Eurocopa

Errático fora de campo, e eterna promessa dentro dele, Embolo foi brilhante contra Gales

Nascido em Camarões, Embolo nunca explodiu como se esperava no começo da carreira e coleciona polêmicas fora de campo - mas também boas ações

Breel Embolo sempre foi uma esperança da seleção suíça. Estreou pelo Basel em 2014, quando mal havia completado 17 anos, e rapidamente se mostrou um goleador competente. A promessa se transferiu à Alemanha, mas nunca realmente explodiu. A própria temporada anterior, pelo Borussia Monchengladbach, não foi das mais produtivas, mas, neste sábado, ele teve uma grande atuação no empate por 1 a 1 da Suíça com País de Gales.

Embolo foi, de longe, o melhor em campo. Não apenas porque marcou o gol, em um escanteio gerado por uma poderosa jogada individual dele próprio, mas criou oportunidades para os companheiros, causou o terror na defesa galesa e teve as suas chances para matar a partida, antes do gol de cabeça de Kieffer Moore decretar o tropeço da Suíça.

Após se projetar no Basel, Embolo foi contratado pelo Schalke 04, em 2016, mas conseguiu entrar em campo apenas 61 vezes em três temporadas por causa de uma série de lesões. Uma delas bem séria, uma fratura no osso da perna que o deixou quase um ano afastado. Pulou do barco antes que ele afundasse, contratado pelo Borussia Monchengladbach em 2019. No novo clube, reuniu-se a uma colônia de jogadores suíços, como Yann Sommer, Michael Lang e Denis Zakaria.

Fora de campo, colecionou polêmicas. Perdeu a carteira de motorista em 2019, após uma série de infrações, e participou de uma festa clandestina durante a pandemia que não respeitava as orientações de distanciamento social. Quando era muito mais jovem, ainda nas categorias de base do Nordstern, pegou três semanas de suspensão e quase foi expulso do programa depois de baixar as calças e mostrar o bumbum.

São sinais de imaturidade, mas ninguém é apenas uma coisa. Por exemplo, foi muito maduro da sua parte iniciar uma instituição de caridade, ainda com 18 anos, para ajudar refugiados na Suíça e crianças carentes em Camarões e Peru. Embolo é camaronês de nascença. A sua família imigrou para a Suíça quando ele ainda era muito jovem. Ele se naturalizou em 2014.

“Eu tenho poucas memórias. Eu me lembro de algumas pessoas porque ainda estou em contato com elas. Meu pai ainda vive lá e tenho outros familiares”, afirmou, em entrevista ao site da Bundesliga. “Quando você chega em um país completamente diferente ainda garoto, leva algum tempo para aprender a língua e entender a mentalidade. Foi o principal desafio, adotar a mentalidade. Eu sinto que fiz isso muito bem. Acho que sou provavelmente 60% ou 70% suíço agora, mais do que sou africano. Eu me sinto muito bem recebido e fiz vários amigos. Tive uma infância muito feliz. Fiz muitos amigos por meio do futebol”.

Mas Embolo sabe que muitas pessoas têm dificuldades para se adaptar a um novo país, especialmente se foram forçadas a deixar o seu por questões políticas ou sociais e, por isso, abriu a sua fundação para auxiliá-las. “Minha mãe sempre teve uma daquelas coisas da Unicef, em que você recebia uma carta dizendo ‘recebi o dinheiro, obrigado’. Nós queríamos fazer um pouco mais e meu advogado na época deu a ideia de fazer algo em conjunto, porque ela fez doações também”, explicou.

“Foi assim que a ideia surgiu. Queríamos devolver alguma coisa. Escolhemos esses três países. O Peru, porque ela é de lá, e Camarões e Suíça, onde eu cresci. Fazemos várias coisas, como apoiar crianças na escola ou adolescentes no Peru que fiaram grávidas muito jovens e não sabem o que fazer. Fazemos várias coisas diferentes e sou grato por ter tido a ideia e o apoio para fazer isso”, completou.

A atuação contra Gales pode ter sido apenas um caso isolado. Embolo vem de uma temporada com apenas cinco gols em 16 jogos como titular pela Bundesliga e ainda não teve uma sequência muito confiável pela seleção suíça. Mas também pode ser o começo de uma ascensão. Lembrando que, como todo garoto-prodígio, ele parece mais velho do que os 24 anos que tem.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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