Faltou criatividade, faltou interesse e, sobretudo, faltou futebol em Inglaterra 0x0 Eslováquia

Inglaterra e Eslováquia se enfrentaram em Saint-Étienne com a situação bem encaminhada na Eurocopa. Em um torneio no qual os melhores terceiros colocados também avançam, os pontos conquistados anteriormente já serviram para aproximar ambas as equipes dos mata-matas. E o que se viu nesta segunda foi mais um jogo cansativo na competição. Almejando a liderança da chave, os ingleses pressionavam, mas não demonstravam criatividade suficiente. Enquanto isso, os eslovacos jogavam com o regulamento sob os braços, buscado o empate que praticamente lhe assegurou nas oitavas de final. Pena de quem viu o 0 a 0 no Estádio Geoffroy Guichard, que entregou a primeira colocação do Grupo B de bandeja a Gales.
Em uma partida na qual a exigência não era grande, Roy Hodgson aproveitou para fazer mudanças em sua equipe. Efetivou Jamie Vardy e Daniel Sturridge no ataque titular, depois das participações decisivas contra os galeses. Enquanto isso, defesa e meio de campo também traziam mudanças pontuais. Já do outro lado, a Eslováquia se preocupou em congestionar a faixa central do campo para cumprir seu objetivo. Mesmo sem a posse de bola, suportava a pressão dos Three Lions.
Postada no campo de ataque, a Inglaterra explorava principalmente as laterais, com Nathaniel Clyne substituindo bem Kyle Walker. No entanto, a melhor chance do primeiro tempo veio em um contra-ataque. Como aconteceu várias vezes na última temporada, Vardy disparou em velocidade e saiu na cara do gol, mas parou em boa defesa do goleiro Kozácik. No mais, faltava criatividade ao meio-campo inglês, diante da solidez defensiva dos eslovacos. Com o passar do tempo, os arremates passaram a ser menos frequentes. E, quando Lallana soltou o pé, Kozácik realizou outra ótima intervenção para manter o placar zerado.
A Eslováquia voltou melhor do intervalo. Começou a sair mais ao ataque, levantando a bola na área, mas parando em Joe Hart. Ainda assim, as referências da equipe apareciam pouco. Diante dos sustos, Roy Hodgson passou a realizar suas primeiras alterações. Wayne Rooney e Dele Alli saíram do banco, renovando o fôlego ofensivo dos Three Lions. Nada suficiente para superar a entrega dos eslovacos, bloqueando a maior parte das tentativas. Skrtel, sobretudo, liderava a zaga e salvou o seu time em mais uma oportunidade. Já aos 30, a última cartada dos ingleses veio com Harry Kane na vaga de Sturridge. Os britânicos ganharam presença de área e passaram a bombardear, entre cruzamentos e chutes de média distância. Não assustaram muito os oponentes.
Com a segunda colocação, o desafio para a Inglaterra será criar uma identidade sobre o time para os mata-matas. A vitória sobre Gales foi bastante valiosa, mas as mudanças constantes deixam poucas certezas para a sequência. Dos novos titulares, apenas Vardy e Clyne aproveitaram bem a oportunidade desta segunda, embora dificilmente o lateral ganhe a vaga de Kyle Walker. Já a Eslováquia, cumprido o objetivo ao praticamente se assegurar entre os melhores terceiros, deve entrar de peito um pouco mais abertos em seus próximos compromissos. Pela qualidade de alguns jogadores, dá para se esperar mais dos eslovacos. Marek Hamsik, por exemplo, mal participou do jogo diante dos ingleses. Em uma partida que mais pareceu handebol do que futebol (pelo “ataque contra defesa” e não pela beleza, que fique claro), o que valeu mesmo foi a classificação de ambos, independente da forma.
Inglaterra 0x0 Eslováquia
Inglaterra: Hart, Clyne, Cahill, Smalling e Bertrand; Dier, Henderson e Wilshere (Rooney); Sturridge (Kane), Vardy e Lallana (Alli). Técnico: Roy Hodgson.
Eslováquia: Kozácik, Pekarík, Skrtel, Durica e Hubocan; Mak, Kucka, Pecovsky (Gyömbér), Hamsik e Weiss (Skriniar); Duda (Svento). Técnico: Jan Kozák.

