Eurocopa

Guia da Euro 2020: Polônia

Lewandowski chega como um dos melhores jogadores do torneio, mas a Polônia tende a ser mesmo uma figurante

Este texto faz parte do Guia da Euro 2020.

Como foi o ciclo desde a Copa de 2018

A Polônia se consagrou durante os últimos anos como um “leão de eliminatórias”. Faz grandes campanhas nos torneios qualificatórios, até por ter realizado uma estratégia para subir no Ranking da Fifa, e não corresponde tanto nas competições internacionais. Seria um pouco o que aconteceu nestes últimos três anos: os poloneses sobraram nas Eliminatórias da Euro, mas fizeram papéis bem mais modestos na Liga das Nações, quando precisaram medir forças contra adversários mais qualificados.

A campanha no Grupo G das Eliminatórias teve 25 pontos da Polônia, com apenas uma derrota e cinco gols sofridos. Mas foi uma chave nivelada por baixo, em que estavam presentes Áustria, Macedônia do Norte, Eslovênia, Israel e Letônia. O único revés ocorreu na visita aos eslovenos. Já pela Liga das Nações, a Polônia foi lanterna de sua chave na primeira edição, contra Portugal e Itália. Faturou só dois empates e escapou do rebaixamento graças à mudança de regulamento. Na segunda edição, os poloneses tiveram um rendimento um pouco superior, mas não muito. As únicas duas vitórias ocorreram contra a fraca Bósnia. No máximo, o time empatou com a Itália, em chave que também incluía a Holanda.

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Tais dificuldades levaram a federação polonesa a mudar seu treinador em janeiro de 2021. Antigo meio-campista da seleção, Jerzy Brzeczek substituiu Adam Nawalka após a Copa do Mundo de 2018 e acabou demitido pelos frequentes tropeços. Seu substituto é o português Paulo Sousa, primeiro estrangeiro a treinar a Polônia em 12 anos, mas que possui uma trajetória de altos e baixos como técnico. Não começou tão bem nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022. Sem que os poloneses fossem cabeças de chave, perderam na visita à Inglaterra e só empataram com a Hungria em Budapeste, iniciando sua trajetória no qualificatório mais pressionados.

Como joga

Difícil apontar uma identidade de jogo para a Polônia, considerando sua mudança recente de treinador. Durante o período com Jerzy Brzeczek, a equipe quase sempre foi montada no 4-2-3-1, que permitia alimentar bem Robert Lewandowski no ataque e aproveitar a capacidade do meio-campo. Paulo Sousa chegou com novas ideias e tem variado mais a formação, especialmente num 3-5-2 que libere mais os pontas e garanta um sócio a Lewa na linha de frente, permitindo que o centroavante flutue um pouco mais. O problema é que os favoritos a esse papel estão fora da Euro: Krzysztof Piatek fraturou o tornozelo às vésperas do torneio e Arkadiusz Milik acabou cortado mesmo depois de ser chamado à lista final.

Apesar dos desfalques, a Polônia manteve o esquema com dois atacantes nos amistosos preparatórios. Lewandowski foi acompanhado por Karol Swiderski (PAOK) ou Jakub Swierczok (Piast Gliwice), dois atletas de trajetórias bem mais modestas. Aos 28 anos, Swierczok vem de uma  temporada um pouco melhor no Campeonato Polonês. Os mais capazes de elevar o nível de Lewa estão no meio. A faixa central reúne a categoria de Piotr Zielinski, o principal armador do time, enquanto Jakub Moder e o interminável Grzegorz Krychowiak dão segurança na cabeça de área. Também há a opção de Mateusz Klich, um dos principais coadjuvantes do Leeds United nas mãos de Marcelo Bielsa.

Os nomes nas alas variaram bastante nas últimas partidas, embora o setor tenha à disposição jogadores mais rodados, como Maciej Rybus e Bartosz Bereszynski. O lateral esquerdo Tymoteusz Puchacz, do Lech Poznan, é quem pode pedir passagem. Já na zaga, Kamil Glik lidera a trinca que deve ter Jan Bednarek e Pawel Dawidowicz entre as principais opções, além do jovem Kamil Piatkowski podendo se firmar. O beque de 20 anos do Rakow Czestochowa tem entrado com frequência nas últimas partidas. No gol, não há muitas dúvidas quando a Wojciech Szczesny.

