Eurocopa 2024

Espanha ganha ‘nova arma’ tática em goleada que pode fazer a diferença na Eurocopa

Função dos laterais Cucurella e Navas pode ser diferencial da Fúria em alguns momentos na competição europeia

Apesar de sofrer gol da modesta Irlanda do Norte com um minuto, a Espanha fez uma exibição de gala no Estádio Son Moix neste sábado (8).

A goleada de 5 a 1 traduziu exatamente a superioridade do mandante frente a um adversário frágil, que nem a Eurocopa irá jogar e está na terceira divisão da Nations League europeia.

No entanto, não se tira os méritos dos espanhóis, que vão com moral para estreia na Euro daqui sete dias.

O amistoso de hoje também serviu para o técnico Luis De La Fuente arranjar uma “nova arma” tática que pode trazer uma forma distinta de atacar, e a Trivela explica neste artigo.

Uso dos laterais será interesse para Espanha na Euro

Para partida de hoje, há vários destaques. Óbvio aos autores dos gols: Pedri (2x), Álvaro Morata, Fabian Ruíz e Oyarzabal. Mas, taticamente, uma dupla chamou atenção.

O comandante da Fúria escalou os dois laterais considerados reservas: Marc Cucurella, na esquerda, e Jesús Navas, na direita. Ao contrário dos que provavelmente serão titulares, Grimaldo e Carvajal, eles trouxeram características e funções diferentes.

Contra um adversário muito recuado, fechado em um 5-4-1, a Espanha não queria deixar os pontas Lamine Yamal e Nico Williams presos na amplitude pelos lados para apostar só nos duelos mano a mano.

Quem exercia essa função era os laterais, e a seleção espanhola praticamente ficava escalada em um 2-3-5 no momento com a posse de bola — ou seja, quase todo o jogo, finalizado em 78% —, com Williams e Yamal próximos de Morata.

A super ofensiva Espanha de hoje com os laterais se projetando nos corredores (Foto: Sharemytatics)

Assim que a Fúria encontrou três dos cinco gols marcados. O segundo tento veio com Yamal, mais por dentro, fazendo jogada individual. Ele acionou Navas aberto na direita, quem cruzou na medida para Morata fazer de cabeça.

No terceiro, a jogada se dá do outro lado. Ocupando o corredor esquerdo, Cucurella recebe e vê Williams partindo de dentro para fora. O jovem ponta cruzou e Pedri cravou.

Yamal, outro em grande dia, estava aberto na ponta no terceiro gol. Só que a ultrapassagem de Navas o garante o espaço para cortar para dentro e cruzar, agora para Ruíz marcar.

Cucurella bem aberto à esquerda, Navas (fora da imagem) ocupa corredor para Yamal poder jogar por dentro (Foto: Reprodução/Star+/ESPN)

Por que é diferente com Carvajal e Grimaldo?

Não quer dizer que há um abismo em características entre as duplas Carvajal/Grimaldo e Navas/Cucurella. Tanto que os titulares entraram no intervalo e alguns momentos faziam a mesma função bem abertos.

A questão é que, normalmente, Carvajal, apesar de ótimo atacando, ficando mais preso na base da jogada para que Yamal fique bem aberto e potencialize os duelos mano a mano.

O mesmo cenário de Grimaldo, ótimo pelo corredor, mas também traz a qualidade no passe de praticamente um meio-campista por dentro.

No time ideal, a provável estrutura titular da Espanha tem Carvajal na base da jogada com os zagueiros, Grimaldo por dentro junto de Rodri, e Nico e Yamal bem abertos para espaçar a defesa adversária e dar espaço para Dani Olmo e Fabian Ruiz infiltrarem nesse espaço.

Na Espanha ideal, laterais exercem outras funções (Foto: Sharemytatics)

Exatamente por isso que a escalação de Cucurella e Navas pode trazer para Espanha em jogos específicos na Euro uma nova arma.

Contra defesas bem fechadas, como a da Irlanda do Norte, sobem os laterais e a ótima dupla Yamal e Nico tem toda liberdade para brincar por dentro.

Muita gente atacando e a qualidade de Rodri, Laporte, Olmo e outros para acionar esse quinteto na frente.

Esquema tem óbvia fragilidade e deve ser usado com cuidado

Como citado, essa tática de hoje deve levar em conta que precisa ser usada em partidas específicas, contextos que a Espanha encontre um adversário muito fechado e precise do resultado.

A projeção de dois laterais dá uma óbvia desvantagem para a selecionado espanhol ser contra-atacado pelos lados do campo.

Se algum adversário escalar um ponta bem veloz e conseguir encaixar um contragolpe, a tendência é de apuros para Laporte ou Le Normand. De La Fuente deve ter noção disso.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.
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