Eurocopa

Espanha sobrevive a uma valente Suíça e, nos pênaltis, se classifica à semifinal

Com uma grande atuação de Sommer, a Suíça segurou a Espanha, levou a disputa para os pênaltis, mas a Espanha levou a melhor

A Espanha é a primeira semifinalista da Euro 2020, depois de um jogo de muito sofrimento. A Roja saiu na frente logo no começo do jogo, mas sofreu o empate no segundo tempo e, mesmo com um jogador a mais, não conseguiu o gol. E não foi por falta de tentativa. Foram 28 finalizações ao longo dos 120 minutos de bola rolando, com 10 delas no alvo. Destas, 18 finalizações foram só na prorrogação. O goleiro Yann Sommer fez uma grande partida, impediu tudo que conseguiu. No fim, o empate por 1 a 1 permaneceu mesmo após a prorrogação. Assim, foi preciso disputar pênaltis. Algo que a Suíça já tinha vivido nas oitavas. Desta vez, porém, foi ela quem saiu triste. A derrota nas penalidades deixou os jogadores suíços decepcionados, mas o time tem razões para sair de cabeça erguida. A Espanha avança e espera a definição de Bélgica e Itália para saber seu adversário.

Os times

A Suíça não teria o seu capitão, Granit Xhaka, suspenso. Sem ele, o técnico Vladimir Petkovic colocou em campo Denis Zakaria. A braçadeira passou a Xherdan Shaqiri. Os suíços se armaram em um 4-2-3-1, de forma a tentar fechar os espaços.

A Espanha não tinha nenhum desfalque. O técnico Luis Enrique mudou dois jogadores no time que jogou contra a Croácia, nas oitavas de final. Saiu o zagueiro Eric Garcia e entrou Pau Torres, além da entrada do lateral Jordi Alba no lugar de José Luis Gayà. O ataque mantinha Álvaro Morata como referência, ao lado de Ferrán Torres e Pablo Sarabia. No meio, Sergio Busquets como pivô defensivo, com Koke e Pedri ao seu lado.

Primeiro tempo

Logo no começo do jogo, a Espanha conseguiu o gol. Depois de uma cobrança de escanteio, a bola sobrou fora da área, no lado esquerdo, para Jordi Alba. Ele finalizou para o gol, a bola desviou em Denis Zakaria e matou o goleiro Yann Sommer: 1 a 0 para a Espanha.

A Suíça teve outra notícia ruim aos 23 minutos. Breel Embolo teve que deixar o campo, machucado. Em seu lugar, entrou Ruben Vargas. Os helvéticos perdiam o seu jogador mais perigoso de ataque, rápido, forte e que poderia ser um puxador de contra-ataques. O camisa 7 lamentou muito no banco, após sair.

O jogo teve um cenário bastante esperado. A Espanha dominava a posse de bola, trocava passes e chegava mais ao ataque. A Suíça tentava sair em ataques rápidos, mas não conseguia encaixar bons ataques. O time não conseguia permanecer muito tempo com a bola e era forçada ao erro pelos espanhóis.

Por outro lado, a Espanha, embora tivesse a bola e fosse mais ao ataque, encontrava uma defesa bem posicionada para impedir os espaços. Entrar na área suíça era uma missão difícil. Foram poucos toques na bola dos espanhóis dentro da área. Portanto, era também difícil para a Espanha criar jogadas de perigo.

Com isso, o primeiro tempo praticamente não teve lances de perigo, exceto pelo gol. O jogo era disputado em um ritmo lento. Suíços com dificuldades de sair em contra-ataque, Espanha engasgada na defesa adversária.

Segundo tempo

Logo no começo da etapa final, Ferrán Torres avançou, tocou para Morata, que abriu na esquerda para Dani Olmo. O meia entrou no intervalo no lugar de Pablo Sarabia e, com liberdade, finalizou fraco e permitiu uma defesa fácil de Sommer. Depois, o lance acabaria anulado por impedimento de Morata.

A postura da Suíça era um pouco diferente no segundo tempo e começou a ficar um pouco mais à frente. Mas ainda tinha dificuldades de criar. Depois de alguns ataques sem conseguir sucesso, a defesa da Espanha resolveu ajudar.

Ainda no começo do segundo tempo, aos nove minutos, Luis Enrique fez uma segunda mudança: tirou Morata e colocou Gerard Moreno. Curiosamente, o camisa 9 não entrou centralizado. Ele foi para o lado direito do ataque, com Ferrán Torres indo para o centro.

