Eurocopa

Espanha complica a vida da Itália, mas nos pênaltis, Azzurra vai à final

Em uma partida que a Espanha foi melhor, a Itália conseguiu se organizar, resistiu e avança à final

Itália e Espanha fizeram um duelo dramático e que poderia ter acabado com a vitória de qualquer um dos dois. A Espanha, que começou mal o torneio, saiu de jogos horrorosos no início desta Euro 2020 para ter uma grande atuação diante da Itália. Conseguiu ser melhor que os italianos em boa parte do jogo, atuou de maneira incrível, mas foi superada por uma Itália que conseguiu resistir ao excelente plano de jogo espanhol, equilibrou a disputa e, depois de um empate por 1 a 1, conseguiu a classificação de modo dramático, nos pênaltis.

Uma partida memorável, que mesmo o perdedor não tem motivos para baixar a cabeça. O que a Espanha fez na partida foi um plano de jogo incrível. Conseguiu tirar a fluência do jogo italiano, causar problemas ao estilo de jogo do time de Roberto Mancini e dá para dizer que os comandados de Luis Enrique foram até superiores, ainda que por pouco. A Espanha que termina a Euro é muito melhor do que a que começou. Só que verá a final de casa. Será a Itália, que conseguiu fazer um jogo difícil, superar a dificuldade imposta pela Espanha e avança para tentar seu segundo título de Euro na história. Espera quem virá do outro lado entre Inglaterra e Dinamarca.

Os times

A Itália veio com apenas uma mudança em relação às quartas de final. Sem o lateral Leonardo Spinazzola, que rompeu o tendão de aquiles, entrou Emerson Palmieri, brasileiro naturalizado italiano. No mais, o time escalado por Roberto Mancini foi exatamente o mesmo.

Na Espanha as mudanças foram maiores. O ataque foi modificado. Saiu Álvaro Morata, que vinha sendo muito criticado, e entrou Mikel Oyarzabal. Ferrán Torres foi mantido no titme titular e Pablo Sarabia, machucado, deu lugar para o retorno de Dani Olmo. O resto do time, em todos os setores, foi mantido igual.

Primeiro tempo com a Espanha melhor

O início de jogo foi uma disputa de posse de bola e a Espanha levou a melhor nos primeiros 15 minutos. Foi o time de Luis Enrique que conseguiu ficar mais com a bola, trocando passes e tentando se colocar no campo de ataque. Os italianos estavam posicionados, apertavam a pressão quando os espanhóis chegavam à intermediária.

Um dos melhores lances veio aos 12 minutos. Pedri achou um belo passe no meio da área para Oyarzabal, mas a bola foi um pouco atrás do jogador, que não conseguiu dominar. Seria uma ótima chance. Aos 14 minutos, Nicolò Barella errou um passe e Ferrán Torres fez o drible no marcador e chutou de fora da área. A bola foi para fora, mas foi um bom lance.

Uma das chaves do início do jogo foi tirar Jorginho do jogo. Em vários momentos, Pedri encostava em Jorginho para impedir que o jogador desse a saída de bola. A fluência do jogo italiano foi quebrada. Assim, nos primeiros 20 minutos a Espanha tinha 70% de posse de bola.

Em um dos lances mais perigosos, Emerson foi lançado na esquerda, o goleiro Unai Simón saiu do gol para tentar interceptar, mas o lateral chegou antes e tocou para o meio. Ciro Immobile dominou e ajeitou para Barella, que tentou um drible e Buesquets cortou.

A Espanha teve uma ótima chance aos 24 minutos. Depois da saída de bola errada de Gianluigi Donnarumma, a Espanha retomou e a bola sobrou, dentro da área, para Dani Olmo tentar a finalização duas vezes. Foi bloqueado na primeira, mas na segunda conseguiu chutar no gol e Donnarumma defendeu bem. Aos 32 minutos, a Espanha chegou novamente e resolveu rápido a jogada: Olmo aproveitou que teve espaço e chutou para o gol, mas mandou por cima.

A Itália começou a chegar com mais trocas de passe depois que Giorgio Chiellini, muito bom tecnicamente, começou a quebrar a primeira linha de marcação com arrancadas. Por duas vezes, o seu avanço tornou o ataque da Itália mais perigoso, porque desmontou, em parte, essa primeira barreira de marcação espanhola.

No fim do primeiro tempo, Emerson Palmieri recebeu de Lorenzo Insigne e chutou forte no alto. A bola bateu na trave e saiu. Ele ainda pediu escanteio. A Itália terminou o primeiro tempo melhor, depois de ter começado com a Espanha melhor em campo.

Segundo tempo de mais equuilíbrio

O segundo tempo começou um pouco diferente do primeiro. A Itália equilibrou mais a pose de bola e a Espanha usou de jogadas de velocidade nos primeiros minutos. Logo no começo da segunda etapa, por exemplo, em uma jogada rápida pela direita, Sergio Busquets apareceu para finalizar de fora da área.

