Eurocopa

Foi com drama, mas a Alemanha arrancou o empate contra a Hungria no fim e, vice-líder, pegará a Inglaterra

A Alemanha caiu de nível em relação à vitória anterior e ficou duas vezes atrás no placar, mas evitou a hecatombe com um tento no fim

A tensão pairou no ar dentro da Allianz Arena. Diante do enorme equilíbrio no Grupo F da Euro 2020, a Alemanha encontrou dificuldades para confirmar a classificação, mas acabou se garantindo na segunda colocação e agora pegará a Inglaterra nas oitavas de final. Num jogo com um contexto político muito além dos 90 minutos, a Hungria esteve sempre pronta a complicar aos alemães. Os magiares mantiveram o bom nível das outras partidas e, em dois momentos distintos, estiveram à frente no placar. A Mannschaft encontrou dificuldades para transformar seu domínio em gols e somente aos 39 do segundo tempo arrancou o empate por 2 a 2, que evitou uma desastrosa eliminação. Apesar do bom papel em campo, os húngaros encerram sua participação na competição. Já o time de Joachim Löw ganha sobrevida, mas ficou devendo pelo futebol burocrático e pouco incisivo desta quarta. Precisará recobrar os mecanismos que deram certo contra Portugal.

As formações

Joachim Löw entrava com uma mudança em relação à equipe que derrotou Portugal no fim de semana. Thomas Müller dava lugar a Leroy Sané no ataque. De resto, o treinador mantinha a formação no 3-4-3, com destaque a Joshua Kimmich e Robin Gosens abertos nas alas. Já a Hungria repetia a formação que empatou com a França em Budapeste. O técnico Marco Rossi pôde contar até mesmo com o centroavante Ádám Szalai, substituído nos primeiros minutos no sábado, que compunha a dupla ofensiva ao lado de Roland Sallai.

O arco-íris no hino

Após a proibição da Uefa para que a Allianz Arena se iluminasse com as cores do arco-íris em apoio ao movimento LGBT (e em resposta às leis do governo húngaro), uma manifestação aconteceu em campo. Durante a execução do hino magiar, um invasor entrou no gramado carregando a bandeira do movimento LGBT. Acabou contido pela segurança. Vale lembrar que várias bandeiras pequenas foram distribuídas nas arquibancadas, enquanto outros tantos estádios alemães se iluminaram com as cores do arco-íris durante o jogo.

Hungria surpreende

A Alemanha não exibia a intensidade vista nos minutos iniciais contra Portugal. A equipe era mais ofensiva, mas sem exercer uma blitz tão sufocante contra os húngaros. Até criou uma boa chance, em lance de Kimmich na linha de fundo, mas Péter Gulácsi realizou a defesa firme. E o espaço excessivo permitiu que a Hungria abrisse o placar aos 11 minutos. Numa transição rápida, Toni Kroos deu todo o espaço para Roland Sallai fazer o cruzamento na intermediária, pelo lado direito. Ádám Szalai passou entre dois zagueiros e, sem que Mats Hummels o acompanhasse, o centroavante mergulhou para cabecear às redes. Com esse resultado e o empate parcial de Portugal, os alemães estavam sendo eliminados. Precisavam do gol a qualquer custo.

Hummels carimba a trave

A Alemanha ainda levou um tempinho para pegar no tranco. Porém, logo a pressão se tornou maior. Havertz faria boa jogada pelo lado direito, mas o cruzamento rasteiro da linha de fundo passou pela pequena área sem ninguém completar. A equipe encontrava dificuldades para abrir espaços na defesa húngara e dependia dos cruzamentos. Poderia ter marcado a partir de uma cobrança de escanteio aos 21, na qual Hummels carimbou a trave. Pouco depois, seria a vez de Matthias Ginter ter a chance de concluir no meio da área, mas mandou em cima de Gulácsi. O volume de jogo era dos alemães, mas precisando de um homem mais de área no ataque. Além disso, a Hungria não se continha a fazer faltas.

A chuva aperta, o jogo trava

O fim do primeiro tempo ficaria mais travado. A chuva caía forte em Munique e a Alemanha tinha dificuldades para progredir. O jogo era bastante pegado, com muitas divididas e poucas finalizações. A Hungria até se permitiria sair um pouco mais para o campo ofensivo, arriscando chutes de longe. Enquanto isso, a Alemanha repetia o problema da estreia e ficava muito desequilibrada ao lado direito, toda hora procurando Kimmich para cruzar. Nem isso conseguia mais, com a marcação magiar dobrando. O meio não ajudava na criação, com Kroos e Ilkay Gündogan fazendo o trabalho burocrático. Sequer arriscavam chutes de fora da área. Somente pouco antes do intervalo Havertz conseguiu penetrar na área em boas condições, mas acabou bloqueado.