Defesa falha e Suíça empata

Em um lançamento pela direita para Remo Freuler, Aymeric Laporte tocou, a bola bateu em Pau Torres e sobrou de volta para Freuller, dentro da área. O camisa 8 tocou para trás e Shaqiri complexou para o gol: 1 a 1 em São Petersburgo.

O gol animou os suíços, que passaram a ter mais energia no campo de ataque, usar mais os lados do campo e usando mais velocidade. Os espaços começaram a aparecer. Nos minutos seguintes ao gol, a Espanha pouco conseguia fazer para chegar ao ataque.

Suíça com um jogador expulso

Um lance crucial aconteceu aos 32 minutos. Remo Freuler entrou em um carrinho em Gerard Moreno. O árbitro não titubeou: parou o jogo e deu o cartão vermelho ao meio-campista suíça. Uma decisão rigorosa do árbitro Michael Oliver, da Inglaterra.

Com um jogador a menos, a Suíça tentou se recompor. O técnico Vladimir Petkovic sacou Xherdan Shaqiri, autor do gol, e colocou Djibril Sow, fechando mais o meio-campo. Também aproveitou para tirar Haris Seferovic e colocar Mario Gravanovic no ataque. O time se fechou no clássico 4-4-1 de times que ficam com um jogador a menos.

Nos acréscimos da partida, os dois times fizeram mudanças, já dando a entender que seria por causa do tempo extra. Na Espanha, saiu Koke e entrou Marcos Llorente, seu companheiro de clube. Finalmente sendo usado pelo meio. Na Suíça, saiu o ponta Steven Zuber e entrou Christian Fassnacht.

A Espanha até tentou um pouco mais no fim do jogo, com cruzamentos de Gerard Moreno da direita para o meio, mas sem sucesso. O árbitro apontou o fim do jogo e seriam precisos ao menos mais 30 minutos de prorrogação para definir quem avançaria à semifinal. Os dois times disputaram prorrogação também nas oitavas de final. A Espanha venceu na prorrogação, marcando dois gols. A Suíça ficou sem gols e venceu a França nos pênaltis.

15 minutos de pressão espanhola

Antes da prorrogação, o técnico Luis Enrique fez mais uma mudança. Tirou Ferrán Torres e colocou em campo Mikel Oyarzábal. Moreno, assim, foi para o meio do ataque, com Oyarzabal pela direita.

Logo no começo da prorrogação, a Espanha encaixou um bom ataque, tocou bem a bola e Jordi Alba cruzou para Gerard Moreno. O camisa 9 finalizou de canela e errou o alvo. Grande chance desperdiçada pela Espanha na partida.

O cenário estava posto novamente: a Espanha ficaria novamente com a posse de bola, em busca de um espaço. Em um chute de fora da área, Jordi Alba esquentou a mão de Sommer, que precisou mandar para escanteio. Na cobrança, uma cabeçada que Sommer defendeu com segurança.

Pouco depois, Dani Olmo finalizou de fora da área, a bola desviou em Moreno e assustou Sommer, que ficou sem reação. A bola foi para fora. Se vai no gol, o goleiro suíço não teria nem o que fazer.

Sem saída de trás, a Suíça era sufocada pela Espanha. Os helvéticos tinham problemas para trocar mais de dois passes. E a Espanha seguia em cima, pressionando, buscando o gol, conseguindo escanteios e levando algum perigo.

Sem saída, a Suíça fez mais mudanças. Saíram Denis Zakaria e Silvan Widmer e entraram Fabian Schär, zagueiro, e Kevin Mbabu, um lateral mais ofensivo. Só que a pressão continuava da Espanha. Aos nove minutos, depois de uma bola lançada para dentro da área, ela sobrou para Gerard Moreno e ele pegou firme de pé esquerdo. Mais uma vez, Sommer defendeu. O atacante pareceu nem acreditar.

Os suíços se concentravam da intermediária para trás. O time parecia cansado e se segurava como podia. Contava com uma grande atuação de Sommer, que se mostrava seguro em todos os lances que passavam por ele. Quando o primeiro tempo da prorrogação acabou, eram 10 chutes a gol da Espanha, com quatro deles no alvo, e 75% de posse de bola aos espanhóis. Um massacre. A Suíça não conseguiu uma finalização sequer. Se segurava onde podia.