Robert Lewandowski (Foto: Imago / One Football)

O craque

Robert Lewandowski

Qualquer resposta aqui que não fosse “Robert Lewandowski” estaria errada. O centroavante fez uma temporada estupenda em 2019/20, que rendeu a merecida Bola de Ouro. Pois seus números conseguem ser ainda melhores em 2020/21, mas só não deve ser favorito ao prêmio novamente pela queda do Bayern na Champions. Ainda assim, fazer uma Euro surpreendente com a Polônia reforça sua candidatura. O peso de Lewa às expectativas de sua seleção é enorme e o camisa 9, além de ser o maior artilheiro da história do país, também lidera a lista como recordista de jogos. O capitão contabiliza 66 tentos pela equipe nacional, mas sua forma era superior antes da Copa do Mundo de 2018. Ainda assim, os números continuam bons e ele contabilizou 11 gols, além de seis assistências, nas 20 partidas desde o Mundial da Rússia. É ver se a motivação pelos recordes na Bundesliga também providenciam uma Euro histórica, naquela que deve ser uma de suas últimas chances de brilhar no cenário internacional, às vésperas de completar 33 anos. 

Wojciech Szczesny (Foto: Imago / One Football)

Bom coadjuvante

Wojciech Szczesny

A Polônia é uma seleção que tem bons nomes nas duas pontas do campo. Se de um lado Lewandowski é o protagonista, do outro há um ótimo goleiro sob as traves. Wojciech Szczesny confirmou a ascensão de sua carreira e mantém a titularidade na Juventus, como um nome importante aos bianconeri. Ainda não é unânime, mas está de excelente tamanho para o nível da seleção polonesa. Nem sempre o camisa 1 foi titular, mas mais pela qualidade do concorrente, com Lukasz Fabianski fazendo sombra. No entanto, depois de perder a posição na Euro 2016, Szczesny assumiu de vez o posto depois disso e desfruta da confiança de diferentes treinadores. Deve ser bastante exigido e sua forma nas Eliminatórias da Euro merece elogios.

Kacper Kozlowski (Foto: Imago / One Football)

A promessa

Kacper Kozlowski

O jogador mais jovem da Euro 2020 está no elenco da Polônia. Kacper Kozlowski não possui a badalação de Jude Bellingham ou Jamal Musiala, os outros garotos nascidos em 2003 que participarão do torneio, mas justifica sua convocação pelo enorme talento exibido no Campeonato Polonês. O meia fez sua temporada de estreia como titular no modesto Pogon Szczecin e virou uma das grandes revelações da liga local. E a precocidade é uma das virtudes do adolescente, que já era um dos principais jogadores da seleção sub-17 quando tinha apenas 15 anos. Assim, fez o salto à equipe principal já sob as ordens de Paulo Sousa e virou o mais jovem a estrear com a camisa polonesa em mais de 50 anos, desde o lendário Wlodzimierz Lubanski. Ainda deve ser reserva de Piotr Zielinski na armação, compreensivelmente, mas tende a ganhar espaço a partir do segundo tempo dos jogos na Eurocopa – sobretudo quando o time precisar de qualidade na criação.

Kamil Glik (Foto: Imago / One Football)

O veterano

Kamil Glik

Atrás apenas de Lewandowski, Kamil Glik é o segundo jogador com mais aparições pela seleção no atual elenco. O zagueiro não vive mais a melhor forma de sua carreira, como era nos tempos em que liderou o Monaco à conquista da Ligue 1, mas permanece como um nome insubstituível na Polônia. Sua última temporada marcou o retorno à Serie A, rebaixado com o modesto Benevento. Ainda assim, aos 33 anos, o beque preserva seu moral e deve ser um dos esteios poloneses na Eurocopa. O sistema com três zagueiros pode ajudá-lo, ainda mais por bons parceiros à disposição no setor – em especial Pawel Dawidowicz (Verona) e Jan Bednarek (Southampton), dois atletas experimentados nas grandes ligas europeias. Mesmo assim, a voz de comando e a capacidade no jogo aéreo de Glik são chaves ao seu país.

