De promessa renegada, Dzsudzsák transformou-se no grande líder da Hungria

O passado coloca a Hungria entre as melhores seleções da história. Os Mágicos Magiares, campeões olímpicos em 1952 e vice-campeões do mundo em 1954, são o ápice, mas não o único grande momento do país no futebol internacional. Durante as décadas de 1930 e 1960, os húngaros também contaram com gerações bastante talentosas. E mesmo que não tenha cumprido todas as expectativas, o time dos anos 1980 tinha o seu valor. Desde a queda da Cortina de Ferro, contudo, os sucessos magiares pareciam relegados a páginas amareladas e poeira. Se montar uma seleção forte já era difícil, a nação tinha problemas até mesmo para emplacar talentos nos principais clubes da Europa. Pois justo uma das promessas mais frustradas é que comandou a classificação aos mata-matas da Eurocopa na primeira colocação do Grupo F. Ao menos por um dia, Balázs Dzsudzsák foi tudo o que os húngaros sempre esperaram dele, arrebentando no empate por 3 a 3 contra Portugal.
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Apesar da falta de rodagem recente em grandes torneios, experiência é o que não falta à Hungria. Gábor Király, aos 40 anos, é o recordista em jogos pela seleção e o atleta mais velho a disputar a Euro. A equipe titular também conta com Roland Juhász e Zoltán Gera, ambos no Top 5 de aparições com a camisa dos magiares. Mesmo assim, a braçadeira se abotoa no braço de Dzsudzsák. Titular da equipe nacional desde 2007, o atacante de 29 anos já soma 81 partidas. E conquistou a confiança da comissão técnica não por seu talento ou por sua idade, mas principalmente por sua postura. O camisa 7 é uma liderança manifesta, pela voz ativa em campo e nos bastidores. Não à toa, seu discurso antes do duelo contra a Noruega, na repescagem, foi apontado como um dos trunfos para a classificação à Eurocopa, encerrando um hiato de 30 anos longe de competições internacionais.
Grande promessa nos tempos de Debrecen e PSV, Dzsudzsák não decolou como se previa. Foi comprado pelos projetos megalomaníacos de Anzhi e Dynamo Moscou, que afundaram. Já na temporada passada, se acostumou com as perspectivas modestas no Bursaspor, da Turquia. Ao menos na seleção, seu posto nunca se questionou, até pela falta de concorrência. Em um elenco sem estrelas, de destaques individuais em constante rotação, o camisa 7 se manteve como protagonista. E vai honrando o que se espera dele na Eurocopa.
Durante os dois primeiros jogos, mesmo passando em branco, Dzsudzsák já foi um dos melhores jogadores da Hungria. Até fazer uma apresentação de gente grande contra Portugal. Tudo bem, os dois gols que marcou vieram em chutes desviados, que mataram Rui Patrício. Mas não dá para diminuir o seu papel em Lyon apenas por isso. O camisa 7 chamou a responsabilidade em diversos momentos e comandou as ações ofensivas de sua equipe. Finalizou e deu mais passes do que qualquer outro companheiro do meio para frente. Estrela que brilhou, em um empate que poderia muito bem ter sido vitória para a Hungria. Já depois da partida, Dzsudzsák demonstrou também seu comprometimento com a torcida, comandando a festa pela classificação na ponta com um megafone.
A Hungria passa com autoridade aos mata-matas da Eurocopa. Ainda não sabe quem enfrentará, mas já escapou da chave mais temida, onde se concentram as principais potências do continente. Pelo que vem mostrando até o momento, não seria devaneio esperar uma campanha ainda mais duradoura. Vai depender do trabalho de seus veteranos, de seus operários. E também da maturidade de suas lideranças. Embora não tenha se transformado em um grande craque, Dzsudzsák já enche seus compatriotas de orgulho pela maneira como ele capitaneia esta seleção e lava a alma dos magiares depois de tantos anos.