Logo depois, foi a Itália que chegou de maneira mais perigosa, com Federico Chiesa recebendo pela direita e finalizando, mas acabou chegando ao gol sem tanta força e o goleiro Unai Simón defendeu com facilidade. Aos poucos, a Espanha retomou o seu jogo de posse de bola e passes com mais paciência. Com paciência, o time mantinha o domínio. Mas isso mudaria pouco depois.

Chiesa abre o placar em Wembley

Chiesa comemora o gol da Itália (Divugação/Uefa)

A Itália marcou um gol bem típico do futebol italiano, mas não tanto deste time da Itália. Em um cruzamento de Jordi Alba para a área, o goleiro Donnarumma saiu para defender com facilidade e saiu jogando rapidamente com Jorginho. O camisa 8 italiano acionou Insigne em velocidade e o camisa 10, também com agilidade, tocou em profundidade para Immobile. A bola ficou dividida e o zagueiro Aymeric Laporte dividiu e a bola sobrou para Chiesa, que pegou o rebote. Pela esquerda, ele dominou, ajeitou e chutou rápido, colocado e bonito: bola na rede. Unai Simón sequer conseguiu saltar.

Logo depois do gol, os dois times mudaram. Na Itália, o técnico Roberto Mancini sacou Ciro Immobile e colocou Domenico Berardi, um jogador de lado de campo. Assim como a Espanha fez até ali, passou a jogar sem um centroavante de área e com um ataque mais móvel. Insigne foi deslocado para o meio do ataque, com Chiesa indo para o lado esquerdo e Berardi ficando pela direita.

Na Espanha, Luis Enrique abriu mão de não ter um centroavante. Sacou Ferrán Torres, que não conseguiu fazer um bom jogo, e colocou em campo o criticado Álvaro Morata. Ele passou a ser o jogador centralizado.

Espanha perde chance clara

A Espanha perdeu uma chance clara aos 19 minutos. A Espanha trocou passes e Koke recebeu de costas na entrada da área. Girou e cruzou para Oyarzabal, que, livre, furou o cabeceio. Uma grande oportunidade desperdiçada.

O panorama da partida agora era da Espanha pressionando. Pouco depois, aos 21 minutos, a Espanha criou outra chance: lançamento longo para Oyarzabal, que ajeitou para Dani Olmo chutar de fora da área. Mais uma vez a bola foi fora, mas levou algum perigo.

A Itália chegou com muito perigo em um contra-ataque rápido pelo meio, com Chiesa recebendo pelo meio, segurando a bola e tocando para Domenico Berardi, que, de pé direito, chutou sem muita força. Ainda assim, levou algum perigo para Unai Simón, que defendeu com firmeza.

A Espanha, mudaria mais uma vez aos 25 minutos. Desta vez, Luis Enrique sacou Mikel Oyarzabal e colocou em campo o camisa 9, Gerard Moreno. Mais um jogador de área, de finalização. Também sacou o meia Koke e colocou em campo Rodri, do Manchester City.

Mancini também mudou a Itália aos 29 minutos, com duas mudanças de uma vez. Sacou Marco Verratti e colocou Matteo Pessina, que foi bem nos jogos que entrou e foi decisivo contra a Áustria nas oitavas de final. Também colocou Rafael Tolói no lugar de Emerson Palmieri, o que deslocou Giovanni Di Lorenzo da lateral direita para a lateral esquerda. Tolói jogou pela lateral direita, com características mais defensivas.

Com 31 minutos, Morata recebeu uma boa bola pelo meio e hesitou um pouco para finalizar. Quando o fez, acabou bloqueado por Leonardo Bonucci. A essa altura do jogo, a Itália gastava o tempo e procurava um espaço para contra-ataques. Os espanhóis tentavam uma pressão total.

A Itália levou mais uma vez perigo aos 34 minutos. Em uma roubada de bola no campo de ataque, Berardi recebeu na entrada da área e tentou o chute colocado, no canto, mas não conseguiu colocar longe do goleiro. Unai Simón defendeu bem.

Espanha empata em tabela rápida

Morata comemora (Divulgação/Uefa)

A Espanha saiu jogando com Laporte no campo de ataque e acionou Morata pelo meio. O camisa 7 veio buscar o jogo, tocou para Olmo, que devolveu ao atacante da Juventus. Na cara do gol, Morata só deslocou Donnarumma e marcou o gol de empate: 1 a 1 em Wembley, aos 35 minutos.

Seriam últimos minutos bastante movimentados. Logo depois do gol, a Espanha partiu para cima, empolgado. Os espanhóis passaram a marcar com pressão alta e tentar sufocar a saída de bola.

Mais mudanças na reta final

Para tentar vencer o jogo, a Itália mudou aos 39 minutos. Saiu Nicolò Barella e entrou Manuel Locatelli. Também entrou Andrea Belotti no lugar de Lorenzo Insigne, voltando a ter uma referência no ataque da Azzurra.

Na Espanha, Luis Enrique fez a sua quarta alteração colocando em campo Marcos Llorente no lugar de Cesar Azpilicueta. Tentaria com o jogador do Atlético de Madrid ser mais ofensivo pelo lado direito.

Passados alguns minutos, o jogo voltou a um ritmo um pouco mais contido. A Espanha era melhor no final do jogo, parecia mais pronta para marcar o segundo gol do que a Itália, que ainda parecia um pouco assustada.