Tudo ou nada

Com o que aconteceu no primeiro tempo da prorrogação, era esperado que a Espanha pressionasse pelos 15 minutos restantes para arrancar o gol. A Suíça torcia para ter um contra-ataque que permitisse um gol salvador.

A primeira chance veio em um cruzamento rasteiro de Jordi Alba, depois de troca de passes, e encontrou Marcos Llorente livre no meio da área. Ele chegou chutando de primeira, mas um carrinho de Ricardo Rodríguez bloqueou o chute. Uma grande ação defensiva do lateral. O jogo seguia empatado.

Só a Espanha tinha a bola, mas não acelerava o jogo. Nas poucas vezes que tocava a bola com mais rapidez, os espaços surgiam. Com cinco minutos, lançamento na esquerda para Alba, que cruzou novamente para o meio e Dani Olmo finalizou fraco. Sommer defendeu sem dificuldade.

Com sete minutos do segundo tempo da prorrogação, Luis Enrique colocou em campo Thiago Alcântara e tirou o zagueiro Pau Torres. Uma tentativa de, nos últimos minutos, fazer um sufoco e tentar o gol salvador. Em um escanteio, Busquets conseguiu um desvio e Sommer conseguiu defender.

Com a bola, nos poucos segundos que a tinha, a Suíça gastava o tempo e procurava faltas para fazer o relógio andar. De segundos em segundos, os suíços pareciam contar o tempo no relógio. E se esforçavam no que ainda tinham de pernas. Sem seus principais talentos em campo, era o que restava.

Em uma saída de bola errada, rara na Suíça, Morenoi teve a chance. Balançou o corpo, puxou para o lado esquerdo e finalizou. Mas o cansaço atingia também os espanhóis. O chute saiu fraco e Sommer defendeu mais uma vez.

Com o relógio quase batendo 14 minutos do segundo tempo da prorrogação, Luis Enrique fez a sua última mudança, já provavelmente pensando nos pênaltis. Colocou em campo Rodri e tirou o garoto Pedri.

Não teve jeito: depois de mais pressão da Espanha, com um minuto de acréscimo, o árbitro colocou um fim ao jogo. A decisão seria nos pênaltis.

Pênaltis

Só de ter levado a disputa para os pênaltis, moralmente a Suíça estava muito mais empolgada. Com uma grande atuação nos 120 minutos de jogo, Sommer, o capitão suíço com as ausências de Xhaka e Shaqiri, foi quem sorteou quem bateria primeiro. Capitão espanhol, Busquets escolheu cobrar primeiro. E ele mesmo, com braçadeira e bola embaixo do braço, foi para a primeira cobrança.

Veja como foram as cobranças:

  • Busquets cobrou na trave.
  • Gravanovic foi o primeiro suíço a bater e cobrou com segurança, no canto, alto, e marcou.
  • Dani Olmo cobrou pela Espanha e marcou, com um chute no alto, firme e preciso.
  • A Suíça cobrou com Fabian Schär e foi muito mal: fraco, no canto baixo, e Unai SImón defendeu.
  • Rodri, que entrou basicamente só pra cobrar pênaltis, cobrou à meia altura no canto esquerdo e Sommer defendeu.
  • Akanji foi o cobrador seguinte e, inseguro, bateu mal, fraco, e Unai Simón defendeu. Seguia tudo igual.
  • Gerard Moreno, que já tinha perdido um pênalti na Euro, cobrou com firmeza, no canto alto de Sommer, que nem teve chance.
  • Ruben Vargas tinha a responsabilidade, mas cobrou muito mal: mandou por cima do gol. A Espanha ficou a uma cobrança de definir a classificação.
  • O responsável pela cobrança era Mikel Oyarzabal. Bastava ele marcar e a Espanha estava na semifinal. Ele partiu de pé esquerdo, cobrou com categoria e colocou na rede: gol da Espanha, classificada.

Depois de um jogo dramático, a Espanha estava na semifinal da Eurocopa. Tornou-se o primeiro a se classificar, com sofrimento. A Suíça deixa a Euroi com lágrimas nos olhos pela derrota, mas o time mostrou uma valentia enorme e soube competir mesmo sem Xhaka, mesmo com um jogador a menos por um bom tempo no jogo.

Ficha técnica

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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