Eliminatórias da Eurocopa

Destaque na Inter de Milão, Marcus Thuram precisou ser convencido a se tornar um camisa 9

Apesar de ter características favoráveis, Marcus Thuram não queria ser centroavante e foi convencido aos poucos. Hoje é um jogador fundamental para a Inter, seu clube, nessa posição

O elenco da seleção francesa é rico em talento e escalar o time é um desafio para o técnico Didier Deschamps. Nesta data Fifa, terá jogos contra Gibraltar e Grécia e pode ter um centroavante que pouco apareceu nessa posição até aqui pelos Bleus: Marcus Thuram. Em parte, isso é culpa do próprio jogador. Aos 26 anos, o filho do ex-jogador Lilian Thuram surgiu como ponta e não gostava da ideia de jogar como camisa 9.

Contratado no começo desta temporada pela Inter de Milão, Marcus Thuram rapidamente se tornou um destaque do time. Atuando ao lado de Lautaro Martínez, ele tem sido elogiado e sua ausência foi sentida quando ele não pôde jogar. São cinco gols em 16 jogos, além de oito assistências, em uma temporada que o companheiro de ataque, Lautaro, está iluminado. São 14 gols em 16 jogos do argentino, que ainda fez duas assistências.

A relutância de Marcus Thuram em ser centroavante vem de muitos anos. Matéria do L’Equipe desta quarta-feira mostra como essa ideia de transformar o garoto em um camisa 9 vem de longa data, mas só não aconteceu antes porque ele mesmo resistia – e conseguiu sucesso atuando como ponta, chegando, inclusive, à seleção francesa assim.

“Um dia você vai ver, você vai acabar como centroavante”. A frase foi usada muitas vezes para Marcus Thuram desde os seus tempos de Sochaux, no Guimgamp e nas seleções de base da França, em Clairefontaine. Ele foi um dos jogadores formados pelo projeto francês, que abriga jogadores na base antes que eles partam para terminar a sua formação nos clubes.

Mesmo com 1,92 metro de altura, muita força física e uma velocidade até rara para alguém do seu tamanho, Marcus Thuram não queria ser um camisa 9. Sua preferência sempre foi atuar pelos lados do campo. Ali, ele acreditava, poderia ter mais influência no jogo, participaria mais e, principalmente, se divertia mais jogando.

“Marcus era alguém que gostava de driblar, profundidade, isso era a sua forma de prazer. Ele não tinha, ao menos não sempre, essa obsessão com o gol”, conta Éric Hély, Um dos seus treinadores no Sochaux. “Achamos que ele gostava dessa posição, mas ainda não tinha a mentalidade de artilheiro. Depois, ele sempre teve pensamentos sobre o seu jogo e o resto podia ser imaginado”.

No início da sua carreira, no Sochaux e Guimgamp, e depois no Borussia Mönchengladbach, ele se tornou um atacante bastante versátil, atuando principalmente como ponta pela esquerda, mas também pelo meio, vindo de trás, e pela direita. “Falamos sobre isso juntos na época e sentimos que ele não estava mentalmente pronto para jogar como centroavante porque ele tinha a sensação que ele iria aproveitar menos e isso, para marcus, naquele momento, era essencial”, conta Jocelyn Gourvennec, que foi seu treinador no Guimgamp.

As coisas só mudaram em abril de 2022, quando isso passa a ser mais discutido pela sua própria equipe técnica. Foi nessas conversas com pessoas próximas e que trabalhavam com ele que as coisas mudaram. “Ele tinha tudo em termos de características em inteligência futebolística, físico, velocidade, jogada um contra um e finalização para validar essa escolha”, contou uma pessoa que trabalhava com o jogador.

Foi Daniel Farke, então treinador do Borussia Mönchengladbach, que apostou nessa mudança de posição e o colocou no centro do ataque de forma permanente. Se na temporada 2021/22º jogador se alternou entre jogar na ponta e no centro do ataque e ainda lidando com lesões, em 2022/23 ele se fixou como centroavante típico. O resultado foi muito positivo para ele e para o time: foram 16 gols marcados em 32 jogos, além de sete assistências. Foi a sua melhor marca pessoal em uma temporada.