Depois de três minutos de acréscimos, o árbitro Felix Brych encerrou o jogo. Teríamos mais uma prorrogação. Seria a terceira prorrogação seguida da Espanha, que venceu a Croácia assim e bateu a Suíça nos pênaltis. Os italianos precisaram da prorrogação diante da Áustria, mas venceram a Bélgica no tempo normal. Assim, em tese, os italianos chegaram fisicamente mais inteiros.

Espanha mantém bom momento na prorrogação

A Espanha começou a prorrogação melhor. Logo a sete minutos, Tolói fez uma falta dura em Olmo e tomou o cartão. Depois, na cobrança, a Espanha quase chegou ao gol, em uma finalização de Morata, ao aproveitar uma bola que sobrou dentro da área. Com um bate e rebate, a defesa italiana conseguiu tirar.

Os italianos tinham muita dificuldade para jogarem. O plano de jogo espanhol parecia mais encaixado, com um time que fluía no meio-campo. A Espanha mantinha a posse de bola, baixava o ritmo e tentava encontrar o caminho do gol.

Com 11 minutos, novamente a Espanha chegava bem, com um cruzamento perigoso que Donnarumma afastou e quase Marcos Llorente pegou o rebote, mas a zaga afastou. O time italiano precisava sair do sufoco e não vinha conseguindo fazer isso. A Espanha continuava causando problemas à Itália sufocando a saída de bola limpa, especialmente com Jorginho bem marcado. Locatelli, que entrou no segundo tempo, não conseguiu aparecer.

A Azzurra não conseguia trocar dois ou três passes. Os espanhóis pareciam mais perto do gol o tempo todo. Com 15 minutos, o árbitro encerrou o primeiro tempo da prorrogação. O jogo continuava travado e empatado.

Itália volta melhor ao 2º tempo da prorrogação

Para o segundo tempo, Luis Enrique sacou Busquets e entrou Thiago Alcântara. O jogador do Barcelona parecia muito desgastado. Seriam os 15 minutos finais para definir quem iria para a final da Euro. Do outro lado, Mancini também fez uma mudança. Escolheu colocar Federico Bernardeschi no lugar de Chiesa, que saiu por cansaço.

A Itália atacou com perigo em um lance que Belotti lançou Berardi pela direita, ele acionou Bernardeschi pelo meio, que tocou de calcanhar para o meio. Laporte cortou e o goleiro Unai Simón afastou. No lance, Eric Garcia sentiu cãibras e deixou a partida. Pau Torres entrou no seu lugar.

Os italianos começaram melhor a última parte do jogo. Aos quatro minutos, Berardi recebeu, girou e marcou o gol, mas estava claramente impedido. O assistente marcou na hora a posição irregular. Os dois times tinham que lidar com a pressão, o cansaço e o nervosismo. Qualquer lance seria decisivo a esta altura do jogo. Ninguém se arriscou mais e o jogo caminhou até os 15 minutos. O árbitro encerrou o jogo. A decisão seria na marca da cal.

O drama dos pênaltis

Antes do início da disputa, o goleiro Salvatore Sirigu ficou conversando com Donnarumma. A Itália começou as cobranças. Tudo seria decidido dali. Veja como foi, como o placar de Itália x Espanha nos pênaltis.

Locatelli cobrou o primeiro e o goleiro Unai Simón defendeu (0x0).

Dani Olmo, destaque da partida, foi quem abriu as cobranças pela Espanha. O meia cobrou por cima do gol. Seguia tudo igual (0x0).

Belotti foi quem pegou a bola para cobrar em seguida. Bateu no canto, firme, forte e marcou o primeiro na disputa. 1 a 0 para a Itália (1×0).

Gerard Moreno foi o cobrador seguinte. Ele cobrou, acertou e igualou o marcador, apesar de Donnarumma ter acertado o canto (1×1).

Leonardo Bonucci foi para a cobrança em seguida e teve tranquilidade e categoria, deslocou o goleiro e marcou (2×1).

Thiago foi o cobrador seguinte e também teve muita categoria. Com tranquilidade, colocou na rede (2×2).

Bernardeschi foi o cobrador seguinte. De pé esquerdo, cobrou no alto, cruzado, e marcou (3×2).

Morata foi o cobrador seguinte. Ele cobrou mal, no canto baixo, devagar, e Donnarumma defendeu. A Itália se mantinha à frente (3×2).

Quem foi para a cobrança seguinte foi Jorginho. Se ele marcasse o gol, acabaria a disputa. Ele é o cobrador oficial. Cobrou com uma categoria espetacular, deslocando o goleiro, e marcou. Classificou a Itália para a final (4×2).

Jorginho cobra o último pênalti (Divulgação/Uefa)

Emoção até o fim

A Itália avança para a final, um prêmio ao torneio que fez. Fez um jogo muito competitivo. Na partida, a Espanha foi melhor no geral, ainda que a partida tenha sido equilibrada. Foi uma partida complicada para os dois e os italianos conseguem uma classificação dramática.

Ficha técnica

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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