Alemanha mexe as peças, mas não melhora

A Alemanha voltou ao segundo tempo sem alterações, mas mudou peças de lugar. Sané não vinha ajudando muito Gosens pela esquerda e assumiu o papel de ala direito, com Kimmich puxado para o meio. Ainda assim, a Mannschaft rodava a bola sem muita urgência e tinha dificuldades para romper o paredão húngaro. O tempo passava e deixava os magiares mais confortáveis com o placar. Aos 13 minutos, Löw realizou a primeira troca, com Gündogan dando lugar a Leon Goretzka.

A Alemanha empata, mas…

Antes que a Alemanha aproveitasse os efeitos da mudança, a Hungria explorou as dificuldades de Sané na marcação. Num desses lances, o ponta concedeu uma falta no limite da grande área. Roland Sallai bateu direto e beliscou a trave de Neuer. Do outro lado, os húngaros também realizavam várias faltas na intermediária. E seria numa dessas que a Mannschaft empatou, aos 21. Kroos cruzou e Gulácsi saiu em falso. Hummels escorou de cabeça e Havertz conseguiu completar quase em cima da linha, dando um leve desvio. Logo depois, o jovem sairia para dar lugar a Timo Werner.

…logo a Hungria anota o segundo

A Alemanha nem teve tempo de desfrutar o empate. A Hungria retomou a vantagem logo na reposição, aos 23. Numa bola longa, Hummels afastou parcialmente. András Schäfer ficou com a segunda bola, cabeceando a Ádám Szalai. O centroavante, então, dominou e passou por elevação para aproveitar a infiltração do companheiro. Com o cochilo de Sané na marcação, o próprio Schäfer se antecipou de cabeça a Neuer e tocou na saída do goleiro. A pressão voltava a ser maior sobre os alemães. Logo outra mudança aconteceria, com Thomas Müller na vaga de Gnabry.

Mudanças importantes

A Alemanha sentiu o gol e demorou a levar perigo novamente. Por mais que Goretzka e Müller sejam melhores cabeceadores, os cruzamentos excessivos não tinham muito proveito. Faltava à Mannschaft botar a bola no chão e trabalhar melhor os passes. Quando isso aconteceu, quase veio o empate aos 36. Kroos tabelou com Gosens e conseguiu arrematar cruzado dentro da área, mas a bola saiu muito próxima da trave. Logo depois, Löw queimaria suas duas últimas alterações, com Jamal Musiala e Kevin Volland nas vagas de Gosens e Matthias Ginter. A Hungria, que já tinha trocado Roland Sallai por Szabolcs Schön pouco antes, também terminaria de mudar seu ataque com Kevin Varga no lugar de Ádám Szalai.

A Alemanha respira e sobrevive com o empate

As mudanças não demoraram a surtir efeito na Alemanha. O novo empate saiu aos 39 minutos, com grande participação de Musiala. O garoto deu algo que faltava ao Nationalelf: o drible certo. Depois de uma finta pela esquerda, ele passou ao meio da área. Goretzka ajeitou para Werner chutar em cima da marcação, mas a sobra ficou com o próprio Goretzka e o meio-campista acertou uma batida rasteira para vencer Gulácsi. A partir de então, o relógio favorecia os alemães e fazia mais sentido trabalhar a posse de bola. A Hungria mexeria outras duas vezes, com Georgo Lovrencsics e Nemanja Nikolics em campo, após as saídas de Attila Fiola e László Kleinheiser. Com isso, tentava buscar o gol da salvação. Os alemães, todavia, sabiam que o resultado era suficiente. Gastaram o tempo com inteligência e ainda tiveram novas escapadas não aproveitadas ao terceiro. O empate não agradou, mas botou a Mannschaft na vice-liderança.

Como ficou o Grupo F

A Alemanha terminou na segunda colocação do Grupo F, com quatro pontos, um a menos que a líder França. A equipe de Joachim Löw se igualou a Portugal, mas levou vantagem no confronto direto. Os lusitanos passaram como um dos melhores terceiros. Já a Hungria ficou na lanterna, com dois pontos, mas um desempenho bastante honroso no “grupo da morte”. Agora, a necessidade da vitória dos alemães será maior no clássico contra a Inglaterra, 21 anos após a famosa semifinal na Euro 1996.

Ficha técnica

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo