Eurocopa

Guia da Eurocopa 2016: Grupo A

O grupo é o da dona da casa, a grande favorita da Eurocopa, França. Mas também é da Suíça e da Albânia, países que têm uma certa relação por receberem imigrantes kosovares – dois deles os irmãos Shaka, que se enfrentarão em campo. Tem ainda a Romênia, de volta a uma Eurocopa e que tenta fazer bonito. A expectativa é grande em relação aos Bleus, que devem se classificar até com certa facilidade.

FRANÇA

O país-sede da Eurocopa é também o principal favorito. Não apenas por jogar em casa, embora isso colabore, mas principalmente por ter um time que mostra evolução e tem grandes nomes. O time comandado por Didier Deschamps chega à Eurocopa bem preparado, ainda que desfalcado do seu principal nome, Karim Benzema, envolvido em um caso de extorsão contra Valbuena por um vídeo de sexo do meia.

Como foi sede, não precisou das Eliminatórias, mas foi alinhado no Grupo I e fez amistosos com os times que folgavam a cada rodada. Tem uma geração talentosa e que parece madura para ficar com o título, especialmente com Griezmann e Pogba, os seus dois principais jogadores e maiores talentos.

Como joga

Desde a Copa do Mundo a França se arma com três meio-campistas e três atacantes. A maior parte do talento está justamente no centro do campo, com Pogba, Kanté e Matuidi. Mas Griezmann ganhou importância, virou destaque. Por isso, ele é o nome do ataque, que ainda deve ter Payet e Giroud. Martial, que cresceu nesta temporada pelo Manchester United, briga por uma posição também e pode brilhar. O maior problema é a defesa, com desfalques de Varane e Mathieu. Assim, os titulares do zetor devem ser Koscielny e Rami. O time gosta de trabalhar a bola, mas também sabe atacar com muita velocidade. Com Giroud em vez de Benzema, o time perde em mobilidade, mas ganha no jogo aéreo.

Destaque: Paul Pogba

A França tem muitos nomes talentosos, mas Pogba, 23 anos, é o maior deles. Tornou-se um jogador muito importante na Juventus e é um dos melhores do mundo na sua posição. Defende bem, ataca também com qualidade, sabe fazer gols e tem no passe a sua principal qualidade. Mas o chute de fora da área também se aprimorou. Na França joga de forma mais defensiva em relação à Juventus, mas mesmo assim, deve brilhar.

Fique de olho: Kingsley Coman

Kingsley Coman, da França (AP Photo/David Vincent)
Kingsley Coman, da França (AP Photo/David Vincent)

São vários jogadores que podem brilhar pela França, dois deles muito jovens. Coman, de 19 anos, é um jogador que passou pela Juventus e atuou na última temporada pelo Bayern de Munique. Chegou para compor elenco e se tornou titular importante em vários jogos. Rápido, habilidoso e perigoso chegando ao ataque. Não deve ser titular, mas certamente será usado por Deschamps durante os jogos.

Histórico na Eurocopa

São oito participações na história da Eurocopa. Em duas delas, acabou campeã. Em 1984, jogando em casa, tinha Michel Platini como astro. Venceu Portugal na semifinal, antes de derrubar a Espanha. Em 2000, o time campeão do mundo chegou àquela Euro como grande favorita. E correspondeu. Foi campeã graças a um gol de ouro de Trezeguet, na prorrogação, contra a Itália de Buffon – que ainda está lá –, Totti, Nesta e Cannavaro. O time tinha Zidane como o grande craque. Em 2012, o time caiu diante da Espanha. Desta vez, tenta o título, mais uma vez em casa.

Fora de campo

A situação na França está complicada, especialmente com o país fervendo por causa dos atentados terroristas que acometeram o seu território em 2015. O presidente François Hollande sofre com popularidade. Em 2015, o país viu partidos de extrema direita, como a Frente Nacional, ganharem força e passarem perto de levarem as eleições. Tudo isso está em um caldeirão que ferve às vésperas da Eurocopa, com greves e protestos.

Há montes de lixo acumulado pela greve dos coletores de lixo; há greves de metrô e trens; protestos contra o projeto de lei que mexe na questão trabalhista e desagrada grupos de trabalhadores. Além de tudo isso, há risco de greve de pilotos de avião, o que pode dificultar muito a locomoção no torneio. Junte isso aos 10% de desemprego (com 25% entre os jovens) e a situação se complica ainda mais. O caldo político está quente enquanto a bola rola.