A inspiração: Ronaldo, Ibrahimovic e Trezeguet

Definido como centroavante, o jogador passou a estudar mais sobre como desenvolver melhor dentro de campo nessa função. “Analisar essa posição, essa mentalidade, as decisões, um enriquecimento constante. É um livro sem fim esse de número 9”, explicou Thuram em entrevista ao L’Equipe.

Para aprender e se inspirar, Thuram consumia vídeos de Ronaldo, Ibrahimovic e David Trazeguet. Isso ajudou a mudar, definitivamente, a sua mentalidade. Aquele ponta rápido e habilidoso deu lugar a um jogador que pensa muito mais nos gols. “É simples: a cada segundo da semana, penso em marcar gols, como posso fazer isso, como posso me movimentar melhor, se essa corrida causaria mais problemas ao adversário. Tudo que eu aprendi aqui e ali eu coloquei em uso nessa posição. Eu penso como um camisa 9”, disse Thuram, ainda em 2022.

“O que mudou, e já foi perceptível na temporada passada, é que para Marcus, era exclusivamente um jogo. Se você erra, você erra, não importa. Hoje. Ele não está mais nesse pensamento, isso mudou, ele é muito mais competitivo. Ele ainda tem muito espaço para melhorar em eficiência, mas hoje ele pensa como camisa 9”, disse ainda Jocelyn Gourvannec.

Sua transferência para a Inter de Milão ajudou nisso. Ele não só recebeu a camisa 9 como tem atuado centralizado, ao lado de Lautaro Martínez. “Quero ser o centroavante perfeito. Ser o camisa 9 que quero ser, eu tenho muitos pensamentos e experiências a viver”, disse, em outubro.

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Concorrência forte com Kolo Muani e Giroud

Marcus Thuram ainda está longe de ter o status e a importância que o seu pai, Lilian Thuram, teve pela seleção francesa, mas a sua importância tem crescido. Aos 26 anos, ele deve receber a chance de ser titular pela terceira vez contra Gibraltar, em Nice. Na última data Fifa, Thuram entrou nos dois jogos, contra Holanda e Escócia, mas não foi titular em nenhum. Inclusive chegou a dividir a concentração com seu irmão, Képhren Thuram, mais novo que ele.

No segundo jogo, sua atuação convenceu a comissão técnica que ele merecia mais tempo em campo e o jogo contra Gibraltar é uma boa oportunidade. Ele deve ser o titular do time no sábado (18). E para nomes importantes do futebol francês, como Jean-Pierre Papin, ele faz por merecer.

“Ele tem tudo para chegar lá. Acho que ele é um cara que trabalha duro para conseguir fazer tudo do melhor jeito. Notadamente ele progrediu na frente do gol. Hoje, Marcus é mais um camisa 9 do que um jogador de lado”, afirmou Papin. Na Copa, Thuram foi mais um jogador de lado e foi ali que ele entrou em todos os jogos.

Apesar de poder ganhar uma chance entre os 11 titulares, a missão de Thuram é difícil. Randal Kolo Muani, que se transferiu do Eintracht Frankfurt para o PSG nesta temporada, tem sido a preferência do técnico Didier Deschamps, não só pela sua boa fase desde a temporada passada, mas também agora pode ter um bom entrosamento com Kylian Mbappé, o craque e capitão do time. Isso sem falar em Olivier Giroud, que segue bem aos 37 anos.

França e Gibraltar se enfrentam em Nice, no Estádio Allianz Riviera, neste sábado (18), às 16h45 (horário de Brasília). A França lidera com tranquilidade o Grupo B das Eliminatórias da Eurocopa, com 18 pontos. A Holanda está em segunda com 12 pontos, mesma pontuação da Grécia, que ainda tem um jogo a mais. Irlanda, com seis pontos, e Gibraltar, sem nenhum ponto, estão eliminadas da disputa por uma vaga.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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