Paulo Sousa (Foto: Imago / One Football)

Técnico

Paulo Sousa

Paulo Sousa vivenciou a Eurocopa dentro de campo. O antigo meio-campista da seleção portuguesa era um dos principais nomes de seu país no fim dos anos 1990 e disputou duas edições do torneio, aparecendo como titular na campanha até as quartas de final em 1996. E esse passado de chuteiras parece valer até mais que o currículo como treinador. Na casamata, a trajetória de Paulo Sousa é bem instável. Nunca passou mais de dois anos à frente de uma mesma equipe, com experiência por clubes como Leicester, Basel e Bordeaux. Chegou a ser campeão suíço e israelense, embora seu trabalho mais significativo tenha ocorrido na Fiorentina, emplacando a quinta colocação na Serie A em 2015/16. Ainda assim, sua escolha pela federação polonesa parece mais uma confiança na grife do que necessariamente num histórico favorável que o respalde. Não começou tão bem nas Eliminatórias para a Copa de 2022, mas possui um elenco cascudo e jogadores para alcançarem pelo menos os mata-matas.

Retrospecto na Eurocopa

A Polônia é mais uma seleção que possui uma representatividade imensa em Copas do Mundo e praticamente nula nas Eurocopas. O país teve seu auge entre os anos 1970 e 1980, quando por duas vezes foi semifinalista do Mundial. Contudo, em tempos de gargalo apertado e poucos participantes na Euro, os poloneses foram barrados nas Eliminatórias por Alemanha Ocidental e Holanda. A chance de estrear ocorreu apenas em 2008. Desde então, foram três participações consecutivas. O time caiu na fase de grupos em 2008 e 2012, sem vitória alguma mesmo quando foi sede nesta segunda aparição. Já em 2016, a equipe apareceu nos mata-matas e só caiu nas quartas de final para Portugal nos pênaltis. Repetir tal desempenho já seria satisfatório.

Participações na Eurocopa: 3 (2008, 2012, 2016)

Melhor desempenho: Quartas de final (2016)

O elenco

pos jogador idade jogos Gols Clube
1 G Wojciech Szczęsny 31 anos 53 0 Italy Juventus
2 D Kamil Piątkowski 20 anos 2 0 Poland Raków Częstochowa
3 M Paweł Dawidowicz 26 anos 3 0 Italy Hellas Verona
4 D Tomasz Kędziora 27 anos 23 0 Ukraine Dynamo Kiev
5 D Jan Bednarek 25 anos 30 1 England Southampton
6 M Kacper Kozłowski 17 anos 3 0 Poland Pogoń Szczecin
8 M Karol Linetty 26 anos 32 2 Italy Torino
9 A Robert Lewandowski 32 anos 119 66 Germany Bayern
10 M Grzegorz Krychowiak 31 anos 80 4 Russia Lokomotiv Moscou
11 A Karol Świderski 24 anos 4 2 Greece PAOK
12 G Łukasz Skorupski 30 anos 4 0 Italy Bologna
13 D Maciej Rybus 31 anos 62 2 Russia Lokomotiv Moscou
14 M Mateusz Klich 30 anos 31 2 England Leeds United
15 D Kamil Glik 33 anos 83 6 Italy Benevento
16 M Jakub Moder 22 anos 10 2 England Brighton
17 M Przemysław Płacheta 23 anos 4 0 England Norwich City
18 D Bartosz Bereszyński 28 anos 32 0 Italy Sampdoria
19 M Przemysław Frankowski 26 anos 12 1 United States Chicago Fire
20 M Piotr Zieliński 28 anos 60 7 Italy Napoli
21 M Kamil Jóźwiak 23 anos 14 2 England Derby County
22 G Łukasz Fabiański 36 anos 56 0 England West Ham United
23 A Dawid Kownacki 24 anos 7 1 Germany Fortuna Düsseldorf
24 A Jakub Świerczok 28 anos 5 1 Poland Piast Gliwice
25 D Michał Helik 25 anos 3 0 England Barnsley
26 D Tymoteusz Puchacz 22 anos 2 0 Poland Lech Poznań

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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