Guia da Euro 2020: Croácia
A geração vice-campeã mundial não manteve um nível tão alto, mas segue com jogadores de talento
Este texto faz parte do Guia da Euro 2020.
Como foi o ciclo desde a Copa de 2018
Não foi ótimo para um time com o pedigree de ter sido vice-campeão mundial. Em parte, porque o núcleo da Croácia ainda consiste nos mesmos jogadores, três anos mais velhos – Ivan Rakitic e Mario Mandzukic são os principais nomes que ficaram pelo caminho – e com a barriga cheia pela campanha na Rússia. As participações na Liga das Nações foram pífias. Os croatas não deram a menor atenção à nova competição, com duas vitórias e sete derrotas (incluindo 6 a 0 para a Espanha) em dez jogos. Eles não foram rebaixados na primeira edição por causa da reestruturação para quatro equipes por grupo e na segunda pelo saldo de gols, empatados com a Suécia em apenas três pontos. A classificação à Eurocopa foi tranquila, com a liderança de um grupo sem grandes desafios (Gales, Eslováquia, Hungria e Azerbaijão). A campanha por vaga na Copa do Catar começou mal, com derrota para a Eslovênia. A Croácia se recuperou batendo Chipre e Malta, o que todo mundo deve fazer, e, no geral, passou os últimos três anos com atuações bem fraquinhas.
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Como joga
A estrutura é quase a mesma da Copa do Mundo. Falta um pouco de qualidade nas laterais, setor em que Sime Vrsaljko ainda se destaca. A zaga tem três jogadores de bom nível em Dejan Lovren, Duje Caleta-Car e Domagoj Vida. É no meio-campo que o negócio começa a ficar interessante. Com as peças que têm à disposição, o desafio de Zlatko Dalic é encontrar a melhor combinação para cada partida. O único meia mais defensivo é Milan Badelj. Mas ele não precisa necessariamente jogar porque Marcelo Brozovic é mais do que capaz de segurar a cabeça de área. Luka Modric com certeza será escolhido se tiver condições físicas. A questão é se como segundo ou terceiro homem, com a presença de Kovacic ao seu lado ou com Nikola Vlasic ou Mario Pasalic com mais liberdade para atacar. Josip Brekalo, Andrej Kramaric e Ante Rebic oferecem força e finalização pelas pontas, mas os dois últimos também podem ser centralizados. O centroavante de ofício seria Bruno Petkovic ou o algoz do Tottenham na Liga Europa, Mislav Orsic, mais improvisado.

O craque
Luka Modric
É bom aproveitar enquanto dura. Não que Modric esteja dando sinais de estar perto do fim, além dos normais para um jogador de 35 anos. Ainda fez uma grande temporada pelo Real Madrid, que teve seus melhores momentos baseados no meio-campo com ele, Casemiro e Toni Kroos. Mais importante até, não teve problemas físicos sérios e jogou 35 das 38 rodadas do Campeonato Espanhol. Por outro lado, parece estar atuando mais distante da área, sem influenciar tanto com assistências e gols, mas puxando as cordinhas um pouco para trás. A seleção croata, porém, depende muito do seu poder de decisão para fazer campanha digna.

Bom coadjuvante
Marcelo Brozovic
A dupla com Nicolò Barella foi um dos pilares do sucesso da Internazionale nesta temporada. Maduro, com 28 anos, e muita experiência nas costas, Brozovic é aquele meia capaz de exercer várias funções dentro de campo. Sabe defender e atacar com qualidade. Quer um exemplo? Está entre os jogadores da posição com mais desarmes e interceptações da Serie A e também com mais passes para finalização. Será muito importante para dar equilíbrio ao setor mais talentoso da Croácia.

A promessa
Josip Brekalo
Apenas três convocados são mais jovens, mas Brekalo é de longe o que possui mais rodagem. Aos 22 anos, ter 115 partidas de Bundesliga é impressionante. Chegou do Dínamo Zagreb ao Wolfsburg em 2016, passou um ano emprestado ao Stuttgart e, desde que retornou, tem se desenvolvido em um jogador de lado de campo veloz e perigoso. Mesmo na seleção já tem uma boa experiência: atuou em todos os jogos da Croácia, menos um, desde que estreou em novembro de 2018.

O veterano
Ivan Perisic
Desde a Copa do Mundo, Perisic passou por uma certa montanha-russa. Chegou a ser bastante especulado no Manchester United, mas acabou emprestado ao Bayern de Munique, que queria um pouco mais de experiência nas pontas com os ocasos de Ribéry e Robben. Foi um reserva de luxo na Alemanha e, ao retornar à Internazionale, o seu futuro era um pouco incerto porque Antonio Conte nunca usa pontas. Mas se reinventou para ser útil dentro do esquema 3-5-2 de Conte como ala pela esquerda e deu contribuição importante à conquista do Scudetto. Na convocação da Croácia, apenas Modric fez mais jogos pela seleção do que ele.

Técnico
Zlatko Dalic
Dalic assumiu a Croácia no fim da campanha das Eliminatórias para a Copa do Mundo da Rússia. Era um treinador relativamente pouco conhecido, com passagens por clubes locais na Croácia, com destaque para o vice-campeonato da copa com o Varteks em 2006. Ganhou mais destaque pelo Al Hilal, da Arábia Saudita, pelo qual foi vice-campeão nacional, e pelo Al Ain, dos Emirados Árabes. Além de ter sido campeão da liga e da copa, chegou à decisão da Champions League asiática. Agora, é o homem que conduziu o país à decisão da Copa do Mundo na Rússia. Ganhou tanta moral que teve até o contrato renovado até o Mundial do Catar, apesar das campanhas fracas na Liga das Nações.
Retrospecto na Eurocopa
Desde a independência, a Croácia não participou apenas da Eurocopa de 2000, mas ainda está devendo uma grande campanha. As melhores até agora pararam nas quartas de final, em 1996 e em 2008, quando um jovem Luka Modric ajudou a seleção a superar a Alemanha na fase de grupos antes de perder para a Turquia nos pênaltis.
Participações na Eurocopa: 5 (1996, 2004, 2008, 2012, 2016)
Melhor desempenho: Quartas de final (1996, 2008)
O elenco

