Eurocopa

Da seleção de Aruba a titular da Holanda, Dumfries foi o herói de uma vitória agônica

O lateral direito de 25 anos, capitão do PSV, participou dos três gols da vitória sobre a Ucrânia - e foi o autor do decisivo

Em março de 2014, enquanto a Holanda se preparava para fazer uma boa campanha na Copa do Mundo do Brasil, na qual foi terceira colocada, Denzel Dumfries tinha 17 anos. Aceitou convocação para defender a seleção. Mas a de Aruba, que estava na 162ª posição do ranking da Fifa. Não gostou da experiência e pediu dispensa porque sonhava em jogar pela Holanda. O sonho não apenas se realizou como ele se tornou um jogador frequente no time nacional. Neste domingo, foi além: virou o herói da vitória por 3 a 2 sobre a Ucrânia pela Eurocopa.

Em entrevista ao site Goal, Giovanni Franken, que treinou Aruba entre 2013 e 2015, contou que deu risada quando ficou sabendo que Dumfries havia decidido não defender mais a seleção do Caribe para jogar pela Holanda. “Não se esqueça: ele ainda era um jogador jovem do BVV Barendrecht. O gol que ele marcou também foi ridículo”, afirmou.

O BVV Barendrecht é um time majoritariamente amador que naquela época disputava a terceira divisão da Holanda. A ascensão, porém, foi rápida: pulou para o Sparta Roterdã em 2015, foi para o Heerenven dois anos depois e, após uma boa temporada, chegou ao PSV. Nenhuma surpresa diante do relato de Franken sobre a ética de trabalho de Dumfries.

“Chegamos a Aruba. Todos os jogadores holandeses sempre pensam em apenas uma coisa: festejar. Pensei que Denzel também. Enquanto todos os convidados festejavam, chamei Denzel para mim. Ele não se comportou da maneira como eu esperava. Perguntei o que ele estava fazendo. ‘Olhe para esses caras. Eles estão pensando no futuro? É isso que você quer?’.”, contou.

“Quem me conhece sabe que, quando começo a falar de futebol, os jogadores costumam me dizer que basta e vão fazer outra coisa. Denzel não. Falamos durante sete horas sem parar sobre futebol. Nas outras duas, dormimos. Este é Denzel”, acrescentou Frenken, sobre uma viagem de nove horas para Aruba.

O sonho de Dumfries se realizou em outubro de 2018, cerca de um ano depois de assinar pelo PSV. Ronald Koeman promoveu a sua estreia em um jogo da Liga das Nações contra a Alemanha – com vitória holandesa por 3 a 0. Desde então, esteve envolvido em quase todos os jogos da seleção, somou 124 atuações pelo time de Eindhoven, do qual virou capitão, e já é especulado em clubes como Everton e Napoli.

Era nome certo para a Eurocopa e não decepcionou em sua estreia. Foi uma válvula de escape importante pela ala direita no esquema com três zagueiros mantido por Frank de Boer e participou dos três gols. Deu o cruzamento desviado pelo goleiro Bushchan que terminou no chute de Wijnaldum; invadiu a área e ganhou de Mykolenko no corpo antes do corte de Matvienko que terminou com o tento de Weghorst; e, claro, ele próprio arrancou a vitória aos 40 minutos da etapa final.

Como a bola estava bem aberta na esquerda, Dumfries fechou pelo outro lado, na região da segunda trave. O cruzamento de Aké foi bom, e o lateral direito teve inteligência para se movimentar e se antecipar a Zinchenko antes de cabecear no canto de Bushchan.

Em uma seleção que ainda depende demais de Depay e Wijnaldum para criar, com um ala esquerdo mais defensivo como Patrick van Aanholt, as subidas de Dumfries pela direita são importantes. E elas existem na Holanda somente porque ele não teve medo de apostar em si mesmo sete anos atrás. Agora, colhe os frutos.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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