arshavin e Pavlyuchenko arrasaram a Holanda nas quartas de final. Os russos acabaram eliminados pela Espanha, com quem já haviam dividido grupo. Levaram duas sapatadas: 4 a 1, no primeiro jogo, e 3 a 0, no segundo.

Fora de campo

A economia russa sofre com sanções impostas pela União Europeia e os Estados Unidos por causa da participação do governo de Vladimir Putin na crise da Ucrânia, que terminou com a anexação da península da Crimeia pela Rússia. As punições afetam setores de finanças, energia e defesa do país, assim como membros da administração pública, empresários e figuras públicas.

ESLOVÁQUIA

Jan Kozak assumiu o time em 2013, e sem ter muitas opções de jogadores para o time nacional do país de aproximadamente 5 milhões de habitantes, teve seu grande mérito na questão tática. Cobra disciplina de todo mundo para equilibrar o time com a liberdade que fornece a Marek Hamsik, o grande craque. E funcionou: o jogador do Napoli cresceu de rendimento, e o time melhorou junto.

A Eslováquia ganhou as seis primeiras rodadas das Eliminatórias da Eurocopa, com direito a vitória sobre a Espanha, com gol aos 43 minutos do segundo tempo. Perdeu a volta, empatou com a Ucrânia e perdeu da Bielorrússia. De resto, foi uma campanha perfeita que valeu à seleção sua segunda classificação a um grande torneio desde que se tornou uma nação independente.

Invicta há oito partidas (sete amistosos), teve como grande destaque uma vitória por 3 a 1 sobre a campeã mundial Alemanha, no final de maio, em Augsburg.

Como joga

Kozak gosta de um 4-2-3-1, bem estruturado e disciplinado. O time defende antes de atacar, reage antes de agir, e gosta do contra-ataque. Tem Hamsik na armação, Skrtel, capitão, liderando a defesa, Vladimir Weiss e Róbert Mark pelas pontas. O grande problema é o comando de ataque. O experiente Robert Vittek, maior artilheiro da história da Eslováquia, com 23 gols em 81 jogos, nem foi pré-convocado, por causa de problemas físicos.

Destaque

Marek Hamsik, líder da Eslováquia (Foto: AP)
Marek Hamsik, líder da Eslováquia (Foto: AP)

Apenas Pogba e Pjanic, com 12, deram mais assistências que Hamsik no Campeonato Italiano. Foram 11 passes para gol na boa campanha do Napoli, segundo colocado. Aos 28 anos, o melhor jogador da seleção eslovaca ganha mais uma chance de brilhar nos grandes palcos. Foi o artilheiro do time nas Eliminatórias Europeias, com cinco gols.

Fique de olho

São poucos jovens no elenco eslovaco, mas vale prestar atenção nas atuações de Róbert Mak, ponta de 25 anos do Paok. Teve uma excelente temporada na Liga Europa, com nove gols em 12 partidas, contando as fases preliminares e os jogos do grupo. Marcou três vezes no Brondby e uma em cada partida contra o Borussia Dortmund. Atraiu a atenção de times italianos e uma boa competição na França pode ajudar a convencê-los a buscar um acordo.

Histórico na Eurocopa

Não há um histórico da Eslováquia na Eurocopa, já que o país é um dos estreantes da competição. A Tchecoslováquia, no entanto, foi campeã em 1976 e tem mais duas medalhas de bronze.

Fora de campo

Robert Fico, primeiro-ministro da Eslováquia (Foto: AP)
Robert Fico, primeiro-ministro da Eslováquia (Foto: AP)

A Eslováquia exercerá, a partir de 1º de julho, seu primeiro mandato de seis meses na presidência rotativa do Conselho da União Europeia, desde que o país entrou no bloco, em 2004. Isso levanta algumas sobrancelhas ao redor da Europa, depois que o primeiro-ministro eslovaco, o social-democrata Robert Fico, intensificou sua retória anti-muçulmanos. No começo do seu terceiro mandato, disse que “o Islã não tem espaço na Eslováquia” e que o problema não são as chegadas de imigrantes, “mas como eles mudam o rosto do país”.

GALES

País de Gales não desperdiçou as duas oportunidades que teve. Em um grupo sem um bicho-papão, já que a cabeça de chave foi a Bélgica, e com duas vagas diretas para a Eurocopa, fez uma campanha praticamente impecável e assegurou um lugar na sua primeira grande competição de seleções desde 1958, quando foi sexto colocado da Copa do Mundo.

Com apenas quatro gols sofridos, o time de Gareth Bale ganhou as duas contra a Bélgica, mas o grande jogo da campanha foi a vitória por 3 a 0 sobre Israel, fora de casa, com dois gols do seu craque Gareth Bale. Sofreu uma única derrota, para a Bósnia, justamente a partida que selou de vez sua classificação para o torneio francês.

Como joga

Chris Coleman encontrou a sua melhor formação com três zagueiros e um forte trio de meio-campo, que tem Joe Allen, Aaron Ramsey e Joe Ledley. O mais importante, além de defender bem, é que a bola passe o máximo possível pelos pés de Gareth Bale, que joga solto, atrás do atacante. O mais cotado para essa posição é Robson-Kanu (um belo nome), do Reading. Melhor não esperar muitos gols dele: em 28 partidas pela segunda divisão na última temporada, foi às redes três vezes.

Destaque

Gareth Bale, a maior esperança de Gales (Foto: AP)
Gareth Bale, a maior esperança de Gales (Foto: AP)

Quem mais? Gareth Bale provavelmente é um dos melhores jogadores de todo o torneio. Fez uma ótima temporada pelo campeão europeu Real Madrid, com 19 gols em 23 partidas no Campeonato Espanhol, muitos deles decisivos na reta final. Voando com a bola colada aos pés, ou pelo alto, com o bom cabeceio que possui, Bale é uma arma letal contra qualquer adversário.

Fique de olho

Ben Davies, 23 anos, teve a chance de começar sete das primeiras oito partidas do Tottenham na Premier League como titular, mas acabou perdendo a posição para Danny Rose. Lateral esquerdo no clube, atua como zagueiro pelo lado canhoto do campo na sua seleção.

Histórico

Em Eurocopas? Zero. Primeira participação de Gales.

Fora de campo

Castle Coch, um dos pontos turísticos de Gales
Castle Coch, um dos pontos turísticos de Gales

O Castelo de Coch, um castelo do século 19 no sul de Gales, o prédio da Assembleia Nacional e o centro cultural Millennium serão iluminados em vermelho durante toda a fase de grupos ou até a seleção galesa terminar sua campanha na competição.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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