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Dembélé sobre temporada de volta por cima: “Desde que a Euro foi adiada, fiz de tudo para participar desta aventura”

Depois de mais de dois anos distante da seleção, atacante do Barcelona reconquistou espaço meses antes da Euro, graças a uma temporada de volta por cima

Se coletivamente o Barcelona viveu uma temporada decepcionante, especialmente ao deixar o Atlético de Madrid se distanciar na liderança de La Liga na reta final e, por fim, levar o título, individualmente Ousmane Dembélé teve motivos de sobra para comemorar. Enfim poupado pelas lesões que marcaram seus primeiros anos na Catalunha, o francês conseguiu ter uma sequência de jogos, e seu bom desempenho lhe garantiu em março um retorno à seleção francesa após mais de dois anos. Incluído também no grupo de Didier Deschamps que disputará a Eurocopa a partir do dia 11, o atacante do Barça falou com o L’Équipe sobre a sua temporada 2020/21, a decepção da perda do título espanhol e o que mudou em sua preparação para que pudesse ficar distante das contusões.

Em 2017, o Barcelona precisou desembolsar € 135 milhões ao Borussia Dortmund para poder contratar Ousmane Dembélé. Naturalmente, a expectativa sobre seu futebol era enorme, ainda que à época ele tivesse apenas 19 anos. Às dificuldades naturais de uma adaptação a uma nova liga, em um dos maiores times do mundo, somaram-se inúmeros problemas físicos. Em 2017/18, sua primeira campanha no Camp Nou, o francês perdeu 27 jogos devido a lesões. Nas duas temporadas seguintes, inúmeras contusões impossibilitaram uma sequência. Em 2020/21, com uma nova dieta e com um trabalho focado em se manter em boa forma, Dembélé enfim começou a dar a volta por cima, acumulando 44 partidas pelos blaugranas – em comparação com apenas nove em 2019/20.

“Estou contente de ter sido poupado pelas lesões. Tive apenas uma lesão no tendão em dezembro. Depois de três temporadas de dificuldades físicas, conseguir encaixar uma sequência de jogos era minha prioridade”, comentou, aliviado, ao L’Équipe.

“Eu queria jogar, ser titular no Barcelona. Mas sei que posso fazer muito melhor, veremos na próxima temporada”, acrescentou o jogador, em seguida explicando o que pretende aprimorar: “Eu gostaria de ser mais decisivo, marcar mais gols, dar mais assistências, é isso que esperam de um atacante. Posso dar ainda mais (Dembélé marcou seis gols e deu três assistências em 30 jogos em La Liga na temporada 2020/21)”.

Comentando sobre qual foi o diferencial para que pudesse superar os problemas de lesão, Dembélé apontou que esta temporada foi a primeira em que ele conseguiu fazer um trabalho de preparação antes do início da campanha e atribuiu o sucesso também aos exercícios de prevenção.

“Fiz muito trabalho de prevenção durante as semanas, antes e depois dos treinamentos. Reforcei meu tendão que teve problemas. Pela primeira vez desde o Dortmund (2016/17), pude fazer a preparação de pré-temporada. Isso me fez bem. Quando tive lesões seguidas, sabia que havia um risco de recaída. Os médicos me alertaram sobre isso, faz parte do processo. Os efeitos não são imediatos.”

Dembélé tem méritos próprios em seu retorno à seleção francesa pelo nível de futebol que apresentou e nas mudanças que promoveu em seu estilo de vida para poder se manter em forma. Por outro lado, reconhece ter tido sorte diante do adiamento em um ano da disputa da Eurocopa, da qual agora irá participar depois de uma temporada de volta por cima que o fez ser chamado novamente à seleção francesa pela primeira vez em mais de dois anos.

“Era para eu ter perdido a Euro. Deveria ter acontecido no ano passado, e eu estava machucado durante quase toda a temporada. A covid-19 impactou o mundo inteiro, causou muitas perdas, e meus pensamentos estão com todos que perderam alguém próximo. Para mim, foi benéfico. Desde que a Euro foi adiada, eu fiz de tudo para participar desta aventura. Desde a minha chegada à seleção, sempre tive a confiança do treinador. Ele me chamou novamente em março, estou na lista para Euro, estou contente”, comentou.

O simples fato de estar no grupo já é motivo de celebração para Dembélé, que garante não se importar em ser apenas uma opção de banco – embora prefira, é claro, estar envolvido. Disposto a atuar onde quer que seja que Deschamps o coloque, o atacante ainda assim tem sua preferência: “Sou mais confortável na direita ou em posição de número 10, como jogava no Rennes (2015/16) e às vezes no Dortmund, atrás de dois atacantes”.

A concorrência no setor ofensivo, entretanto, acaba de ficar mais pesada com o retorno de Karim Benzema à seleção depois de mais de cinco anos e meio. Dembélé, no entanto, pensa no coletivo e, como todos seus companheiros que comentaram o assunto publicamente, deu as boas-vindas ao craque do Real Madrid.

“É um jogador de classe mundial. Já jogou a Copa do Mundo (em 2014, no Brasil) com a França, marcou gols. Há 11 anos, tem sido sempre titular no Real Madrid. É uma grande novidade para os Bleus, é um acréscimo à equipe.”

Embora a proximidade da Eurocopa e o fato de que a entrevista tenha sido para um jornal francês tornem a conversa bastante centrada na seleção francesa, Dembélé não escapou de perguntas sobre a temporada do Barcelona – e tampouco quis desconversar.

O atacante viu uma clara evolução da equipe ao longo do ano, vindo de um momento de transição, com troca no comando e mudanças no elenco, mas reconheceu que o time deixou a peteca cair na reta final.

“Começamos mal a temporada, tivemos resultados ruins, como na visita ao Alavés (1×1, 8ª rodada), em que concedemos o empate. Perdemos muitos pontos. O técnico tinha acabado de chegar, com novos jogadores, era preciso que a equipe se encaixasse. Ao longo da temporada, gradativamente, aparecemos. Em abril, nos encontramos a dois pontos do Atlético de Madrid. Isso coincidiu com a má fase dos Colchoneros, e o Real estava perdendo pontos também. Só podemos culpar a nós mesmos, o jogo com o Granada (33ª rodada) ilustra isso. Vencíamos por 1 a 0 no intervalo, no Camp Nou, e perdemos (por 2 a 1). Era um jogo atrasado, e poderíamos ter assumido a liderança. Isso nos daria força, confiança. (A derrota) Nos afetou, sem falar nos confrontos diretos contra o Atlético (0x1 e 0x0) e o Real (1×3 e 1×2), em que conquistamos apenas um ponto”, analisou.

Dembélé esteve perto de deixar o Barça no mercado de verão europeu passado, mas sua volta por cima mudou sua situação no clube. Ele admite não ter certeza de onde jogará na próxima temporada, mas quer se concentrar apenas na Eurocopa no momento. “Não sei (onde jogarei em 2021/22), veremos. Vamos nos reunir com a direção do Barça. Ainda tenho tempo, não estou com pressa, e nem eles. Veremos o que acontecerá.”

O francês tampouco conhece o futuro do companheiro Lionel Messi, mas compartilha do sentimento de todos os barcelonistas: “Não sei, mas espero que ele permaneça”.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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