ROMÊNIA

A Romênia volta às grandes competições depois de ficar ausente da última edição da Eurocopa. Chega à Eurocopa com uma dose de sorte: caiu no grupo da cabeça de chave Grécia, que foi o pior time do grupo. Ficou em segundo lugar, atrás da Irlanda do Norte, outra surpresa. Deve brigar com a Suíça por uma vaga no mata-mata.

Como joga

O time comandado pelo técnico Anghel Iordanescu varia entre um 4-2-3-1 e um 4-4-2 e gosta de jogar pelos lados do campo. O time se fecha muito bem na defesa, com linhas próximas. Costuma dificultar para os adversários que enfrenta.

Destaque: Gabriel Torje

Ele já foi chamado de Messi romeno, o que, claro, não se confirmou. Torje já passou por diversos clubes na carreira, como Udinese, Granada e Espanyol. Atualmente, está no Osmanlispor, da Turquia. É um jogador que atua pelos lados do campo, é habilidoso, mas precisa se provar. Aos 26 anos, terá a chance de mostrar se o que se falava dele no início da carreira não se dissipou.

Fique de olho: Nicolae Stanciu

Nicolae Stanciu, o camisa 10 da Romênia (AP Photo/Vadim Ghirda)
Nicolae Stanciu, o camisa 10 da Romênia (AP Photo/Vadim Ghirda)

O meia de 23 anos tem um estilo que, fisicamente, lembra Hagi: baixinho, habilidoso. É destro e traz como qualidade a sua técnica. Jogador do Steaua Buscareste, ele estreou pela seleção principal só em março deste ano, mas já ganhou a camisa 10 nesta Eurocopa. Pode jogar pelo centro, armando o time, ou pelos lados do campo.

Histórico na Eurocopa

São quatro participações na Eurocopa, mas nunca o time conseguiu ter muito sucesso. Em 1984 não passou da fase de grupos, assim como em 1996. Em 2000, chegou às quartas de final. Já em 2008, a última participação, caiu novamente na fase de grupos.

Fora de campo

A Romênia vive uma efervescência política, por conta da proximidade das eleições municipais. Em 2015, milhares de pessoas foram às ruas para protestar contra o governo do país, acusado de corrupto. A negligência e corrupção do governo acabou exposta depois de um incêndio em uma casa noturna, que matou 32 pessoas e feriu quase 200.

Victor Ponta, ex-primeiro ministro do país, se demitiu do cargo e responde processo por corrupção. Atualmente, nas eleições, o partido do primeiro ministro que deixou o cargo lidera as eleições. Vários candidatos são investigados por corrupção. Sentiu alguma semelhança com um país que você conhece?

Albânia
Lorik Cana, capitão da Albânia (AP Photo/Thanassis Stavrakis)
Lorik Cana, capitão da Albânia (AP Photo/Thanassis Stavrakis)

Jogar a Eurocopa já é um grande feito para a Albânia. É a primeira vez que o país irá disputar a competição. Não por acaso, o país ficou em festa. É um grande feito para o país pequeno e que já foi tão afetado por instabilidade política por conta da disputa com a Sérvia em relação a Kosovo. Nas Eliminatórias, conseguiu a vaga por ficar à frente da Dinamarca e atrás de Portugal.

Como joga

O time se fecha muito na defesa, com linha de quatro no meio-campo, às vezes com um volante à frente da zaga para conter o adversário. Normalmente deixa só um atacante em campo. É um time que tenta aproveitar os contra-ataques em velocidade, com um futebol bem arroz com feijão.

Destaque: Lorik Cana

Aos 32 anos, será o capitão da seleção albanesa na Eurocopa. O jogador do Nantes é o mais conhecido e mais experiente do elenco. Já jogou na Itália e é o líder da defesa albanesa. Como o time deve ter uma postura defensiva, as suas atuações tendem a ser fundamentais para o time.

Fique de olho: Elseid Hysaj

Aos 22 anos, já está no Napoli e joga na lateral. Pode jogar tanto no lado direito quanto do esquerdo. Nesta temporada, se tornou titular do Napoli e vem mostrando ter qualidade. Na seleção, pode pintar do lado esquerdo, mas vale ficar de olho.

Histórico na Eurocopa

Nunca participou.

