Espanha ganha ‘nova arma’ tática em goleada que pode fazer a diferença na Eurocopa
Função dos laterais Cucurella e Navas pode ser diferencial da Fúria em alguns momentos na competição europeia
Apesar de sofrer gol da modesta Irlanda do Norte com um minuto, a Espanha fez uma exibição de gala no Estádio Son Moix neste sábado (8).
A goleada de 5 a 1 traduziu exatamente a superioridade do mandante frente a um adversário frágil, que nem a Eurocopa irá jogar e está na terceira divisão da Nations League europeia.
No entanto, não se tira os méritos dos espanhóis, que vão com moral para estreia na Euro daqui sete dias.
O amistoso de hoje também serviu para o técnico Luis De La Fuente arranjar uma “nova arma” tática que pode trazer uma forma distinta de atacar, e a Trivela explica neste artigo.
Uso dos laterais será interesse para Espanha na Euro
Para partida de hoje, há vários destaques. Óbvio aos autores dos gols: Pedri (2x), Álvaro Morata, Fabian Ruíz e Oyarzabal. Mas, taticamente, uma dupla chamou atenção.
O comandante da Fúria escalou os dois laterais considerados reservas: Marc Cucurella, na esquerda, e Jesús Navas, na direita. Ao contrário dos que provavelmente serão titulares, Grimaldo e Carvajal, eles trouxeram características e funções diferentes.
Contra um adversário muito recuado, fechado em um 5-4-1, a Espanha não queria deixar os pontas Lamine Yamal e Nico Williams presos na amplitude pelos lados para apostar só nos duelos mano a mano.
Quem exercia essa função era os laterais, e a seleção espanhola praticamente ficava escalada em um 2-3-5 no momento com a posse de bola — ou seja, quase todo o jogo, finalizado em 78% —, com Williams e Yamal próximos de Morata.

Assim que a Fúria encontrou três dos cinco gols marcados. O segundo tento veio com Yamal, mais por dentro, fazendo jogada individual. Ele acionou Navas aberto na direita, quem cruzou na medida para Morata fazer de cabeça.
No terceiro, a jogada se dá do outro lado. Ocupando o corredor esquerdo, Cucurella recebe e vê Williams partindo de dentro para fora. O jovem ponta cruzou e Pedri cravou.
Yamal, outro em grande dia, estava aberto na ponta no terceiro gol. Só que a ultrapassagem de Navas o garante o espaço para cortar para dentro e cruzar, agora para Ruíz marcar.

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Por que é diferente com Carvajal e Grimaldo?
Não quer dizer que há um abismo em características entre as duplas Carvajal/Grimaldo e Navas/Cucurella. Tanto que os titulares entraram no intervalo e alguns momentos faziam a mesma função bem abertos.
A questão é que, normalmente, Carvajal, apesar de ótimo atacando, ficando mais preso na base da jogada para que Yamal fique bem aberto e potencialize os duelos mano a mano.
O mesmo cenário de Grimaldo, ótimo pelo corredor, mas também traz a qualidade no passe de praticamente um meio-campista por dentro.
No time ideal, a provável estrutura titular da Espanha tem Carvajal na base da jogada com os zagueiros, Grimaldo por dentro junto de Rodri, e Nico e Yamal bem abertos para espaçar a defesa adversária e dar espaço para Dani Olmo e Fabian Ruiz infiltrarem nesse espaço.

Exatamente por isso que a escalação de Cucurella e Navas pode trazer para Espanha em jogos específicos na Euro uma nova arma.
Contra defesas bem fechadas, como a da Irlanda do Norte, sobem os laterais e a ótima dupla Yamal e Nico tem toda liberdade para brincar por dentro.
Muita gente atacando e a qualidade de Rodri, Laporte, Olmo e outros para acionar esse quinteto na frente.
Esquema tem óbvia fragilidade e deve ser usado com cuidado
Como citado, essa tática de hoje deve levar em conta que precisa ser usada em partidas específicas, contextos que a Espanha encontre um adversário muito fechado e precise do resultado.
A projeção de dois laterais dá uma óbvia desvantagem para a selecionado espanhol ser contra-atacado pelos lados do campo.
Se algum adversário escalar um ponta bem veloz e conseguir encaixar um contragolpe, a tendência é de apuros para Laporte ou Le Normand. De La Fuente deve ter noção disso.

