Eurocopa serviu para derrubar as barreiras em relação a Cristiano Ronaldo
Ame-o ou odeio-o, é incontestável a grandeza do jogador que é Cristiano Ronaldo. O português é um dos maiores atletas que o esporte já teve. Não especificamente do futebol. Não de Portugal. Não da atualidade. De toda a história e de todo o mundo. Mas, como qualquer outro esportista em cujas veias corre sangue competitivo e que só vitórias e conquistas interessam, e a concretização destas, por sua vez, sempre o colocam em destaque, costuma dividir opiniões e ser bastante criticado. E não a toa. Isso porque ele não faz o tipo calmo, silencioso. Que “deixa para lá”. Cristiano é um ser humano e, como tal, age conforme ditam suas emoções. E é sua personalidade espontânea a principal responsável por formar barreiras e dúvidas externas em torno dele.
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Nesta Eurocopa, várias facetas de Cristiano Ronaldo foram mostradas. Durante a fase de grupos, em um momento que antecedia a última partida, da qual Portugal precisava sair com, pelo menos, um bom empate, o jogador foi abordado por um repórter português de forma um pouco atrevida. Na ocasião, o camisa 7 puxou o microfone da mão do jornalista e o arremessou no lago sem mais nem menos. Não por acaso, rapidamente uma chuva de julgamentos caiu sobre ele. Muitas pessoas o taxaram como o pior jogador no extracampo. Disseram que sua soberba anulava sua técnica. Mas o que estava por trás dessa atitude poucos tentaram saber. O motivo não foram somente matérias feitas pelo jornal em que o profissional trabalha as quais demonizavam o atleta. Fotos de membros de sua família em situações vexatórias e o difamações o acusando de coisas muito graves também foram publicadas pelo veículo.
Lógico que nem todas suas atitudes são louváveis ou passíveis de compreensão. Como por exemplo a declaração sobre o time da Islândia, que, apesar de não ter sido feita com a pior das intenções, acabou sendo bastante infeliz. No entanto, a maioria dos comportamentos do atacante durante o torneio foi aplaudível e serviu para patentear sua característica mais pulsante: a de líder. De uma forma nunca antes vista, nem mesmo no tempo em que carregou a braçadeira no Real Madrid, Cristiano motivou seus companheiros de equipe e inflamou a chama da vontade de vencer em cada um deles, a qual por alguns momentos quase se apagou. Em suma, agiu como um verdadeiro capitão. E, no fim, pouco importou se as expectativas em campo não tenham sido completamente correspondidas (tanto para ele, que cobra tanto de si próprio, quanto para o resto do mundo), muito embora a classificação de Portugal para o mata-mata só tenha se dado por méritos exclusivos dele no jogo contra a Hungria.
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Ontem, depois do apito tão esperando pelos adeptos portugueses e da celebração com a taça inédita, Cristiano Ronaldo concedeu uma entrevista e, mais do que nunca, mostrou ser digno de todos os elogios existentes. Em meio a uma onda de intolerância e preconceito com imigrantes que toma conta da Europa, o português dedicou o primeiro título da história de Portugal em uma competição de grande porte a todos aqueles que constantemente são vítimas de xenofobia. “É um troféu para todos os portugueses, para todos os imigrantes, todas as pessoas que acreditaram em nós. Estou muito feliz e muito orgulhoso”, afirmou, provando que sua compaixão para com o próximo excede o meio esportivo e, sobretudo, sua zona de conforto.
Todos os lados de Cristiano Ronaldo, no fim, são um só. O do episódio do repórter. De Moutinho. Da bondade com intrusos e crianças que entram no gramado com o time. Do choro convulsivo. Do descontentamento com si mesmo por não ter aguentado mais do que dez minutos em campo depois de levar uma entrada dura de Payet. Do incentivo. Da determinação. Da garra. E, por último, da alegria imensurável após a conquista do que parecia impossível. Todos traduzem o enorme atleta que o camisa 7 é. Gigante dentro e fora das quatro linhas. E é inegável que esta Eurocopa, mais do que tudo, serviu para quebrar a imagem de egocêntrico, arrogante e mal intencionado que ele carregava. E que, depois do torneio, vai ser difícil que bloqueios em relação ao português persistam. Eles, agora, não existem mais.