Fora de campo

Em 2009, a Albânia se candidatou a entrar na União Europeia e finalmente, em 2014, o país ganhou o status oficial de candidato, recomendado pela comissão da UE. Há diversos requerimentos que os candidatos precisam cumprir para estarem no bloco econômico europeu e a Albânia ainda está muito distante deles. Uma das exigências era a reforma judicial no país, que precisava ser votada no parlamento albanês.

Porém, depois de 18 meses de negociações, não houve um acordo de consenso para resolver as questões pendentes. Para aprovar as reformas, são necessários 93 dos 140 votos. É preciso que as reformas passem para que a candidatura da Albânia seja considerada para a União Europeia, mas isso parece difícil de acontecer. Se perder esta chance, o país pode demorar anos para conseguir novamente ser candidata a entrar na zona do Euro. Algo que pode deixar a Albânia em uma situação complicada para os próximos anos, sem perspectivas de fazer parte do bloco.

Suíça
Xherdan Shaqiri, da Suíça (AP Photo/Frank Augstein)
Xherdan Shaqiri, da Suíça (AP Photo/Frank Augstein)

Um time que se acostumou a jogar Copas do Mundo, a Suíça chegou a esta Eurocopa com certa facilidade. O time estava no Grupo E das Eliminatórias, junto com a Inglaterra, que nadou de braçadas. Os suíços, porém, também não tiveram problemas. Ficaram cinco pontos à frente da Eslovênia.

Como joga

A Suíça chegou a ser conhecida como a seleção do ferrolho defensivo, mas não é mais assim. O time tem um bom ataque, especialmente com Shaqiri. Não por acaso, o time marcou 24 gols em 10 jogos da Eurocopa, um bom número. Foram só oito gols sofridos, então a defesa continua sendo uma qualidade, ainda que não a única. Vale ficar de olho porque os suíços estarão na briga por uma das vagas nas oitavas de final.

Destaque: Xherdan Shaqiri

Aos 24 anos, Shaqiri é o principal talento do time suíço. Depois de passar por Basel, Bayern de Munique e Internazionale, o meia está no Stoke City, da Inglaterra, onde é destaque. É o jogador com mais capacidade de decisão do time.

Fique de olho: Breel Embolo

Aos 19 anos, o jogador é titular do Basel e se tornou um jogador importante. Foram 14 gols, além de 11 assistências. Não é titular do time e só estreou pela seleção principal em 2015, mas pode se tornar uma opção ide segundo tempo para o time.

Histórico na Eurocopa

Em termos de Eurocopa, o time tem três participações. Em todas, ficou na fase de grupos, inclusive em 2008, quando foi sede do torneio junto com a Áustria.

Fora de campo

A Suíça desenvolveu ao longo dos anos uma política de neutralidade, mas mesmo assim faz parte da zona do Euro com algumas restrições. Não é um acordo como de outros países e se restringe a uma relação comercial. Os suíços usufruem do acordo comercial com a União Europeia sem sérum membro, o que, para os suíços, funciona bem. Não precisa adotar a moeda, nem precisa seguir com as regras do grupo – por exemplo, em termos financeiros e de ter um banco central unificado. Permite que o país, assim, tenha regras próprias. Isso, porém, tem mudado nos últimos anos. A Suíça sempre foi uma espécie de paraíso fiscal, com regras de privacidade que tornam praticamente impossível rastrear o dinheiro lá depositado – atraente, portanto, para quem quer lavar dinheiro, ou receber dinheiro de origem ilegal. O Fifagate já mostrou que a Suíça está mais aberta a investigações e mais disposta a colaborar para evitar que seu sistema bancário seja usado para crimes. A discussão, porém, ainda é muito grande =- e provavelmente manterá o país sempre distante de ser efetivamente um membro da UE.

Jogos do grupo

França x Romênia
Sexta, 10 de junho, 16h – Stade de France, Saint-Denis

Albânia x Suíça
Sábado, 11 de junho, 10h – Stade Bollaerts-Delelis, Lens Agglo

Romênia x Suíça
Quarta, 15 de junho, 13h – Parc des Princes, Paris

França x Albânia
Quarta, 15 de junho, 16h – Stade Velódrome, Marselha

Suíça x França
Domingo, 19 de junho, 16h – Stade Pierre Mauroy, Lille

Romênia x Albânia
Domingo, 19 de junho, 16h – Stade de Lyon, Lyon

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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